Alguns anos antes:
— Pare com isso, por favor!
Diego acordou assustado mais uma vez com os gritos de sua mãe, ele não aguentava mais, cresceu vendo seu pai a agredir em sua frente e não podia fazer nada, pois era pequeno e muito mais fraco que ele. Adalberto muitas vezes ainda o incentivava a fazer o mesmo com a mulher por quem Diego se interessasse. No entanto, a verdade era que Diego não aguentava mais, ele iria dar um fim nisso antes que fosse tarde demais. O garoto correu para seu armário, onde guardava suas roupas. Adalberto era o dono do morro, sempre proporcionou a melhor vida que o menino e sua mãe poderiam ter, mas em compensação, a mulher era agredida diariamente. Hoje era seu aniversário de quinze anos e Diego havia dito que quando tivesse essa idade, iria matar Adalberto. Por diversas vezes ele tentou convencer seu pai a parar de agredir Celina, mas o homem não se importava com as ameaças do filho, pensava que o menino nunca seria capaz disso.
— Sua puta, desgraçada!— Ouviu um estalar, provavelmente um tapa no rosto de Celina.— Estava dando para outro de novo, não é? Mas dessa vez não vou te perdoar.
Diego enfiou a mão por debaixo de suas roupas, alcançando o revólver calibre trinta e oito. Logo colocou as balas e o colocou no cós de sua calça, escondendo-o. Diego caminhou até a saída de seu quarto, dando de cara com a sala de estar. Eles não estavam lá. Então o menino seguiu o barulho da discussão, encontrando Adalberto sobre sua mãe que estava inclinada na mesa da cozinha tentando tirar a mão de seu pai do seu pescoço. Ele a apertava, parecia que queria mesmo a ver morrer sufocada, Celina era magra e não tinha muita força contra Adalberto, que era um homem muito forte e alto. Diego também não tinha, era apenas um menino de quinze anos e apesar de já estar tomando forma de um corpo que seria parecido com o do pai, ainda não conseguiria o enfrentar de frente.
— Para com isso, pai!
Ele entrou na cozinha, gritando. Adalberto apenas olhou brevemente para trás e se voltou para a sua mulher novamente, apertando ainda mais.
— Se não quiser morrer junto com a sua mãe, acho melhor sair daqui agora. moleque.
Diego tirou a arma de suas costas e apontou para o pai. O garoto nem sequer sabia atirar direito, mas não ia deixar sua mãe morrer, ele destravou o gatilho, mantendo as costas de seu pai como alvo. Estava farto de ver sua mãe apanhar e levar culpa de uma traidora durante todo seu crescimento. Agora isso iria acabar.
— Eu mandei parar.
Adalberto se virou com o barulho de Diego destravando a arma. Ele encarou o filho apontando a arma em sua direção e parou de apertar o pescoço de Celina. A mulher segurou o pescoço com as duas mãos, tossindo e não perdeu tempo em sair de perto de seu marido.
— Vai atirar em mim, seu moleque?
— Eu vou sim.
— Filho, não faça isso.— Celina ergueu as mãos.— Vamos embora daqui e esquecer que esse homem existe, vamos viver longe dele.
— Venha para cá, mãe.
O tom de voz de Diego era desconhecido, Celina nunca o viu com tanta raiva, portanto apenas obedeceu o filho e caminhou para o seu lado. Com isso, Adalberto tentou ir para cima do filho, mas ouviu-se apenas um barulho, o tiro foi certeiro em seu peito. O homem estalou os olhos, encarando o filho.
— Você...
Adalberto não conseguiu terminar a frase, apenas caiu no chão, o coração parou de bater com o tiro certeiro. Ele estava morto. A verdade era que Diego apenas atirou porque se assustou, mas agora, pelo menos não iria mais machucar sua mãe.
...****************...
Diego adentrou sua casa silenciosa e vazia, observando tudo, com suas lembranças a mil. A casa estava impecavelmente limpa, ele havia pago uma moça que vinha todas as semanas apenas para fazer uma limpeza mais pesada, para quê conseguisse passar o resto da semana. Não, Celina não morava mais com ele. Ela havia se mudado para os Estados Unidos, depois de ter conhecido um homem muito bom, que cuidava dela e a amava. Eles se falavam com frequência e ela sempre se gabava de que era muito feliz, como nunca foi em toda a sua vida e especialmente neste mês sua mãe viria a visitar com o marido, pois já havia quase seis meses que não se viam. Ainda assim, as lembranças de seu pai e do quão mal lhe fazia, aos dois. Foi pensando nisso, que ele decidiu ligar para sua mãe, a fim de matar a saudade e ter um pouco de sua atenção. Celina logo atendeu.
— Oi, filho!
— Oi, mãe. Como está?
O homem jogou as chaves de seu carro na mesinha do lado do sofá e foi para a cozinha, colocou o celular em cima da bancada e ligou o viva-voz.
— Ah, filho, por aqui está tudo maravilhoso, como sempre. Gerald é perfeito.— Enquanto sua mãe falava, ele pegava refrigerante na geladeira e colocava em um copo.— Sabe, eu nunca imaginei que algum dia, eu seria tão feliz como estou sendo agora.
Ele respirou fundo, se aproximando do seu celular.
— Eu estava pensando nisso agora. Em tudo de ruim que passamos por culpa do Adalberto, todos os anos que sofremos nas mãos dele.
O outro lado da linha ficou mudo por um instante. Celina suspirou. Seu marido estava ao seu lado e a acariciava, tentando a manter calma. Não era muito bom pensar em um passado tão ruim quanto o que tiveram. Sim, ele entendia o português e além do mais o celular estava no viva-voz para ela também. Diego por sua vez, caminhava até a sala, se sentou no sofá.
— Não, meu filho. Não pense nisso.— Ela sorriu, mesmo sabendo que o filho não poderia ver o seu sorriso.— Pense que estou feliz agora.
— Sim, mamãe.— Bufou, pensando imediatamente em Nádia.— Eu nunca deixaria ninguém fazer isso novamente no meu morro.
— Meu filho, sabe que não apoio isso. Você não deveria ter tomado o controle do morro. Você corre perigo a cada segundo de sua vida.— Os olhos dela se encheram de lágrimas nesse momento.— Oro a Deus todos os dias, pedindo para que Ele te proteja e que um dia possa deixar isso de lado. Você não nasceu para ser dono de um morro, Diego. Você merece coisa muito melhor. Como por exemplo, o seu sonho de se tornar médico...
Celina não terminou sua frase quando de repente, um corpo se jogou por cima do seu e os lábios se grudaram aos seus, de uma forma rápida. Ele não conseguiu fechar os olhos, observava um rosto com a boca colada na sua, enquanto seus cabelos esvoaçavam ao redor. Com o susto, Diego pegou a arma que sempre andava no cós de sua calça e empurrou o corpo para longe, apontando a arma em sua direção, se levantando.
— Ai!
A pessoa gemeu com o impacto de seu corpo contra o chão, ela logo se virou para o encarar. Diego olhou para seus olhos, reconhecendo-a na mesma hora. Celina escutou o barulho e preocupou-se.
— Que barulho foi esse?— Levou a mão no peito.— Diego, você está bem?
— Kellie?— Guardou a arma.— O que está fazendo aqui?
— Me ajude a levantar, Diego!
Ele então pegou seu celular, para se despedir de sua mãe. Sabia que ela ficaria muito preocupada, mas mais tarde explicaria que uma louca entrou em sua casa sem ser convidada e o beijou a força. Celina sabia quem era Kellie, mas só por ouvir falar, pois uma vez Diego comentou que pensava em ter algo sério com a mulher, mas por algum motivo que não quis contar a ela, desistiu.
— Mamãe, eu tenho que ir.
— Não, meu filho.— Celina insistiu.— O que aconteceu?
— Nada, foi Kellie que apareceu aqui em casa. Mais tarde eu te ligo, tá bom?
— Ok, meu amor.
A chamada fora encerrada.
— Não vai me ajudar a levantar, Diego?
A voz de Kellie atingiu seus ouvidos, fazendo-o lembrar de sua existência. O homem imediatamente a ajudou a levantar, a apoiando e a fez se sentar no sofá, sentando-se ao seu lado. Estava preocupado, não sabia porque ela estava em sua casa, na verdade não esperava por isso, pois estavam separados a alguns meses. Kellie vivia pedindo reconciliação, mas Diego não a queria mais, então, por algum tempo ela parou, fazendo-o pensar que finalmente tivesse o superado, mas agora estava aqui novamente.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Nicce Vieira
amo dono do moro sendo herói
2024-08-16
1
Maria Goreth Gomes da Silva
Estou gostando mto desta história mais este cara tem q morrer cachorro aí q raiva dele espancar a mulher mais eu acho q está Lello vai dar trabalho tbm
2024-06-18
3
Vitoria Barbosa
meu deus 🤯
2024-06-01
0