Diego saiu do hospital e foi direto para seu "escritório" para resolver seus problemas com os policiais. Acontece que eles queriam aumentar o suborno que recebia pata deixar o morro em paz, mas Diego não estava decidido a contribuir, pois os policiais já recebiam uma quantia muito alta. Chegando lá, já havia uma viatura estacionada na frente e homens de Diego se aglomeravam ali. Era uma forma de mostrar que qualquer ato contra deu chefe, eles não sairiam vivos. Antes de entrar, ele ouviu seu celular tocar, era Kellie. Ignorou a chamada e continuou seu percurso. Abriu a porta, vendo Jack, um velho gordo com uma tatuagem de escorpião no braço, sentado, tomando seu uísque. Diego trincou o maxilar e segurou um rosnado de raiva.
— E aí, Perigoso.
Ele pronunciou com desdém. Diego caminhou até a cadeira sem responder, com seu ar de superioridade. Se sentou.
— O que quer, Jack?
— Ah...— Ele fingiu pensar.— Acho que você já sabe. Preciso de um aumento, a frota aumentou, tenho que manter mais gente afastada daqui.
— Você é o capitão. Uma ordem sua e ninguém desacata. Pare de tentar me colocar na parede.
– Não, longe de mim, mas acho que você não quer uma guerra, não é? Não colocar os cidadãos inocentes em risco? Não é por isso que paga suborno?
O homem riu, levando mais um gole da bebida de Diego a boca. Diego entendeu tudo, ficou furioso. Ele entrelaçou seus dedos e colocou as mãos sobre a mesa, inclinando-se para frente. Eles se encararam de igual para igual.
— Está me ameaçando, capitão?
— Eu?— Sorriu, sarcástico. — Só estou deixando avisado.
Era muita burrice ameaçar Diego dentro de seu próprio morro. Ele sorriu, nervoso.
— Pois eu já deixo avisado que não vai sair daqui hoje.
— O que?
Jack se levantou, sacando sua arma e apontando na direção de Diego, que sorriu em satisfação. Levantou suas mãos, fingindo se render.
— Qual é, Jack? Pensa que pode chegar no meio morro e me ameaçar só por que é um policial de merda? Sabe que não tenho medo de vocês, só não quero causar guerra por causa das vidas inocentes.
— Então me deixe ir, senão, haverá guerra. Meu soldados estão em volta do morro, preparados para atacar caso eu demore mais do que três horas para sair daqui.
— Que bom que me avisou.— Diego fez sinal e logo seus homens estavam todos em volta dele, apontando suas armas, não deixando escapatória.— Estaremos preparados. Agora, renda-se.
— Vai mesmo deixar vidas inocentes morrer?
— Eu nunca quis que chegasse a este ponto, mas não houve maneira de te convencer, sua ganância falou mais alto. Darei um jeito para que o menor número de cidadãos seja atingido. Tentarei os fazer sair do morro ainda hoje. Vamos acabar com essa chantagem.— Ele abaixou as mãos.— Renda-se, Jack!
— Não!
— Se não se render, meus homens vão matá-lo.
Jack respirava pesadamente, o homem gordo e de pele parda agora estava branco como um lã. Sentia um pavor em seu peito, não sabia o que os homens de Perigoso poderiam fazer com ele, mas não tinha escolha, a única escolha era se entregar e implorar por sua vida, quem sabe assim poderia voltar a ver sua filha e esposa algum dia. Ele colocou a arma sobre a mesa e levantou as mãos até a cabeça, então os homens de Diego vieram e o imobilizaram.
— Boa escolha.— Ele sorriu.— Levem ele daqui, quero que o coloquem no esconderijo até que eu dê ordem para tirar.
Eles concordaram, colocando um saco na cabeça do policial d o levaram dali imediatamente. Diego respirou fundo, tentando conter a tensão, a verdade era que ele imaginava que o homem iria tentar lhe dar um tiro antes de ser contido, mas felizmente não aconteceu como o esperado.
— E agora, o que faremos?
— Quero que façam sair daqui o máximo de pessoas que puderem, estamos em estado de guerra, vamos ser atacados e preciso que estejam fora ainda hoje.
— E por quanto tempo terão que sair?
— Até o fim do ataque dos caras!— Disse como se fosse óbvio.— Provavelmente até amanhã de manhã, quando nós ou eles estiverem mortos. Agora vai, quero que façam isso pra ontem. Mande as pessoas levar roupas, cobertores, que durmam na casa de parentes, qualquer coisa, mas quero esse morro vazio em uma hora.
— Pode deixar, chefe.
O resto dos homens saíram a fazer o que lhe fora ordenado. Diego pôde respirar, mas por pouco tempo, alguns minutos depois a porta foi aberta e Kellie entrou por ela. Ele jogou a cabeça para trás e revirou os olhos. Sério? Não estava com paciência para aturar suas humilhações, ou vê-la agir como se fosse sua fiel.
— Amor?
— O que você quer, Kellie?
— Esta de mal humor, hoje?— Sorriu, fechando a porta.— Fiquei sabendo que Felipe tomou um tiro, fiquei com medo que você também tivesse sido atingido, vocês sempre estão juntos.
— Não. Estou bem, já pode ir.
Ele coçou a cabeça, tentando arrancar um pouquinho de paciência do fundo da alma.
— Pare com isso, quero ficar um pouquinho com você.
— Eu já disse que não somos nada. Antes de ficarmos, eu avisei que seria somente aquilo. O que mais você quer?
— É por causa da mulher que veio morar aqui a pouco tempo, não é?— Ela se aproximou e cruzou os braços, encarando-o.— Aquela mulher separou do marido e já está dentro da sua casa. Todos estão comentando que ela é sua fiel agora.
— O quê? Esta louca?
— Sim, todos já sabem que ela mora na sua casa agora.
— Não, Nádia só está passando uns dias em casa porque estou a protegendo. Você não sabe a história, então nem comenta nada sobre isso.— Ele se levantou.— E quer saber? Não te devo satisfação de nada.
Diego tentou passar por ela, mas Kellie foi mais rápida e parou em sua frente.
— Deve sim! Eu era sua fiel. Você ficava comigo e agora me trocou por ela!
— Você nunca foi minha fiel, a gente ficava.
— Mas você me levava pra todo lado, não me escondia de ninguém, a gente praticamente morava junto, eu não saia da sua casa.
— Porque é uma enxerida, te mandei embora várias vezes, lembra? Era você quem insistia para ficar, para ir nos lugares comigo, para andar para todo lado grudada em mim. Mas sempre deixei claro que não gosto de você.— Bufou.— Por que não me faz um favor? Tenha mais amor próprio, pare com isso, já está ficando feio.
Os olhos de Kellie se encheram de lágrimas, ele tinha razão, era ela quem se auto inseria em tudo que Diego fazia, mas ele sempre deixou claro que não gostava dela. Kellie sempre teve esperança de o fazer se apaixonar ou que pelo menos tivesse um filho de Diego, mas nunca conseguiu engravidar.
— Mas eu gosto de você.
— Eu não gosto de você, Kellie.— Passou por ela e abriu a porta.— Vá para casa, avisa sua família que o morro está com toque de recolher. Quem puder vai ter que sair daqui em uma hora, quem não puder sair, vai ter que ficar em casa até segunda ordem.— Suspirou.— Vá para a casa de sua tia, vai estar mais segura.
Ela se virou para ele com seus olhos cheios de lágrimas e os braços cruzados. Encarou-o no fundo dos olhos.
— Você ainda vai se arrepender.
Ameaçou-o, mas Diego não levou como ameaça, estava mais preocupado com a evacuação do povo que já deveria ter acontecido. Ele fechou a porta atrás de si quando Kellie passou e seguiu atrás dela, até chegar em sua moto.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Nicce Vieira
que grude caramba
2024-08-16
1
Vitoria Barbosa
essa daí nem sabe o que amor próprio 😂😂
2024-06-01
4
Tânia Campos
Marmita de quinta.
🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2024-01-09
2