Capítulo 8

— Vocês estão ficando loucos?!!— Nádia abraçava Melissa, que chorava, enquanto Alice ficava agarrada ao braço da mãe, espantada.— Eu quero a cabeça dele na minha mesa, senão é a cabeça de vocês que vai rolar, me entendeu?— Ele bateu a mão forte na mesa.— COMO ASSIM, O FELIPE TOMOU DOIS TIROS? Seus filhos da puta, eu espero que ele fique bem, senão vou esquartejar cada um de vocês.

Diego desligou o celular irado, não conseguiu se contar e desferiu um murro na mesa, assustando as três, fazendo a filha mais nova de Nádia chorar ainda mais. Só então se deu conta que não estava sozinho e se arrependeu da cena anterior, pois havia assustado as duas crianças e a mãe. Ele suspirou, tentando se conter, as três encaravam-no atônitas, como se estivessem vendo um monstro muito perigoso em sua frente. Quase sorriu, era por esse motivo que seu vulgo era Perigoso e sim, ele se considerava um monstro, pois não costumava ter pena de suas vítimas, no entanto, Diego não matava pessoas inocentes. Suspirou, passando a mão nos cabelos e se jogando para trás em sua cadeira, estava extremamente furioso porque deixaram Alessandro escapar e ainda soube que o homem baleou seu melhor amigo. Ele devia ter ajudantes de dentro do morro, Diego iria se empenhar em descobrir e quando isso acontecesse, iria matar um por um dos traidores.

— Me desculpe.— Se inclinou para frente.— Quer uma água? Alguma coisa?

Ele não sabia lidar com. Aquela situação. Estav diante de uma mulher assustada e suas duas filhas chorosas, mas se sentiu aliviado ao mesmo tempo, pois havia tirado-as de um cativeiro e sabia que elas iriam confirmar mais a frente.

— Não quero nada.— Respondeu Nádia.

— Mamãe, quero sair daqui.— Alice pediu com os olhinhos suplicantes.— Não gostei desse lugar...— Encarou Diego rapidamente.— Não gostei desse homem, ele é bravo igual ao papai.

Diego enrugou o nariz. Igual ao pai dela? Mas, que garotinha petulante, comparando-o com um homem tão asqueroso. Se bem, que a primeira impressão que Diego passou para a menina foi de que realmente ele era um homem muito mal. Não que fosse melhor, mas não chegava a ser um monstro do nível de Alessandro, pensou.

— Calma, meu amor.— Nádia beijou o topo de sua cabeça.— Daqui a pouco a gente vai voltar para casa.

— Nádia, eu trouxe vocês aqui porque quero que me conte toda a verdade sobre vocês.

A mulher o encarou com os olhos arregalados, mas logo disfarçou. Não, ela não contaria nada, Alessandro a mataria se soubesse que contou tudo. O pior não era ser morta, Nádia temia pela vida de suas filhas, pois ela sabia que o homem não tinha sentimento alguum pelas próprias filhas.

— Já sabe a verdade, senhor.— Ela tentou disfarçar.

— Tem razão, eu sei. Mas quero ouvir de sua boca.— Forçou um sorriso.— Olhe para Alice, pensa mesmo que eu acreditaria que ela é sua irmã? Essa garotinha se parece mais com Alessandro do que com você mesma.

— Alice é minha irmã.

Nádia respirou fundo. Ele sabia toda a verdade? E agora, o que seria dela e de suas filhas? Alessandro certamente voltaria para matá-las. Diego estragou sua chance de ir para bem longe de tudo isso um dia, fez ela perder todas as esperanças. Agora, tudo o que lhe restava era esperar que a morte a encontrasse a qualquer momento. Alessandro sabia onde estava, além do mais ele conseguiu fugir de um morro cheio de capangas de Diego, então, o que seria dela? Suspirou.

— Sua irmã? Sua irmã te chama de mãe e se parece com seu marido? Qual a explicação para isso?

— Nenhuma, eu não te devo explicações.

Diego fechou uma de suas mãos, tentando controlar a raiva. Sabia que mulheres traumatizadas eram difíceis de confiar em alguém, mas ele não estava fazendo mal algum a ela, só precisava saber a verdade para então a proteger e fazer de tudo pelo seu bem estar e de suas filhas. Além do mais, ele precisava de provas para seguir com seu plano de caçar e matar Alessandro.

— Porra, mulher!— Alterou levemente o tom de voz.— Só estou querendo te ajudar.

— Não preciso da sua ajuda.

— Não, é?— Ele jogou suas costas para trás e cruzou seus braços.— Suponhamos que o que penso seja verdade. Você foi forçada a ser mulher de um velho por mais ou menos dez anos, desde então, teve duas filhas dele e vem apanhando igual um cachorro e recebendo ameaças constantes. Você tem medo de morrer, medo de ele fazer algo com suas filhas, vive em um constante perigo e não tem recursos para fugir.— Apertou os olhos.— Será mesmo que não precisa da minha ajuda?

Nádia soltou o ar. A história era quase assim, mudando um fato: sua mãe a vendeu para esse velho e desde então, vem vivendo essa vida.

— Eu não posso falar. Se ele voltar...

— Ele não vai voltar!— Afirmou.— Não tolero nenhum tipo de injustiça no meu morro, acredite em mim, eu entendo muito bem o que você está passando. Quero caçar e matar cada desgraçado que comete violência contra mulheres.

— E quem me garante que diz a verdade? Não confio em você, andava com ele, provavelmente são iguais.

Nádia não confiava nem um pouco no homem em sua frente, pelo contrário, Diego lhe causava medo, ela pensava que era igual a Alessandro, que eram "farinha do mesmo saco". Diego por sua vez, se sentiu ofendido, ele podia não ser coisa muito boa, mas não era um homem violento e provavelmente abusador como Alessandro, não admitia ser comparado a ele. Fechou suas mãos novamente, mostrando os nós dos dedos.

— Não me compare com aquele lixo.

Nádia encolheu levemente, mas não costumava abaixar a guarda.

— Já disse que não confio em você!

— Não precisa confiar, apenas me conte a verdade. Vou te proteger, mas preciso saber.

— Me proteger? Alessandro fugiu sem sequer se esforçar, ele passou pelos seus homens com a maior facilidade. Como poderia me proteger?

— Ele só escapou porque tem alguém me traindo aqui, mas quando descobrir quem são essas pessoas, darei um fim nisso tudo e te entrego de bandeja a cabeça daquele lixo.

Eles se encararam, Nádia reprimia seu medo, deveria ser forte por suas filhas, não se permitia ser amedrontada por ninguém. Piscou algumas vezes. Por um momento ela se perdeu no personagem e passou a encarar a estética do homem, seus lábios rosados, a tatuagem acima de uma de suas sobrancelhas, era a única em seu rosto, as outras eram do pescoço para baixo. Ela sentiu algo, como uma pontada bem de leve em seu peito, nunca havia sentido antes, mas não se incomodou com a sensação.

— E então? Vai me contar sua história?

— Se eu te contar, o que muda?

— Terei provas para ir atrás desse homem até no inferno, depois trago ele para o meu morro e faço ele sofrer lentamente até morrer.

Nádia sentiu um nó na garganta.

— Trazer para cá? Por favor, não faça isso.

— Posso matá-lo em qualquer outro lugar, mas o que quero dizer é que terei provas para finalmente acabar com a vida dele.

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Comments

Leneborges_

Leneborges_

❤❤❤❤❤

2024-11-22

0

Nicce Vieira

Nicce Vieira

qm será que tava bom ele ,será que tava atraz de tomar o morr do perigoso

2024-08-16

1

Sandra Oliveira

Sandra Oliveira

tá ficando bom

2024-08-02

1

Ver todos

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