...Bianca Santana:...
"Chega de desculpas, Bianca. Sempre que convido você para sair, me deixa na mão", reclamou Luiza. "A Cassie também, parece que sempre está ocupada."
"A mãe da Cassie está doente, é claro que ela não quer sair." Coloquei pasta na escova e comecei a escovar os dentes enquanto caminhava até o banheiro.
"A mãe dela sempre vai estar doente; é câncer, Cassie não pode simplesmente parar a vida dela por isso." Parei de escovar os dentes, sem acreditar que ela disse tal absurdo.
"Isso é algo muito insensível a se dizer."
"Você está certa, eu disse sem pensar, desculpa", terminei e voltei para o quarto.
"Tudo bem, mas não fale esse tipo de coisa para ela. A mãe não tem culpa de estar doente, e Cassie não parou a vida dela; só está focada em terminar a faculdade e cuidar da mãe e da irmã."
"Eu já pedi desculpas, credo", murmurou, levantando-se e indo em direção ao meu guarda-roupa.
"Lu, eu realmente não estou no clima para festa."
"Você nunca tá no clima, Bianca".
"Não é... é sério dessa vez", comecei a falar baixo na intenção de que minha mãe não escutasse. "Eu posso perder meu emprego a qualquer momento", desabafei.
"Mas por quê?", franziu o cenho, confusa.
"Redução de Funcionários", respondi.
"Ah, mas isso não significa que 'você' vai ser demitida".
"Não significaria se a minha chefe não ficasse relembrando o tempo todo que precisei pedir licença médica quando quebrei o braço".
"Isso é injusto. Não deveriam levar em conta situações passadas."
"Eu sei, Lu, mas parece que a minha chefe nunca esqueceu que precisou me pagar enquanto não trabalhei , e o pior é que parece que ela está usando isso contra mim."
"Que bruxa", murmurou.
"Ela só está esperando um erro para me colocar na lista. Se eu sair com você agora, provavelmente vou acordar com ressaca amanhã e...", antes que eu continuasse a me justificar, ela me interrompeu.
"Tá bom, tá bom, não vou te forçar a ir comigo, mas vou pegar uma roupa sua emprestada", avisou, começando a revirar as minhas roupas. "Não sei pra que tanta coisa verde, você é a mãe natureza por acaso?", brincou jogando alguns vestidos sobre a cama.
"Você sabe que é a minha cor preferida", resmunguei me deitando na cama ao lado das roupas.
"É claro que eu sei, mas deveria ter mais coisas vermelhas sabia?é sexy os caras amam", revirei os olhos. "Desculpe, esqueci que seu coraçãozinho tem dono ", disse sarcástica. "Mesmo assim acho que Karl também ia amar se você usasse algumas roupas mais...", a interrompi.
"Meu coração não é do Karl, só tive uma paixonite por ele quando éramos adolescentes".
"Ah hã sei...", deu risada e eu a acompanhei.
Karl é o único irmão da minha melhor amiga, Sophie. Nós nos Conhecemos desde os oito anos, quando eles se mudaram para a casa ao lado com os avós. Sempre nutri sentimentos por ele; Karl sempre foi muito gentil e legal conosco. Todos nós somos praticamente uma família.
Ou éramos.
Há algum tempo, ele começou a se envolver com pessoas esquisitas. Nem acreditei quando vi que ele havia começado a fumar (odeio cigarro), mas isso foi só a ponta do iceberg. Depois de um tempo, ele passou a sair de casa, demorando horas e até alguns dias para voltar.
Como eu sei disso? Sophie, claro, além de uma boa dose de espionagem.
Depois que ele começou a se envolver com essas pessoas de má índole, mudou completamente. Passou a discutir frequentemente com o avô e a brigar com Sophie. Ele mudou até mesmo comigo; quando tentava aconselhá-lo, ficava irritado e se afastava. Até que um dia, o avô o expulsou de casa. Sophie e o senhor Fernando nunca me contaram o motivo, mas tenho quase certeza de que foi por algo relacionado às más amizades dele.
Já faz algum tempo que eles não moram mais ao lado. O senhor Fernando teve um infarto, e Sophie estava tão desesperada que colocou a casa à venda para pagar o tratamento dele no hospital. Sem ter para onde ir, minha melhor amiga ficou morando conosco por algum tempo. Pouco tempo, para ser exata.
Logo, ela conseguiu vender a casa, mas o pior aconteceu quando um bandido invadiu nossa casa de madrugada e roubou todo o dinheiro que ela havia conseguido (só de lembrar, sinto arrepios). Segundo os policiais, os bandidos devem ter percebido que a compradora carregava uma grande quantia em dinheiro e a perseguiram desde o banco.
Sophie sofreu muito com tudo isso. Ela quase morreu enquanto tentava impedir que os bandidos levassem o dinheiro. Até mesmo entrou na frente do carro dos criminosos, e eles quase passaram por cima dela. Por sorte, minha mãe, que havia desmaiado após o bandido apontar a arma para ela e empurrá-la, acordou e me mandou ir atrás de Sophie. Quando a encontrei, me joguei em cima dela e a impedi de ser atropelada por eles. Foi assim que quebrei o braço.
Ela ficou morando aqui por mais uma semana, mas logo arrumou um emprego como assistente de uma mulher.
Na verdade, era isso o que pensávamos antes dela nos contar que o emprego, na verdade, era mentira e que a mulher a havia contratado para ser a esposa falsa de um homem, Gael Mancini para ser exata.
Mas essa é uma longa história... que ela me pediu para não compartilhar com ninguém.
Não vejo Karl desde então; tive até esperanças de que ele pudesse ter mudado quando retornou preocupado com o avô. Ele ajudou Sophie a pagar o hospital e a vender a casa, mas depois desapareceu novamente.
"O que você acha?", Luiza perguntou enquanto saía do banheiro com um vestido curto preto.
"Ficou perfeito em você", elogiei. "Nem me lembrava de ter esse vestido ".
"Estou completamente apaixonada por ele", comentou, se admirando no espelho.
Após passar um batom vermelho e calçar os saltos, ela retornou em minha direção:
"Vou nessa. Falei para minha tia que dormiria aqui, então..."
"Fica tranquila. Se ela ligar, eu digo que você já está dormindo."
"Você é a melhor", ela deu alguns pulinhos animados e, em seguida, me abraçou. "Te amo."
"Eu também. Se cuida", ela riu e deixou o quarto.
Luiza sempre me convida para essas boates, mas, para ser bem sincera, eu prefiro aproveitar minha noite em casa, assistindo a filmes românticos na Netflix e lendo os livros de Tessa Dare, minha autora preferida.
E foi exatamente assim que passei o restante da noite chorando horrores em um filme chamado "Como Eu Era Antes de Você". Minha mãe assistiu comigo, mas, diferente de mim, ela não é tão emotiva.
Quando terminamos de assistir, ela foi para o quarto dela, e eu subi para o meu. Em pouco tempo, adormeci.
Após algumas horas, meu smartphone começou a tocar. Eu nem acreditei que a noite havia passado tão rápido, e já era hora de trabalhar.
Estiquei o braço tentando encontrar meu telefone pela cama sem precisar abrir os olhos. Logo consegui, mas a claridade da tela quase me cegou. Fiquei surpresa ao ver que na verdade ainda era uma hora da manhã. E o toque do smartphone não era o despertador, mas uma chamada de Luiza.
...Charles Biancardi:...
"Por que não posso passar a noite aqui?", perguntou a loira, voltando a beijar meu pescoço.
"Desculpe, gatinha, mas eu te avisei que seria assim", falei, e ela pareceu chateada.
"Pensei que ia fazer você mudar de ideia", sussurrou, deslizando a mão pelo meu peito nu.
"Eu não mudei."
"Nem um pouquinho?"
"Nem um pouquinho."
"Mas eu quero dormir com você", insistiu, fazendo um biquinho e tentando me persuadir massageando meu Pau.
"Não vai rolar", me afastei, levantando da cama.
"Charles!", protestou, se levantando também.
"Eu vou pedir para alguém te deixar em casa", avisei pegando o vestido dela do chão e jogando para ela.
"Me deixa dormir com você só hoje. Da próxima, eu vou para casa", implorou.
"Próxima?", me perguntei se ouvi direito.
"Sim", afirmou.
Franzi o cenho confuso, eu praticamente acabei de conhecê-la na boate.
"Não vai ter uma 'próxima'", fui direto.
"Por quê? Você não gostou de mim?", perguntou se aproximando, e eu dei um suspiro pesado, vendo que precisava usar minha técnica infalível:
"Agora é hora de ir, Leila", comecei a vestir minha cueca.
"É Luiza", resmungou irritada.
"Desculpe, erro meu".
"Cadê minha bolsa?", ela procurava com certa dificuldade, aparentemente ainda meio bêbada.
"Veste a sua roupa primeiro", mandei. "Você deve ter deixado sua bolsa no sofá", comentei saindo do quarto. Logo achei a bolsa dela jogada no chão da sala.
Quando voltei ao quarto de hóspedes, Luiza já havia colocado o vestido preto e estava sentada na cama como se fosse uma criança emburrada.
"Sua bolsa", joguei a mesma na cama ao lado dela.
Ela a pegou e retirou o smartphone.
"Por que as letras estão se mexendo tanto?", resmungou aproximando o rosto da tela.
"Me dá isso aqui", tirei o smartphone de suas mãos. Admito que também estou um pouco bêbado, mas sem dúvida estou melhor que ela. "Para quem eu tenho que ligar?", fiz uma expressão pensativa enquanto deslizava meu dedo pelos contatos. "Sua tia?", sugeri vendo a lista de contatos de emergência, e os olhos dela praticamente saltaram.
"Não, de jeito nenhum", falou rapidamente.
"Então, para quem?", insisti e ela pareceu pensativa demorando alguns minutos para responder. "Olha, eu não tenho a madrugada toda. Tem certeza que não quer que eu peça para alguém te deixar em casa?".
"Não", murmurou. "Liga para o contato... Bibi Perigosa."
"Bibi Perigosa?", repeti, tentando segurar a risada, enquanto procurava o tal contato, Luiza se deitou novamente na cama com preguiça.
Assim que encontrei, liguei a primeira vez, mas ninguém atendeu, a segunda e absolutamente nada.
"Eu acho que a Perigosa não tá disponível agora", comentei. "Onde você mora? Vou pedir para te deixarem lá", a minha cabeça também não estava legal, estou realmente pensando em parar de beber.
"Liga de novo, eu vou dormir na casa dela", murmurou se remexendo na cama.
Respirei fundo e liguei mais duas vezes até uma voz sonolenta atender:
"Onde você está?"
Senti os pelos da minha nuca se eriçarem, quase como se algo tivesse passado por mim.
"Ela... está no meu apartamento", senti um fio de desconforto ao dizer, ouso até dizer que a minha voz saiu trêmula.
"CADÊ A MINHA AMIGA?", a mulher praticamente gritou, precisei até afastar o smartphone do ouvido.
"Ela está no meu apartamento", repeti com mais firmeza.
"O que você fez com ela? Olha, eu juro que se você encostar num fio de cabelo da Luiza, eu vou cortar o seu...", antes que ela concluísse a ameaça a interrompi.
"Calma aí, Perigosa, eu não fiz nada com a sua amiga, pelo menos nada que ela não quisesse."
"Eu quero falar com a Luiza", pediu. "Aliás, por que ela mesma não está falando comigo?"
"Porque ela tá rolando na cama", respondi observando a mulher se enrolando nos lençóis.
"Onde vocês estão? Estou indo buscar ela", passei o endereço e ela desligou na minha cara. "Mal criada", resmunguei para o smartphone.
"Ela respondeu...?", perguntou Luiza.
"Sim, a sua amiga já está vindo te buscar", vesti minha calça e me aproximei dela a ajudando a levantar. Assim que conseguiu ficar de pé, tentou me empurrar.
"Sai, não quero sua ajuda", levantei as mãos e ela passou por mim irritada. "Você é um cretino, sabia?"
"Eu sei, mas sou um cretino responsável."
Ela começou a andar revoltada até a porta.
"Luiza!", chamei e a mesma se voltou rapidamente. "Você não está esquecendo nada não?",franziu o cenho confusa.
Peguei o smartphone dela e coloquei dentro da sua bolsa, em seguida peguei seus saltos e entreguei ambos a ela.
"Era só isso.", ela estreitou os olhos para mim e saiu batendo a porta.
Após ela sair, entrei em contato com o segurança e pedi que garantisse a segurança dela até a amiga chegar. Fui até o banheiro e, depois de um banho rápido, fui para o meu quarto. Sem pensar duas vezes, me joguei na cama.
...Bianca Santana:...
Em pouco tempo, o Uber estacionou na frente de um edifício gigante. Logo, paguei o motorista e saí do carro. Ao passar pela entrada, um segurança veio na minha direção.
"Identificação, por favor", solicitou.
"Não sou moradora, apenas estou aqui para buscar minha amiga. Ela veio com um cara que mora aqui", expliquei. O segurança assentiu pensativo.
"É uma loira?"
"Sim, ela está usando um vestido preto."
"Por aqui, por favor. Já sei de quem a senhorita está falando."
Enquanto nos aproximávamos, avistei Luiza praticamente adormecida em um banco de madeira, com dois seguranças próximos a ela. Conversavam baixinho, mas consegui ouvir um pouco:
"Ela é a quinta esta semana", disse um deles, rindo. "Os vizinhos disseram que a noite foi boa." Revirei os olhos.
Ao me aproximar com o terceiro segurança, o que estava rindo foi tocado no braço pelo outro, voltando a atenção para mim. Não dei importância ao que estavam dizendo e fui até Luiza, me abaixando na frente dela.
"Luiza, eu cheguei", disse, tocando cuidadosamente o ombro dela.
"Hmm", murmurou sem abrir os olhos.
"Sou eu, Bianca", os olhos dela começaram a abrir, e ela fez um bico começando a chorar.
"Amiga...", me abraçou.
"Esse cara te fez algum mal?", perguntei preocupada, ela chorava como um recém-nascido.
"Ele não me deixou dormir com ele", berrou.
O que posso dizer? Apenas pelo fato de ele mandá-la embora em plena madrugada e pelo comentário do segurança engraçadinho, está na cara que esse homem é um canalha. Mas se eu falar isso agora, tenho certeza de que ela vai chorar ainda mais.
"Ele deve ter algo para fazer", a ajudei a ficar de pé.
"Você acha?", assenti.
Não. Quem teria algo para fazer nesse horário além de dormir?
"É melhor irmos para casa agora", tentei fazê-la andar.
"Espera. Eu não dei o seu endereço para ele, como ele vai me encontrar?"
"Luiza... eu preciso dormir", implorei.
"Segurança!", chamou, e o homem se aproximou de nós.
Respirei fundo. Amo minha amiga, mas neste momento estou seriamente pensando em deixá-la aqui e ir embora.
"Pode entregar um recado pra ele?", perguntou.
O homem franziu o cenho, confuso.
"Para quem?"
"Charles", disse, dando um suspiro encantado enquanto eu lutava para mantê-la de pé.
"Eu não tenho certeza sobre qual...", antes que o homem concluísse, o outro segurança falou:
"Ela está falando do senhor Charles Biancardi."
"Ah sim, o que a senhorita quer que eu diga ao senhor Biancardi?", perguntou.
"Pode me emprestar papel e caneta?" Ele assentiu, retirando um pedaço de papel do bolso, e o outro entregou uma caneta. A ajudei a sentar novamente na cadeira. "Bianca, escreve seu endereço aqui, eu não estou conseguindo", respirei fundo e peguei o papel da sua mão.
É claro que não vou escrever meu endereço aqui; apenas deixei um recado, dobrei o pedaço de papel e entreguei ao segurança.
"Obrigada", murmurei, ajudando-a a se levantar novamente e caminhando para fora do residencial.
Após longos minutos de espera tentando chamar um Uber, finalmente consegui.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
Luiza se embebedou por conta do aniversário de morte da mãe, ela não conseguiu superar a perda , não justifica , é claro.
2025-03-14
0
Mary Lima
Estas jovens estão fáceis de mais e sem noção,por isso estar acontecendo tantas coisas negativas com as mulheres /Hammer//Hammer//Hammer//Hammer//Hammer//Hammer//Toasted//Toasted//Toasted//Toasted//Toasted/
2024-08-21
4
morena
agr entendi a reação da Bianca com o Chales no outro livro kkkkkkk
2024-07-18
1