Diego não foi até lá, mas mandou um carro para buscar Felipe no hospital. Ele estava agora, saindo da cadeira de rodas que era procedimento médico para pacientes, mesmo que pudessem andar, e indo até o carro preto estacionado bem em sua frente. Jéssica já estava em casa, preferiu não ficar perto de Kellie, ela nunca gostou dessa mulher e sempre que podiam, brigavam nos bailes por aí. Jéssica estava indignada que depois de tantas coisas erradas que viu Kellie fazer por aí, agora estava atrás de seu irmão e não era por gostar dele, provavelmente iria o usar para alguma coisa e Jéssica iria descobrir. Ele tentou abrir a porta do carro, mas Kellie não deixou, solícita, abriu.
— Entre.— Ela disse.— Não pode se esforçar, querido.
— Você vai ver o que é me esforçar quando tivermos nosso momento.
Ele riu. Entrou no carro, Kellie deu a volta e se sentou ao lado dele. Não imaginava Felipe a satisfazendo, imaginava que ele era o tipo de homem que gozava rápido. Quase revirou os olhos com sua fala. O carro deu partida.
— Acho melhor me deixar em minha casa.
Eles se encararam.
— Por quê?
— Sua irmã não gosta muito de mim e não quero problemas.
— Minha irmã não tem que gostar de quem eu gosto, mas tem que respeitar. Nós queremos ter um lance e é assim que vai ser, Jéssica só tem que respeitar e se calar. — Passou o braço em volta de seu pescoço.— Relaxa, tá suave.
— Tem certeza?
— Mas é claro!
O resto do caminho foi em silêncio. Kellie sentiu algo estranho em seu peito quando ouviu Felipe a proteger daquela maneira de sua própria irmã. Os homens não costumavam ser assim, mas ela decidiu não demonstrar que havia gostado da atitude, afinal, seu objetivo principal ali não era se apaixonar por Felipe. Eles finalmente chegaram na casa dele, o motorista desceu do carro e abriu a porta para Felipe enquanto Kellie desceu sozinha do carro. Ela se encaminhou para o lado dele e então entraram no quintal da casa. Caminharam mais alguns passos e estavam de frente para a porta de entrada, que estava aberta. Felipe fez sinal para que Kellie entrasse primeiro e foi logo após ela. Era uma casa simples, não era cheia de móveis chiques, era apenas uma casa comum, Kellie não se atentou aos detalhes, não era de reparar nas casas de outras pessoas. Mas ela reparou que havia uma menininha sentada na mesa, desenhando, de costas para eles.
— Jocelin?— Felipe chamou.
A menininha se virou com seus olhinhos arregalados, ao ver que era seu irmão, Jocelin desceu rápido da cadeira e correu na direção de Felipe, o abraçando.
— Fefê! Fefê! Fefê!
Ela gritava o apelido que atribuiu ao irmão. Jocelin era autista, mas ainda não havia sido diagnosticada por médicos, apenas os mais próximos e professores de sua escolinha sabiam. Uma criança de poucas palavras e poucas amizades, mas uma menininha muito alegre com quem se afeiçoava.
— Sou eu, gatinha.— Ele a pegou no colo com o braço que não estava machucado.— Sentiu saudades?
— Sim!
A menina respondeu agarrada ao pescoço de seu irmão. Felipe foi como um pai para a garotinha que perdeu o pai ainda muito jovem. Os três eram filhos do mesmo pai, mas Felipe perdeu-o para uma doença que odiava, uma das piores, era a mesma que agora havia acometido sua mãe, que se encontrava muito doente.
— Jocelin?— Falando nela, sua voz rouca ecoou.— Quem está aí?
A voz de Maria quase já não poderia ser ouvida, o câncer de pulmão a abateu muito. Ela apareceu na sala, se segurando nos móveis para não cair, quase não aguentava andar. Felipe se sentiu feliz por ver a mãe, mas ao mesmo tempo muito angustiado por a ver naquele estado. Ele temia a perder como perdeu o pai, que também morreu de câncer, mas não foi no pulmão e sim um tumor cerebral. Maria estava na fila do transplante de pulmão já fazia alguns meses. Ela tinha um balão de oxigênio no nariz, carregava-o como uma mala pata todos os lados que ia. Kellie sentiu uma forte angústia ao ver a mulher daquele jeito, se dando conta de que Felipe não era apenas o braço direito de Diego que pegava todas no baile e não assumia ninguém e que era louco por ela, ele também tinha suas tristezas e conflitos. tinha suas lutas. Ela sorriu ao ver o filho e tentou se aproximar.
— Felipe, meu filho.— Apoiou-se no braço do filho.— Você está bem?
— Estou mãe, sente-se.
Ele estava preocupado com sua mãe por muito tempo em pé, ela não poderia fazer os esforços que fazia no dia a dia, mas Maria era muito teimosa. Ela se sentou, logo Felipe colocou a irmã no chão e abraçou a mãe com seu braço bom. Kellie observou-a sentindo uma enorme dor no peito por ver a mulher naquele estado e com um turbante na cabeça. Ela estava magra e com a aparência de uma caveira, não haviam expectativas de vida.
— Mãe, quero que conheça a Kellie.
A mulher sorriu, se lembrando de tantas conversas que teve com o filho sobre esse nome e o quanto ele gostava da tal moça.
— Então você é a famosa Kellie?
— Felipe comentou muito sobre mim?— Brincou.
— E como!— Brincou ela.— Fique a vontade nessa casa querida, sinta-se como se fosse sua.
A mãe dele sempre foi cordial com as pessoas, Felipe sorriu. Nesse momento Jéssica chegou com um sorriso enorme ao ver o irmão, mas assim que seus olhos enxergaram Kellie, tudo mudou. Jéssica fechou a cara e cruzou os braços assim que a viu.
— Jéssica.— Sua mãe percebeu sua feição. — Cumprimente a moça.
— Oi.
Ela disse apenas, entrando pata seu quarto sem dizer mais nenhuma palavra. Não acreditava que passou todo esse tempo cuidando de seu irmão, para quê agora ele estivesse de quatro por outra, levando para casa e tudo. Será que não vê que é pura enganação? Pensou ela, batendo a porta de seu quarto. Ele se virou para Kellie.
— Não ligue, Jéssica é assim mesmo, daqui a pouco ela melhora.
Kellie apenas sorriu, não queria atrapalhar o momento com suas paranoias sobre a irmã de Felipe. Ele estava tão feliz conversando com sua mãe e brincando com sua irmã. Eles se sentaram todos no sofá, Maria a faz tomar de seu café que era muito saboroso. Kellie não tinha o costume de tomar café, mas o daquela mulher a fazia querer mais. Já Felipe aproveitou para matar a saudade da mãe, os poucos dias que passou longe dela foram como a eternidade. Kellie não percebeu, mas naquele momento, algo dentro de seu coração se quebrou, ela não queria mais vingança, apenas um homem bom como Felipe em sua vida.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Nicce Vieira
o homem assim é tudo ,naum tem preço, isso mesmo Kelli invista no Felipe
2024-08-16
2
Nicce Vieira
legal tomara que ela corresponda esse amor ao Felipe
2024-08-16
1
Vitoria Barbosa
que bom Deus abençoe que ela continue assim que ela mude 🙏🏻
2024-06-01
5