...Bianca Santana:...
E eu realmente chorei por um bom tempo ontem à noite. Ao levantar da cama hoje de manhã, notei olheiras sob meus olhos e a típica expressão cansada de quem mal dormiu.Tomei um banho esperando que a água pudesse levar embora todas as minhas frustrações.
Sei que o que sinto por Karl não vai desaparecer de uma hora para outra, mas não vou me tornar refém desse sentimento. Decidi erguer a cabeça e me concentrar em coisas mais importantes, como procurar um emprego, por exemplo.
Ao sair do banho, me arrumei com esse objetivo em mente. Preparei minha pasta com alguns currículos e desci as escadas caminhando até a cozinha.
Ao me aproximar da cesta de frutas, peguei uma maçã me preparando para sair, mas antes de chegar à porta, minha mãe chamou minha atenção:
"Você não é um passarinho, filha", disse minha mãe, me guiando pelos ombros até a mesa. "Tome café comigo primeiro", sentou-se e indicou que eu fizesse o mesmo.
"Tá bom", sentei-me, pegando um copo e me servindo com café.
"E essa pasta?", perguntou curiosa, pegando-a na mão.
Eu ainda não tinha tido a oportunidade de dizer a ela que perdi o emprego. Na verdade, até tive, mas preferi não contar, queria que ela não se preocupasse com isso. Porém, não consegui impedi-la de abrir a pasta e ver meus currículos ali.
"Por que não me disse?"
"Perdão, mamãe, eu não queria te deixar preocupada", pedi, levando um pedaço de pão à boca.
"Você não deveria se desculpar por isso, filha. Só não quero que você carregue tudo sozinha".
"Não tô levando tudo sozinha, eu sei que logo vou conseguir outro emprego e..."
"Eu não estou falando só sobre o emprego... ontem te vi chorando no mercado", comentou. "E sei bem o motivo pelo qual você chorou".
"A senhora viu ele também?", senti constrangimento.
"Filha, já está na hora de esquecer esse rapaz, ele não te faz bem. Eu sei que você gosta dele desde criança, mas Karl é um menino complicado".
"Eu sei... mas como posso parar de gostar dele?"
Minha mãe olhou para a mesa pensativa e logo ergueu a cabeça com uma resposta:
"Filha, o que é para ser seu será seu, você não vai precisar correr atrás, vai chegar até você", sorriu. "Agora, coma bolo também", mandou.
"O pão já foi o suficiente", falei, me levantando.
"Vá com cuidado, qualquer coisa me liga", assenti, me aproximando e dando um beijo em seu rosto.
Caminhei até a porta e, ao chegar no portão, vi Sophie se aproximando da minha casa com uma mala. Seu nariz estava vermelho; ela estava chorando...
"Bianca", murmurou, abraçando-me.
"Sophie, o que aconteceu?" perguntei preocupada.
"Eu saí da casa do Gael, não quero vê-lo", ajudei-a a colocar a mala para dentro.
"Quer conversar sobre isso?"
"Na verdade, eu posso ficar aqui por algum tempo?"
"Claro, amiga, o tempo que precisar."
"Parece que minha cabeça vai explodir", sussurrou, tocando as têmporas.
"Descansa um pouco, vem, vamos colocar suas coisas no quarto."
Sophie cumprimentou minha mãe, e nós colocamos a mala dela no meu quarto. Ela tomou um remédio para dor de cabeça e acabou adormecendo. Após ela dormir, desci as escadas para deixá-la descansar.
Ela está apaixonada pelo 'marido', e a situação me faz questionar o que realmente aconteceu. Tenho quase certeza de que a culpa é dele.
"Por que os homens são assim?"
...[...]...
...Charles Biancardi:...
"Por que as mulheres são assim?", perguntei a Gael enquanto dirigia em direção à casa de Bianca. "É impressionante como são incapazes de nos ouvir e preferem tirar suas próprias conclusões, e no final ainda apanhamos..."
Quando olhei na direção dele, Gael estava franzindo o cenho, confuso.
"O que foi?", questionei.
"Por que está falando como se... Ah, deixa pra lá", murmurou tentando ligar para a esposa novamente. "A chamada nem está sendo encaminhada", reclamou, encostando a cabeça no vidro do carro, visivelmente deprimido.
"Relaxa, ainda não deu tempo de encontrar outro...", uma expressão de irritação mortal brilhou nos olhos dele, e senti a necessidade de mudar o tom da piada. "Chip!", soltei uma risada nervosa. "Não deu tempo de comprar outro chip", voltei minha atenção para as ruas.
"Mais uma gracinha, e você está demitido mesmo", alertou, mexendo no smartphone novamente.
"Chegamos!", estacionei na frente da casa de Bianca.
Ao colocar a mão na porta do veículo para sair, Gael me interrompeu.
"Você. Espera. aqui", mandou pausadamente, saindo do carro.
"Mas...", bateu a porta com força. "Espero que você leve um pé na bunda", murmurei.
Aproveitei esse momento para observar mais atentamente o resultado do meu cabelo no retrovisor. Já tinha até esquecido como era ter cabelo preto, mas o resultado ficou de fato bom.
...Bianca Santana:...
"Por favor, Bianca, me deixe falar com a Sophie", pediu Gael, mantendo uma expressão angustiada assim que abri o portão. Seus olhos refletiam uma mistura de ansiedade e preocupação.
"Ela não está aqui", menti, sentindo o peso da situação.
"Sinto que está; apenas diga a ela que posso explicar e que ela entendeu tudo errado.", insistiu, quase suplicante.
"Gael, eu..." Cogitei dizer a verdade, hesitante diante das possibilidades. E se ele a traiu?
Preferi não pressionar Sophie para me contar o que aconteceu entre eles, mas era evidente que, quando um homem diz as palavras: 'eu posso explicar', uma mulher está envolvida.
"Ela realmente não está aqui", respondi de forma mais firme, tentando transmitir convicção. "Se você a encontrar, nos avise." Ao dizer isso, notei que ele parecia acreditar, pelo menos momentaneamente.
Gael suspirou, assentiu e, resignado, deu as costas. Fechei o portão novamente, deixando um momento de silêncio tenso no ar. Em seguida, me aproximei da minha mãe, que estava sentada no sofá, ela observou tudo com preocupação.
"Não deixe ele entrar de jeito nenhum; foi ela que pediu. Eu vou ficar um pouco com a Sophie", falei, caminhando na direção da escada.
...Charles Biancardi:...
"E...?", desviei a atenção do smartphone lançando um olhar curioso para Gael que havia retornado ao carro.
"Bianca me disse que Sophie não está aqui", respirou fundo, como se estivesse carregando o peso de um elefante naquele suspiro.
"Você acreditou?"
"Não tenho certeza", levou o telefone à orelha novamente.
"Se quiser, posso tentar descobrir algo", me ofereci.
Mas, na realidade, minha intenção era fazer uma certa mulher prestar um pouco mais de atenção em mim.
"Como você poderia descobrir alguma coisa e eu não?", perguntou dúvidando.
"Dona Casilda gostou de mim quando nos conhecemos", me gabei com um sorriso convencido. "Alias, a adorável senhora está aí?"
"Quando vocês se conheceram?"
"Você ficaria orgulhoso de saber que banquei o herói uma vez na vida, mas essa história é para outra ocasião. Ela está ou não?", se ela não estiver provavelmente Bianca não vai nem mesmo abrir a porta.
"Sim, mas não cheguei a falar com ela."
"Ótimo,então agora é a minha vez de entrar em ação", levei minha mão à porta e saí do carro, caminhando tranquilamente até o portão da casa.
Bati palmas algumas vezes, e logo dona Casilda veio até mim. Ela estreitou os olhos como se estivesse confusa sobre quem eu era, isso me deixou levemente em pânico.
"Boa tarde, dona casilda.", usei o meu tom mais dócil.
"Charles, querido", disse animada, se aproximando. "Eu nem te reconheci", comentou surpresa, e eu respirei aliviado.
"Sério? Meu cabelo ficou tão diferente assim?"
"Está muito bonito", elogiou, abrindo o portão da sua casa.
"O suficiente para ganhar o elogio da sua filha também?", ela me lançou um olhar divertido.
"Existem chances!", dei risada da sua empolgação. "Como vai?"
"Estou bem, e a senhora?"
"Estou ótima. Entre", convidou, e eu adentrei a casa com ela. "O que te trouxe aqui?"
"Na verdade...", hesitei, fazendo uma pose dramática. "Eu gostaria de saber se Sophie está aqui", ela indicou o sofá e me sentei.
"Como conhece a Sophie?" seu semblante era confuso.
"Sendo bem sincero com a senhora, eu sou o melhor amigo do Gael, e...", dona Casilda deu um suspiro pesaroso.
"Ela não está aqui", disse rapidamente, olhando para as próprias mãos.
"Tem certeza?", acenou com a cabeça.
Não acreditei muito, mas não vi motivo para pressioná-la a me dizer.
"E Bianca?", perguntei, observando ao redor, tentando encontrar vestígios da presença dela.
"Ela está no quarto."
"Se recuperou bem?"
"Sim, minha menina é praticamente de ferro", deu risada.
'Tá explicado do que o coração dela é feito', pensei, sem conseguir conter o riso.
...Bianca Santana:...
"Ah não...", soube perfeitamente de quem era aquela risada antes mesmo de chegar a sala.
O que Charles faz aqui?
Assim que adentrei o ambiente com Sophie seus olhos vieram automaticamente em nossa direção. Ele estava diferente, seu cabelo antes loiro agora está preto.
Isso...
Será que se deve ao comentário que fiz sobre os loiros falsificados?
"Oi, Bianca e Sophie", cumprimentou automaticamente, enquanto nos aproximávamos mais da minha mãe e, por consequência, dele também, que estava sentado ao lado dela no sofá.
...Charles Biancardi:...
Nunca fui de prestar atenção nos meus batimentos cardíacos, mas por algum motivo, não deixei de perceber que eles aceleraram quando meus olhos alcançaram aquela mulher.
Meus pensamentos estavam tão focados em Bianca que nem percebi o fato de que sophie realmente está aqui, assim como Gael disse.
"Dona Casilda, a senhora me garantiu que ela não estava aqui", protestei, e a mãe de Bianca deu uma risada envergonhada.
"Porque 'você' está aqui?", perguntou Sophie se aproximando.
"Boa pergunta", Bianca resmungou.
Notei que o olhar dela não permanecia muito tempo na minha direção. Isso me causou certo desconforto; eu queria ser notado por ela.
"Eu só vim mostrar o meu novo visual para dona Casilda, nós nos tornamos bons amigos", brinquei, buscando os olhos de Bianca com os meus, e após me encarar por poucos segundos disse:
"Não mudou muita coisa",mentira. Percebi que ela engoliu em seco; estou certo de que causei algum impacto nela, mesmo que pequeno.
Exatamente como eu queria.
"E você", apontei para Sophie. "Gael está surtando, sabia? Fui ameaçado de ser demitido 5 vezes só nesse intervalo da sua fuga; meu recorde eram três vezes no dia."
Meu amigo está verdadeiramente insuportável. Se já era complicado lidar com ele quando não gostava de ninguém, agora está ainda pior. Preciso fazer essa mulher voltar para casa com ele, ou corro o risco de ficar sem paz ou, pior, sem emprego, já que não consigo controlar meu humor, que ultrapassa os limites da sociedade.
"Não aponta para minha amiga, você vai dar azar para ela", Bianca apontou na minha direção, como se eu fosse um ímã de má sorte ambulante. Não deixei de notar que as três seguraram a risada, mas apenas Sophie riu.
Como ela tem coragem... azar?
"Você está insinuando que eu sou um gato preto?"
Se ela disser que sim, vou ficar menos ofendido porque, pelo menos, ainda existe a palavra 'gato' na frase; vou encarar isso como o elogio que não recebi.
"Não, gatos pretos são fofos; já você é como uma das Dez pragas do Egito.", eu não conheço muito bem a bíblia, mas tenho quase certeza que isso não foi bem um elogio...
Pensei que não poderia piorar, mas agora, além de dar azar, eu sou uma praga também?
Que tipo de mulher é essa?
"Bianca!", a mãe dela a repreendeu.
"Tudo bem, dona Casilda. Tenho certeza que Bianca e eu ainda seremos melhores amigos", sugeri e Bianca fez uma careta indicando que provavelmente preferia ser lançada na cova dos leões.
Enquanto fiquei distraído a observando e me questionando por que estou insistindo nela, percebi que Sophie havia começado a caminhar na direção da porta.
Levantei rapidamente.
"Parada aí", mandei. "Se você fugir enquanto estou aqui, vou ser esfolado", isso foi exagerado, mas não longe da realidade.
"Eu vou procurar o Gael", dei um suspiro aliviado.
"Graças a Deus", murmurei para mim mesmo. Finalmente, ele vai voltar ao normal. "Acho que você nem vai precisar ir longe; quando entrei, ele estava aí fora", ela parecia surpresa. "É, ele ficou te esperando".
Ela não respondeu, apenas passou pela porta rapidamente.
"O amor é lindo", disse a mãe de Bianca dando um suspiro. "Aceita um cafezinho, Charles?", perguntou amável.
Nunca considerei ter uma sogra, e nem quero, mas se um dia, por algum milagre ou algo assim, viesse a ter uma, ficaria feliz se fosse alguém como ela.
"Sim, obrigado", dona Casilda deu um sorriso animado, caminhando na direção da cozinha, e eu me sentei novamente.
"Mas e você...", comecei, tentando engatar uma conversa com Bianca.
...Bianca Santana:...
"Eu o quê?", perguntei sem interesse de conversar.
Charles manteve seus olhos fixos no meu rosto como se estivesse me analisando, tenho quase certeza que ele deve estar rindo internamente da minha aparência acabada, sem querer que ele continuasse com a sua 'analise' virei o rosto para o lado cortando o contato visual.
"Que inferno...Mesmo com olheiras, você continua bonita", a frase não soou como um elogio, mas sim como uma reclamação, o que de fato foi.
"Como é?", me perguntei se escutei corretamente.
"Eu devo mesmo repetir o que falei antes?", porque parece que ele está com raiva de mim?
...Charles Biancardi:...
"Eu ouvi o que você disse, mas não entendi o motivo. Aliás, até agora eu não consigo entender o que você quer comigo.", disse irritada.
Baixei a cabeça pensativo, cogitando se deveria mentir dizendo que estou apaixonado ou alguma baboseira desse tipo. Mas por algum motivo, eu não quero mentir, e isso levantou algumas questões na minha mente:
O que eu realmente quero com Bianca? Uma noite seria suficiente? E após dormir com ela, essa sensação esquisita no meu peito desapareceria, não é?
"Você está quieto... se eu soubesse que bastava perguntar o que queria para te calar, teria feito isso antes", comentou, parecendo maravilhada pela proeza de me fazer calar a boca.
"Se eu falar o que eu quero... você vai me dar?", ergui a cabeça encarando seus olhos.
"Claro que não. Você é algum tipo de criança?", pareceu indignada.
"Nesse caso, vou manter o silêncio", ou talvez leve um tapa.
"Que bom, sua boca calada é como música."
"Você...", me interrompi quando dona Casilda voltou à sala com o café e alguns biscoitos.
Tomei o café com elas; dona Casilda e eu conversamos bastante. Ela compartilhou várias histórias sobre a infância de Bianca e Sophie.
O mais surpreendente? Eu realmente gostei de ouvir sobre isso. Ri bastante ao escutar suas histórias engraçadas, desde o momento em que Bianca caiu em cima de cocô de galinha até ela fingir ter dor nos ossos na infância porque tinha preguiça de andar. A cada história, o rosto de Bianca ia ficando mais rosado, como se estivesse medindo seus níveis de constrangimento.
Fiquei chateado por Gael e Sophie terem se acertado tão rapidamente; acho que eu queria ficar aqui mais um pouco, e com eles indo embora, a minha desculpa perfeita ia junto. Assim que Bianca ajudou Sophie com as coisas dela, todos nós começamos a deixar a casa delas.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
Para Bianca fica complicado ter interesse pelo Charles, já que a amiga Luzia demonstra interesse por ele
2025-03-14
0
Mary Lima
Bianca não dá mole caraca/Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful/
2024-08-22
1
Rosas Vermelhas
Bianca é incenssivel
2024-06-13
2