"Mamãe nunca gostou muito de mim, desde que me lembro, ela só soube me maltratar ou fazer de conta que não existo. Até meus dez anos ainda tive um homem que gostava de mim, ele era meu padrasto, mas considerava-o como um pai. Depois de alguns anos conturbados ele decidiu se separar e tentou me levar com ele, para terminar de me criar, mas minha mãe o acusou de sequestro e conseguiu o colocar dentro de uma prisão. Fazem dois anos que isso aconteceu. Agora estou aqui, dentro do carro de um homem que nunca gostei, ele tem morado junto conosco há dois meses, é meu novo padrasto, me olha estranho e parece ser uma pessoa muito má. Estou em silêncio, estamos voltando da escola, hoje o dia foi tão bom que não queria voltar para casa, como todos os outros, pois só aqui encontro paz. É o unico momento que consigo rir e ser feliz de verdade. Infelizmente essa paz acaba exatamente às 12:39 horas.
— Como foi seu dia, pirralha?
Ele coça minha cabeça, como uma tentativa de descontração. Enrugo o nariz, odeio quando me toca. Alessandro é mal, vejo em seus olhos que não quer o meu bem. Bufo, olhando para o lado de fora da janela, não parece o caminho de casa. Deve estar fazendo um caminho diferente hoje.
— Normal.— Respondo apenas.
— Que bom.
Ele vira outra rua e então, vejo uma placa de "boas-vindas", meu coração dispara, minha garganta se fecha. Me viro para ele, que não me encara, mas da um sorrisinho enquanto dirige. Esse homem é nojento. Sinto um medo inexplicável, quero sair desse carro, me viro para a maçaneta da porta e a puxo com força, mas vejo que está trancada. No mesmo momento Alessandro segura meu braço com tanta força que faço uma careta de dor. O que está acontecendo? Cadê minha mãe? Por que estamos em outra cidade?
— Está me machucando, me solta!— Ele me solta.— Onde estamos indo? Cadê minha mãe?
— Sua mãe não liga mais para você, ela te vendeu para mim.— Ele começa a rir desenfreadamente. — Por míseros quilos de drogas!
— Como assim?
Não entendo, como assim me vendeu? O que esse cara vai fazer comigo? Para onde está me levando? As lágrimas descem por meus olhos, cada vez mais frenéticas, sinto um aperto no perto, uma sensação de que algo muito ruim está prestes a acontecer, mas tento manter a calma. Caramba! Eu sou apenas uma criança de doze anos assustada dentro do carro de meu padrasto que sempre me olhou estranho desde que entrou em nossas vidas. Eu sei que minha mãe não é a melhor mãe do mundo, mas ela não seria capaz de me deixar nas mãos de um homem como Alessandro. Ela vai vir me buscar, eu sei que sim.
— É exatamente o que você ouviu, você é minha agora, pirralha.
Sinto mais uma pontada no peito.
— O que quer dizer com isso?
— Vai entender em breve.
— Para onde estamos indo?
Ele acelerou um pouco mais, olhei em seu rosto, percebendo que estava sob os efeitos de entorpecentes, minha cabeça começou a girar e eu fiquei enjoada como em todas as vezes que me sentia nervosa. Levei uma das mãos no estômago, tentando conter a sensação de que a qualquer momento iria vomitar. Fechei os olhos.
— Vamos para casa.
— Mas nossa casa não fica por aqui.
— Vamos para a nossa casa!
Ele ficou em silêncio após soltar um sorriso. Depois de alguns minutos dirigindo, ele finalmente foi perdendo e perdendo a velocidade. Olhei pela janela, era uma comunidade como a que moro com minha mãe e ele. Alessandro estacionou o carro, descendo e tirando a chave da ignição, ele deu a volta no carro e abriu a porta, se inclinando e ficando cara a cara comigo. Gelei na mesma hora, apenas o encarava, sem conseguir sequer piscar.
— Escute. Você vai entrar naquela casa— Apontou.— em silêncio, está me ouvindo? Não vai dar um pio, para todos aqui você é minha filha, viemos da Bahia para cá e estamos só de passagem. Entendido?
Apenas balancei a cabeça e ele Resmungou um "certo", pegou no meu braço e saiu me arrastando para dentro do que ele chamou de casa. Era feio, pequeno, havia um cômodo apenas e uma porta que provavelmente daria no banheiro. Um ambiente vazio e fedorento, o lugar cheirava a comida estragada, tinha suas paredes mofadas e úmidas, era extremamente quente. Sei que não tinha a melhor vida ao lado de minha mãe, mas isto? Socorro.
— Bem-vinda a sua nova casa.
Trancou a porta e caminhou tranquilamente até o colchão velho e sem lençol, me deixando estagnada como estava. Se jogou lá e soltou o ar com toda a força, ignorando minha existência.
— Quero falar com a minha mãe.
Alessandro ergueu levemente a cabeça para me encarar.
— Aquela puta já deve ter tido uma overdose.
Voltou ao seu estado inicial, fechando os olhos e colocando os braços abaixo de sua cabeça enquanto estava com a barriga para cima, como um travesseiro. Minha respiração falho, engoli seco, tentando manter a calma, pois se me alterasse apenas um pouco, poderia levar uma surra como já havia apanhado antes quando Alessandro apenas deduziu que eu havia gritado.
— Por favor.
— Você não vai desistir, não é?— Mantive o silêncio.— Pois bem!— Sacou o celular do bolso e se sentou.— Venha cá.
Digitou algo é logo estava chamando, então eu me aproximei e peguei o aparelho de suas mãos, levando a orelha.
— O que você quer, Alessandro?
— Mamãe? Onde a senhora está? Vem me buscar.
Ficou em silêncio por alguns segundos, eu já sentia o nó em minha garganta, algo apertar. Respirei fundo, tentando conter o choro.
— Não dá, Nádia.
— Mamãe, por favor. Eu estou com medo.
— Eu sei.— Bufou.— Eu sei que vou me arrepender disto pelo resto de minha vida, mas não posso mais voltar atrás. Me desculpe.
Eu já não consegui mais conter o choro, o desespero. Minha mãe estava mesmo me vendendo para um homem mal caráter. Olhei em seu rosto, ele tinha uma Express de vitória junto com um sorriso maldoso. Aquele era o começo do meu pesadelo, o momento que começava o inferno em minha vida e senti exatamente isso quando o encarei. Apesar de saber que minha mãe não queria mais saber de mim e que me trocou por drogas, eu ainda não sentia ódio por ela, não naquele momento, eu ainda tinha esperanças de que ela voltaria atrás de que iria consertar seu erro e finalmente se tornaria uma boa mãe. Meu coração me enganava a cada batida. Antes de desligar, consegui ouvir alguns soluços do outro lado da linha e só então percebi que estava presa a ele para sempre, que Alessandro estava prestes a cometer atrocidades comigo e não havia como escapar.
— Somos eu e você agora. — Ele disse.
...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...
Nota da autora:
Oi, galerinha. Desculpa a demora para atualizar, eu não esperava uma repercussão tão grande, estava publicando ao meu tempo, pois ainda não tinha nenhum leitor. Do nada entro aqui e vejo uma chuva de leitores, obrigado. A partir de hoje as publicações serão frequentes. Muito obrigado, estou muito feliz com o apoio de vcs!
Até a próxima.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Vitoria Barbosa
mais autora postar mais mulher atualizar o capítulo 🥰
2024-06-01
4
Tânia Campos
Não pare minha querida,
Seu livro é muito.bom,
Se você não dá valor ao seu trabalho,
Quem irá dá?
Olha, estou amando seu livro,
Continue, não pare!!!!
Estamos juntas com você!!!!
Bjs
💋💋💋
2024-01-09
3
Neide Naura
continue,estou gostando, vá em frente autora
2023-12-16
1