...Bianca Santana:...
"Charles veio aqui?", minha mãe assentiu.
"Ele é tão gentil; disse que queria me avisar pessoalmente", ela riu. "E ainda falou que vai vir nos buscar. Parece que a surpresa que Gael preparou para sophie vai ser um pouco longe, na praia."
"A senhora deveria ter dito para ele não se incomodar"
"É claro que eu falei, mas ele insistiu, e eu não recusei mais. Afinal, nós nem mesmo temos tanto dinheiro disponível para pagar um táxi até a praia", engoli em seco, ela estava certa.
"Ele disse que horas viria?"
"Não se preocupe, é só mais tarde. Aliás Que bom que você chegou cedo. Vamos almoçar?", assenti, me levantando.
Enquanto caminhávamos até a cozinha o smartphone da minha mãe tocou, e o som da campainha ecoou, ambos praticamente ao mesmo tempo.
"É a Sophie, e agora?", perguntou.
"Hoje é o Dia das Mães...", murmurei, me condenando por ter esquecido. Fiquei tão preocupada por ter ficado sem emprego que acabei perdendo a noção do tempo. "Será que é ela na porta?"
Nós três sempre passamos o Dia das Mães juntas.
"O que eu digo?" minha mãe perguntou, balançando o telefone. "Se ela vier para cá, podemos acabar estragando a surpresa."
"Diz que estamos passando o dia na praia. Vou olhar pela brecha da porta."
"Será que ela não vai desconfiar?"
"Acho que não...é melhor a senhora atender de uma vez"
Enquanto minha mãe atendia a ligação, caminhei até a porta e, ao olhar pela brecha, vi uma cabeleireira loira. Felizmente, não era a Sophie, mas sim a Luiza.
Respirei aliviada e fui abrir o portão.
"Faz dias que não te vejo", comentei, me aproximando dela.
"Amiga, eu tenho um problemão", após ela dizer isso, a observei melhor. Haviam olheiras sob seus olhos, e seu nariz estava vermelho.
"O que aconteceu?"
"Posso entrar?", perguntou, abraçando o próprio corpo, e eu acenei com a cabeça, liberando a passagem. Assim que Luiza entrou, praticamente correu para o meu quarto.
Notei que minha mãe ainda conversava com Sophie na cozinha e fui na direção do meu quarto. Ao adentrá-lo, vi Luiza deitada na cama com o rosto no travesseiro.
Me aproximei e sentei ao seu lado.
"Você brigou com a sua tia?" perguntei, acariciando seu cabelo, e ela negou ainda com o rosto no travesseiro. "É aquela garota chata do grupo da imobiliária de novo?" tentei, e Luiza ergueu o rosto.
"Eu tô grávida, Bianca"
As palavras sumiram da minha garganta.
"Como assim grávida?"
"Um bebê", murmurou.
"Eu sei que é um bebê, mas...quem é o pai?"
"Não tenho certeza", voltou o rosto para o travesseiro, fazendo um ruído alto de choro.
"Como não tem certeza?"
"A última vez que transei foi aquele dia que nós três fomos àquela boate. Eu fiquei com um cara, mas ele usou camisinha e eu já estava atrasada. Então...tenho quase certeza que é do Charles."
"Como pode ter tanta certeza?", ela me olhou desacreditada.
"Antes de ficar com esse cara, eu transei com ele, lembra? E agora não consigo lembrar se usamos preservativo. Acho que não, eu estava um pouco bêbada naquele dia, por isso não lembro de muitos detalhes."
"Você precisa dizer isso a ele."
"De jeito nenhum! Provavelmente Charles nem vai acreditar."
"Mas, Luiza, ele é o pai do seu filho. Mesmo que não acredite, precisa arcar com as consequências."
"Ainda não estou pronta para contar isso..."
"Se eu quiser, eu posso...", me interrompeu.
"Não. Me promete que não vai se envolver nisso e nem dizer para ninguém", hesitei. "Bianca, por favor", juntou as mãos implorando.
"Tudo bem, mas espero que você diga logo."
"Obrigada ", suspirou. "Eu só queria desabafar, é horrível tentar esconder os enjoos da titia, ela é como uma águia".
"O que você disse pra ela?"
"Infecção intestinal é claro, eu precisava de uma boa desculpa pra passar 60% do meu tempo trancada no banheiro"
"Luiza você precisa..."
"Pode parar de dizer o que eu preciso ou não fazer?"
"Desculpe"
"Não...me desculpa você, eu sei que quer me ajudar, mas parece que a minha cabeça vai explodir", Luiza suspirou novamente e continuou."Eu só não sei o que fazer, Bianca. Estou assustada, perdida."
O que eu posso dizer a ela?
Não encontrei nenhuma resposta boa o suficiente então apenas a abracei.
"Vai ficar tudo bem ", murmurei.
"Obrigada".
...Charles Biancardi:...
Devo ter enlouquecido ao me deixar enganar e desembolsar quinze mil por um único dia de operação daquela lanchonete de esquina.
E tudo isso por ela...
Meus olhos se fixaram na estátua da Deusa Têmis na minha mesa; podia jurar que ela me julgava por ter feito isso.
Retirei-a da mesa e a escondi em uma gaveta, cobrindo-a com alguns papéis.
"O que a pobre estátua te fez?", perguntou Analu, se aproximando da minha mesa.
"Nada, eu só precisava de mais espaço", menti, desviando a atenção para um documento qualquer.
Analu se aproximou e sentou no meu colo.
"O que está fazendo?", perguntou, analisando o documento. "Esse já foi anexado", disse, desviando a atenção do papel e depositando um beijo no meu pescoço.
"Nós precisamos trabalhar", falei, e ela se voltou para mim, me beijando, rebolando sutilmente no meu colo.
"Tem certeza?",perguntou em um sussurro.
"Tenho", ela afastou o rosto do meu tão rápido que quase foi parar no chão.
"O que você tem?", perguntou.
"Nada, eu só não quero transar agora", me olhou incrédula.
"Eu fiz alguma coisa errada?", havia um brilho de choro em seus olhos.
"Não, você não fez absolutamente nada de errado"
"Então, por que não transou comigo desde que voltou?", sua voz saiu quase inaudível. Até mesmo me perguntei se ouvi corretamente
"Como é?", perguntei confuso.
"Eu senti muito a sua falta", me abraçou.
"Analu, eu..." tentei afastá-la.
"Eu gosto de você, Charles", se declarou e me beijou. Sem esperar afastei meu rosto do seu.
"Por favor, se levante", mandei.
E ela saiu do meu colo; pelo seu semblante animado, parecia pensar que eu a foderia. Mas murchou quando comecei a falar.
"Quando você veio trabalhar como minha secretária, eu falei que não deveria se apaixonar por mim porque...", me interrompeu.
"Você não se apaixona por ninguém", deu uma risada amarga.
"Exato."
"Não sente nada por mim?"
"Não."
"E por outra pessoa?"
Detesto quando me fazem esse tipo de pergunta; se fosse para discutir meus sentimentos, com certeza procuraria uma psicóloga.
Então apenas ignorei.
"Vamos voltar ao trabalho", peguei um documento. "Este precisa ser anexado ao..." ela tomou o papel da minha mão e o amassou. "Lixo", completei vendo a bolinha de papel cair no chão.
"Por que não respondeu à pergunta?".
Inferno.
"Porque é idiota, eu sou incapaz de sentir algo por alguém", respondi irritado.
"Eu não posso mais trabalhar aqui", murmurou, tirando o crachá e o jogando com força na mesa.
Parecia esperar que eu dissesse algo, então eu disse:
"Nesse caso, vou pedir para enviarem suas coisas amanhã de manhã."
Dito isso, ela saiu da sala furiosa.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
Jaqueline eu também acabei de ler, não sabia da existência desse,mas tudo bem, são ótimos
2025-03-14
0
Jaqueline Silva
bha eu sei quem é o pai .mas não posso dizer .pois já li o livro da Luiza .
2025-03-12
0
Ielma Cristina Ferreira Rodrigues Ielma Rodrigues
Não acredito que o filho seja do Charles. Desconfio até dessa gravidez. Não sei porquê Luíza não passa confiança.
2024-09-28
2