Capítulo 18

Eles almoçaram todos juntos, Nádia parecia estar mais solta, menos amedrontada diante de Diego. Eles conversaram animadamente, Diego contava suas vitórias contra a polícia, Nádia por sua vez nunca gostou do mundo do crime, mas escutava atentamente.

— Sua comida é muito boa.

Comentou ele, deixando-a vermelha imediatamente. Ela sorriu levemente, tentando não transparecer que estava envergonhada, a verdade era que nunca havia recebido elogios antes. Alessandro sempre a desprezava e diminuía, dizia que Nádia não sabia fazer nada direito e que sua comida era lavagem. Ela se lembrou disso imediatamente, pensou que talvez Diego estivesse apenas a elogiando por cortesia, que sua comida poderia não ser bia de verdade, como Alessandro sempre dizia.

— Obrigado.

— Eu amei a carne, o tempero que você colocou deu um sabor diferente. — Ele tirou o osso da boca.— Sério, quando há uma mulher na casa é muito diferente, quando estou sozinho só coloco sal e olhe lá!

Eles riram. Diego observou seu riso tímido, seus olhos pequenos que quase se fechavam quando ela sorria. Ela era linda.

— Eu só coloquei tempero baiano e pimentão.

— Nossa! Isso que é comida.

— Eu também gosto da comida da minha mamãe.— Falou Aline. — Mas o pai sempre dizia que era muito ruim. Não é, mamãe?

O sorriso de Nádia se desfez. Ela encarou a filha com uma dor no peito, por mais que quisessem esquecer o passado, sempre estariam ligadas a ele. Também tinha o medo de um dia esse homem voltar. Nádia sabia que isso um dia iria acontecer, só não sabia quando iria ser e teria que estar preparada para isso. Diego percebeu o constrangimento que a mulher sentiu ao ser citado o nome de seu abusador na mesa e decidiu mudar de assunto, era algo que Nádia iria gostar. Ele pegou em sua mão, chamando a atenção da mulher. Ela sentiu algo na mesma hora, mas ainda não sabia exatamente o que era, só sabia que pela primeira vez na vida se sentia atraída por alguém.

— Eu consegui um jeito de Alice e Melissa continuar indo a escola?

— Sério?

Ela se animou, queria mesmo que as meninas estudassem, que não fossem como ela, que teve que parar seus estudos. Nádia queria estar fazendo uma faculdade na idade em que estava.

— Sim, mas as meninas não podem ser descuidadas, por isso vou ter que colocar dois vapor meus na cola delas?

— Tipo seguranças?

— Isso. Você também já pode sair de casa e andar na rua, mas também terá um.

— Para quê tudo isso?

— Ainda não descobri quem está ajudando Alessandro e dando passagem para ele transitar livremente. Ele teve ajuda para fugir e até eu descobrir quem foi, terá que ser assim.

Ela parou para pensar, Diego tinha razão, enquanto Alessandro estivesse por aí, suas filhas corriam um sério risco. Ela não poderia nem imaginar em ver as meninas nas mãos de Alessandro, o que ele poderia fazer? Para se vingar de Nádia, poderia fazer de tudo. Ela respirou fundo, sentindo-se finalmente protegida.

— Obrigado.

Apenas agradeceu, não sabendo como retribuir de forma equivalente. Diego sorriu. Eles terminaram o almoço com o homem sempre elogiando cada sabor. Era uma comida simples, frango, arroz, feijão, salada de maionese e uma farofa. No entanto, era como se Nádia o tivesse feito voltar ao tempo em que morava com sua mãe e comia bem. Falando na mãe dele, ela havia comentado que iria voltar para o Brasil por uns dias e visitar o filho, Diego estava ansioso, pois já haviam quase dois anos que não a via e sentia muitas saudades. Ele chegou a conhecer seu novo marido, mas conviveu por poucos meses com ele, pois o homem logo conseguiu um visto permanente para a companheira em seu país e a partir daí, sua mãe se mudou e eles se comunicavam apenas por chamadas de vídeo. Nádia terminou sua refeição e foi logo colocando as meninas para tomar banho, enquanto isso, o grandão foi organizar tudo e lavar a louça. Ele começou guardando as comidas na geladeira, depois colocou os pratos na pia e então, quando estava com a mão na massa, Nádia apareceu. Ela parou, observando-o. Não esperava vê-lo, fazendo tarefas domésticas, Nádia tinha uma visão totalmente machista de homens, principalmente os que eram envolvidos no crime. Ela se aproximou, sentando-se no balcão atrás dele.

— Você lava louças?— Brincou.

— Nunca viu um homem lavando a louça?— Olhou-a por cima do ombro.

Ela deu de ombros, a verdade era que Nadia nao tinha experiência com homens, desde que fez doze anos de idade sua vida se tornou um inferno, pois nunca conseguiu escapar das mãos de Alessandro.

— Na verdade, o único homem que eu já vi fazendo serviço doméstico foi um ex da Bárbara. O único padrasto que tentou cuidar de mim, mas ela não deixou.

— E quem é Bárbara?

— Minha mãe.

Seu olhar se tornou vago. Diego queria mesmo entrar nesse assunto, queria muito saber seu passado, se aprofundar em assuntos nunca tocados antes, mas isso iria ter que ficar para outra hora, pois no mesmo instante as meninas adentraram o local.

— Mamãe, não estamos com sono!

— Mas vocês precisam dormir, Alice.— Nádia se virou para a filha.— Principalmente a Melissa.

— Por favor, deixa a gente brincar só mais um pouquinho.

A garotinha fez beicinho, Diego olhou no relógio, ele tinha mesmo que sair então teve uma ideia, caso Nádia autorizasse, claro.

— Não, não!— Ela se levantou. — Suba para o quarto e leve Melissa com você!

Alice deixou seus pequenos olhinhos lacrimejar. Diego sentiu uma pontada de dó naquele momento, ele estava querendo mimar as meninas, queria dar o amor de pai que elas nunca receberam antes. Quando Alice estava prestes a sair, ele se intrometeu.

— Na verdade eu tive uma ideia.— Nádia e Alice o encararam.— Eu tenho que ir na casa do meu amigo Felipe e ele te uma irmãzinha da idade da Alice. Que tal, se vocês forem comigo?

— Não sei...

— Seria bom, porque aí, as meninas brincam um pouco, se cansam e quando a gente voltar, colocamos elas pra dormir.

Nádia inclinou a cabeça. Aquilo tudo era novo para ela. A mulher sorriu levemente e concordou:

— Eu vou se me prometer que não vai demorar tanto.

— Não vou.— Garantiu.

Ele terminou de lavar a louça e logo estavam todos entrando no carro. As meninas foram acomodadas pela mãe no banco de trás. Nádia ia entrar ali também e ficar com elas, mas Diego abriu a porta do passageiro e a encarou.

— Senta na frente, comigo.

Seu coração palpitou um pouco mais forte. Ela sorriu e entrou. Não sabia porque estava pegando confiança no homem em tão pouco tempo, mas estava amando saber que Diego era totalmente o reverso de Alessandro. Logo estavam a caminho da casa de Felipe, Diego estacionou em frente a uma casa amerela com um pequeno muro na frente, acompanhado de um pequeno portão. Eles desceram do carro Nádia pegou sua filha mais nova no colo, acompanhando os passos de Diego, entrando na casa. A porta estava aberta, assim que entraram, deram de cara com uma menininha pequena, aparentava ter uns dez anos, ela foi correndo em cima de Alice, tentando fazer amizade. Também havia uma senhora e uma mulher que parecia ter a mesma idade de Nádia sentadas no sofá, assistindo, quando os viram, suas atenções foram logo voltadas para eles. A mulher mais nova se levantou e veio na direção dos dois.

— Diego!

Ela o abraçou e foi retribuída. Nádia observou a contragosto, sentindo um leve ciúme.

— Jéssica!— Eles se soltaram.— Deixa eu apresentar.— Segurou o ombro de Nádia.— Essa é a Nádia e essas são as filhas dela. A mais nova Melissa é a mais velha, Alice.

— Nossa, então você é a famosa Nádia?

Nádia apenas concordou com a cabeça, não entendendo o que ela quis dizer com "famosa". Ela recebeu um abraço logo em seguida vindo da tal Jéssica. A garota pegou sua filha de seus braços sem a sua permissão e foi logo elogiando a criança. Nádia se sentiu sem jeito, mas o olhar de Diego a fez entender que eram pessoas de bem. Diego se aproximou da mais velha e a beijou. Nádia fez o mesmo, aproximando-se.

— Essa é Maria, Nádia. Fique a vontade. Eu preciso falar com o Felipe.— Ele se virou para Jéssica.— Onde ele está?

— Lá no quarto. Suba lá e fale com ele, pode deixar que a gente trata muito bem essas lindas, aqui.

Jéssica sabia muito bem que seu irmão estava acompanhado no quarto, mas decidiu que queria que Diego visse com seus próprios olhos. Ela se sentou e fez Nádia se sentar também, enquanto isso, Jocelin e Alice brincavam em outro canto do cômodo. Elas logo começaram a conversar. Diego subiu as escadas, queria saber se o amigo estava bem e conversar sobre o que Felipe tanto queria lhe dizer. Ele estava animado, feliz que seu amigo estava se recuperando bem, Felipe era como seu irmão. Diego parou na frente do quarto, ouvindo uns gemidos. Juntou as sobrancelhas e balançou a cabeça, sorrindo, pensando que o amigo estivesse vendo vídeos pornô, o que não era muito a cara de Felipe. No entanto, a cena que ele viu quando abriu a porta foi outra.

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Comments

Nicce Vieira

Nicce Vieira

estou amando

2024-08-16

1

Sandra Cristina Melo

Sandra Cristina Melo

Estou gostando da história

2024-07-28

2

Vitoria Barbosa

Vitoria Barbosa

eita 😂😂😂

2024-06-06

1

Ver todos

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