...Charles Biancardi:...
Assim que cheguei ao meu apartamento, a primeira coisa que fiz foi tomar um banho. Ao terminar, coloquei um roupão cinza e peguei meu smartphone para verificar as dezenas de milhares de mensagens. A maioria delas começava com: 'Oi, gato, lembra de mim?', as outras eram de Diego, André e Bruno, meus amigos de farra, me convidando para boates ou querendo me apresentar alguma mulher que pudesse me interessar.
E, sinceramente?
O que mais quero neste momento é foder; nunca fiquei tanto tempo sem ter contato com o corpo de uma mulher.
Sinto que estou me tornando um monge.
Decidido a relaxar, abri uma boa garrafa de vinho e enchi uma taça pela metade. Caminhei até a varanda do meu apartamento, observando a noite escura e as várias luzes da cidade - uma ótima vista, aliás.
"Será que estou sendo castigado por chamar o Gael de monge?", questionei ao olhar para o céu.
Meu celular começou a tocar, me dando um leve susto. Depositei a taça intocada em uma mesinha.
"É o Gael", murmurei ao observar o visor. "Devo interpretar isso como um sinal?" perguntei a Deus novamente, levando o smartphone ao ouvido.
"Charles, preciso de um favor", começou.
"Gael, acabei de abrir uma garrafa de Piagentini", reclamei.
"Só achei que deveria te avisar que estou indo com Sophie até a mansão dos Biancardi."
"Como assim vocês estão indo até lá?", perguntei confuso.
"Silas veio até aqui enquanto estávamos na casa da dona Casilda. Quero esclarecer as coisas com ele de uma vez por todas e descobrir o que tanto quer com Sophie."
"Eu estou indo."
"Obrigado, e... desculpe", desliguei o smartphone e fui vestir uma roupa.
...[...]...
Cheguei à minha antiga casa em poucos minutos, justo a tempo de ver Gael e Sophie na frente da porta, que havia sido recém aberta pelo mordomo, o bom e velho Arturo, com sua face mal-humorada e seu coração de manteiga.
"Cheguei", falei, me aproximando deles.
Assim que Arturo olhou para mim, fiz uma pequena continência, e ele abriu um sorriso, parecendo animado.
"Charles", me deu um abraço rápido. "Já faz quase um ano que você não aparece por aqui."
"Não é como se eu fosse bem-vindo", ainda mais agora que Silas me proibiu oficialmente de vir aqui. "Agora deixa meus amigos entrarem, Arturo", pedi, e ele permitiu nossa entrada. "Cadê o Silas?"
"Deve estar terminando de jantar com sua mãe e irmã."
Claro... quase esqueci dos nossos clássicos jantares em família que ele sempre me obrigava a participar.
"Vamos atrapalhar, vem", convidei, e logo começamos a caminhar pelos grandes corredores até chegarmos na sala de jantar.
"Oi, família", cumprimentei a todos que estavam na mesa, e me sentei em uma das cadeiras vazias.
Com a boa e velha intenção de perturbar o meu amado 'papai', peguei um prato para me servir. Mas desisti de provocá-lo ao ver que todos estavam me encarando, inclusive Gael e Sophie.
Mas o olhar que mais chamou minha atenção foi o da minha mãe. Já faz quase um ano que não a vejo, e nem queria vê-la agora. Guardei um certo ressentimento por ela e pelo amor doentio que tem por Silas.
"Ah, é verdade! Não estamos aqui para comer. É uma pena, a comida da Isadora é incrível", talvez seja a única coisa que senti falta daqui.
"O que você faz aqui, seu moleque?", Silas se levantou irritado. Pensei que ia jogar um prato em cima de mim; por sorte, descontou sua fúria em um guardanapo, lançando-o com força na mesa.
Sério que a intenção dele é me assustar?
Levantei-me também, com um sorriso sarcástico, e fiquei exatamente de frente para ele. Os olhos da minha mãe pareciam preocupados, mas nem me atrevi a pensar que essa preocupação era dirigida a mim.
"Eu vim aqui porque quero muito saber o que você quer com a esposa do meu amigo", inclinei a cabeça na direção de Gael, que ainda estava na porta com Sophie.
Ele pareceu perder as palavras quando seus olhos os alcançaram. Talvez tenha pensado que pudesse provocar Gael sem consequências. Surpreendi-me quando Silas começou a caminhar na direção de Sophie, parecendo fascinado.
"Filho, por que os trouxe até aqui?", perguntou minha mãe, mas a ignorei, continuando a observar a cena esquisita.
"É você...", disse Silas frente a frente com Sophie.
Gael sutilmente o empurrou ao entrar na frente de Sophie de forma protetora.
'isso vai ser divertido', pensei.
"O que você faz na minha casa?", ele rosnou irritado.
"Você foi até a minha primeiro", embora parecesse tranquilo, sei bem que Gael também não estava nada feliz com tudo isso.
"O que está acontecendo, Daddy?", Jéssica se levantou da mesa e tentou se aproximar deles, mas estendi a mão a impedindo de continuar.
"Jéssica, não se envolva", mandei.
"Eu quero uma explicação, agora, Charles!" berrou minha mãe irritada, provavelmente porque a ignorei antes.
"Silas tem um cadáver escondido, e ele vai desenterrar agora", dei um sorriso satisfeito quando ele me lançou um olhar mortal. "No outro dia na empresa, o senhor me disse que logo nós iríamos descobrir, o 'logo' chegou, Papai", zombei.
"O que você quer comigo e com o meu avô?", Sophie, que havia ficado em silêncio, se pronunciou pela primeira vez.
"Santo Deus, até a voz é parecida", Silas parecia incrédulo, dando um ar de suspense desnecessário.
"Sem charadas", cortei seu drama. "Eu nem jantei ainda."
Todos ficamos em silêncio, esperando uma resposta lógica.
"É ela, não é, Silas?", diante do silêncio dele, minha mãe se pronunciou com um tom acusatório, e todos nós olhamos para ela. "Essa mulher é sua filha com aquela vagabunda", cuspiu as palavras com mágoa.
Filha? Essa sim é uma revelação e tanto. Espera aí... se ela é filha dele também, Sophie é minha irmã?
"Fala a verdade, seu cachorro!" Embora parecesse irritada, tenho quase certeza que daqui a pouco estará nos braços dele de novo, por isso não dei importância ao seu show.
"Eu não imaginava que o cadáver era real", comentei humorado.
"Daddy, mamãe está errada, não é?" Jessica quis se aproximar novamente, e eu não a impedi.
"Eu admito. Você é minha filha, e Karl também", falando nesse tom manso, percebo que ele daria um ótimo ator.
"Ixi, tem outro", o comentário era só para mim, mas saiu mais alto que o esperado, e todos começaram a me encarar. "Agora que o mistério foi revelado, eu vou jantar. Com licença, senhoras e senhores", saí em direção à cozinha.
Quando entrei, vi a cozinheira, Isadora, guardando os talheres.
"Senhor Charles!", a mulher gordinha veio na minha direção, me dando um abraço apertado.
"Espero que tenha sobrado comida para mim, estou morrendo de fome."
"É claro que sobrou", caminhou até o fogão.
Arturo entrou na cozinha também.
"Veio me dar os parabéns pela minha nova irmãzinha?", perguntei a ele.
"Não só por ela, lembre-se que há outro."
Não acredito que aquele projeto de bandido é meu irmão também.
"Você não precisava me lembrar dessa tragédia", murmurei com desgosto e ele riu. "Me faz um favor?"
"Claro, como posso ajudar?"
"Pega uma garrafa de vinho no meu antigo quarto."
"Qual?"
"Qualquer uma, menos o Romanée-Conti 1945." Ele assentiu, saindo da cozinha.
Em poucos minutos, Arturo retornou. Ao que parece a conversa na sala de jantar foi bem demorada, tive até tempo para jantar, e agora estou degustando o vinho.
"Acho melhor você retornar para lá agora", disse Arturo.
"Porque?", assim que fiz a pergunta, ouvi um berro de Jéssica:
"Mãe!"
Sem pressa, sai da cozinha e caminhei até a sala de jantar com a taça na mão.
"O que eu perdi?", perguntei, observando minha mãe sentada no chão com seu cabelo sob o rosto e Jéssica ao seu lado.
"Papai bateu na mamãe", disse Jéssica.
Prometi a mim mesmo que não me envolveria caso algo assim acontecesse. Acho que já aprendi minha lição.
Na última vez que estive aqui, há quase um ano, Silas estava bêbado e batendo nela, algo que já deveria ter se tornado normal para mim. Mesmo assim, tomei a liberdade de revidar nesse dia, chegando a bater muito nele, me lembro perfeitamente que ela me acertou com algo para ajudá-lo. A pancada na cabeça que recebi foi forte, o que deu vantagem a Silas sobre mim. Fiquei frustrado quando comecei a apanhar, e ela não fez nada para me ajudar.
Me senti como o mesmo menino estúpido de seis anos que tentava ajudar a mãe e ela o repreendia por se meter. Depois desse dia, desisti dela, e entendi que essa é a vida miserável que escolheu, espero que viva assim para sempre.
"Vocês já estão indo?", perguntei, ignorando o olhar apelativo de Jéssica. Gael assentiu. "Eu vou com vocês", comecei a caminhar pelo corredor em direção à porta ansioso para sair daqui.
"Aquele homem bateu na sua mãe, você não vai fazer nada?", perguntou Sophie indignada.
Senti um pouco de raiva dela nesse momento.
"Ainda não estamos prontos para ter essa conversa de irmãos", adverti. "Com todo respeito", acrescentei, terminando de beber o vinho em um gole só e entregando a taça para Arturo. "Agradeça, Isadora, a comida estava ótima." Arturo assentiu, e eu disse apenas um 'até logo' para Gael e Sophie.
Caminhei até meu carro e adentrei o mesmo, sem perder tempo comecei a dirigir rapidamente.
Meu plano?
Voltar para o meu apartamento.
O que realmente aconteceu?
Não percebi quando mudei o trajeto e vim parar justamente na frente da casa de Bianca. Quase como se o meu carro tivesse criado vida e me trazido aqui por conta própria.
Peguei um cigarro e saí do veículo. Após acendê-lo e dar a primeira tragada, me encostei no carro e voltei minha atenção para a casa novamente. Notei uma pequena sombra sentada na calçada e, ao me aproximar, percebi que era Bianca.
O que ela faz aqui? Já são 23:22, ela é doida de estar na rua sozinha a essa hora? Me aproximei, pronto para chamar sua atenção, mas parei quando ouvi um soluço.
Ela está chorando?
Comecei a andar em sua direção com mais cautela.
...Bianca Santana:...
Hoje, Karl veio até minha casa. Ele apareceu bem tarde, e nós ficamos conversando por muito tempo, sentados na calçada.
Contei a ele algumas coisas sobre Sophie e fiquei feliz quando me disse que estava trabalhando. Não consegui conter a curiosidade e perguntei a ele sobre a namorada. Ele ficou confuso, e eu falei que os vi no mercado; Karl apenas riu e disse que eram amigos.
Mesmo assim, me afastei quando ele quis me beijar, com raiva disse coisas horríveis, suas palavras ficaram gravadas na minha consciência:
'É por isso que eu não te levo a sério, sabia? Fica fazendo cu doce por tudo, todas as garotas daqui sabem se divertir, é só você que fica com esse lacre na boceta.'
Dei um tapa forte no rosto dele e o expulsei.
Eu não quis entrar em casa porque não queria que minha mãe me visse chorar de novo. Em vez disso, fiquei chorando do lado de fora como uma idiota.
Enquanto estava com a cabeça curvada, senti um cheiro horrível de cigarro e vi uma sombra cobrindo meu corpo. Sem pensar duas vezes, acertei um soco no elemento.
Me assustei quando Charles deu um urro e caiu de joelhos na minha frente.
Eu havia...
MEU DEUS!
Eu dei um soco nas partes íntimas dele!
"Chama uma ambulância", sussurrou, quase tocando a calçada com a testa.
"Eu sinto muito", murmurei, me levantando e procurando meu celular nos bolsos. "Meu celular tá lá dentro", me lembrei de tê-lo deixado sobre a mesa.
Antes que eu começasse a andar na direção do portão, Charles segurou meu pé, me impedindo de continuar.
"Não vai não", pediu. Sua voz foi quase inaudível.
"Mas e a ambulância?", se levantou com dificuldade, fazendo cara de dor.
"Acho que o Charles Junior vai ficar bem", disse, respirando fundo.
"Charles Junior?", repeti confusa e o acompanhei quando ele desceu os olhos para a parte central de sua calça. "Que nojo. O que você faz na frente da minha casa afinal?", ele estreitou os olhos para mim.
"Você quase quebrou meu pau, não pode ser mais gentil?", involuntariamente, desci meus olhos novamente, me perguntando se realmente foi tão sério como ele fez parecer. "Eu quis dizer gentil comigo, mas se quiser ser gentil com ele também eu não vou reclamar", se eu não tivesse o acertado antes, agora eu certamente daria um tapa nele.
"Você é um idiota", falei com a intenção de adentrar minha casa, mas ele segurou meu braço.
"Eu não quis... me desculpe."
"O que você veio fazer na minha casa a essa hora?", perguntei desconfiada.
"Eu não ia bater na sua porta agora, só vim até aqui e te vi aí sentada na calçada... poderia querer conversar", ele me ouviu chorando, que vergonha.
"Eu não quero conversar."
"Não falei de você", Charles se afastou um pouco e se sentou no mesmo lugar em que eu estava antes.
Pensei em adentrar minha casa e deixá-lo sozinho, mas... e se ele realmente quiser conversar?
E o que eu tenho a ver com isso? Nada.
Exatamente. Quando toquei o portão para entrar, meus olhos foram na direção dele. Charles usava uma camisa social cinza e uma calça da mesma cor, parecia um homem muito elegante para estar sentado em uma calçada. Sorri com o pensamento e, contrariada, caminhei em sua direção e me sentei ao seu lado.
"Pensei que você ia entrar."
"Eu deveria...", falei observando seu cabelo bagunçado, até ele virar o rosto fazendo nossos narizes se tocarem.
Me afastei um pouco, evitando o contato físico.
"Você, tá bem?", perguntei.
Charles retirou um cigarro do bolso, mas antes que o acendesse, segurei sua mão.
"Eu tenho asma, não consigo respirar direito com o cheiro de cigarro. Se você acender, eu vou precisar entrar", comentei.
Seus olhos encararam os meus, e ele quebrou o cigarro ao meio e o jogou para o lado.
"Você me perguntou como eu estava, por que fez isso?"
"Educação."
"Mesmo?", assenti.
"Por qual outro motivo eu ia querer saber como você está?", ele sorriu de lado.
"Talvez estivesse preocupada comigo...", o interrompi.
"Eu não estou", falei rapidamente.
"Assim como me preocupei com você quando vi que estava chorando", concluiu.
"Não vou desabafar com você."
"Eu não sou o tipo de homem que oferece o ombro para uma mulher chorar, Bianca", disse, olhando nos meus olhos.
"Porque está me dizendo isso?"
"Eu não sou esse tipo de homem, mas estou aqui e, por coincidência, tenho um ombro largo. Se você quiser chorar, eu não vou dizer e nem fazer nada, só vou ficar parado", senti um nó se formar na minha garganta.
"Não preciso, mas... obrigada", fingi um bocejo para poder entrar e não correr o risco de ceder e começar a chorar no ombro de um estranho como um bebê.
"Você deveria entrar", disse, se levantando.
"Eu vou", me levantei também e comecei a caminhar até o portão.
"Boa noite, Bianca."
"Boa noite...Charles."
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Atualizado até capítulo 70
Comments
F Valeria Feliciano
eu chamava o pau do meu marido tbm de jr! ate minha filha começar a namorar e casar com um rapaz chamado junior.. kkkkkkkkkkk
2025-03-24
0
Ana Lúcia De Oliveira
Charles junior foi hilário kkkkkkkk kkkkkkkk
2025-03-14
0
Jaqueline Silva
ela está muito chata ...
2025-03-12
0