**Minhas costas descansam no sofá de couro, a cabeça em um dos travesseiros verdes enquanto os meus pés usam as coxas de Christopher como apoio, massageados pelas suas mãos incrivelmente habilidosas e macias. Olho para a face esbelta, vendo-o sorridente e concentrado na televisão Smart, onde o YouTube prêmio decora a tela de setenta e duas polegadas.
ㅡ Sinceramente, não entendo a sua obsessão por competições japonesas de atletismo.ㅡ Digo, encarando os velocistas, que põem-se em suas devidas posições.
A câmera destaca um jovem de cabelos rosas, com o rosto ingênuo e o corpo levemente musculoso, mas que não esconde a aparência de adolescente. Seus olhos estão atentos na pista, os joelhos flexionados e os dedos esticados, tocando o chão vermelho. A camiseta vermelha destaca a pele pálida, fazendo par com o tênis Brooks Ghost 14, e eu sei disso porque, segundos depois, um anúncio aparece.
ㅡ E eu não entendo a sua obsessão por atrasos, Daisy.ㅡ Deixo de reparar no programa, voltando o olhar para o coreano ao lado, que sequer pisca.
ㅡ Justo.ㅡ Respondi, desprovida de argumentos palpáveis para refutá-lo, e ele ri, satisfeito.
Observo os fios claros caírem sob a pele bronzeada, o maxilar perfeitamente marcado e as pintinhas em sua bochecha esquerda. De fato, Christopher Park é um homem bonito, com detalhes que tiram o fôlego de qualquer um. Os braços fortes me lembram os de Jeon, escondidos debaixo da jaqueta de couro e da camiseta preta. E, de repente, estou divagando como as madeixas de JungKook são tão escuras quanto carvão, ou naquela maldita colônia afrodisíaca, que me vicia aos poucos, e sem que eu perceba.
ㅡ No que está pensando? ㅡ Ouço a voz suave acariciar os meus ouvidos, os dedos ainda fazendo círculos em meus pés.ㅡ Você parece distante.
ㅡ Estou tentando encontrar um jeito de fazer Jungkook assinar o contrato.ㅡ Bufo, ignorando as risadas estúpidas, que saem dos lábios de Christopher e se misturam com o som da TV, em específico, os gritos dos torcedores.
ㅡ Vocês ainda estão nisso?ㅡ Não disfarço a expressão de indignação, o cérebro à procura de motivos engraçados, que possam ter feito minha fala engraçada, visto que Chris está prestes a cair do estofado de tanto rir.
ㅡ Qual a graça? ㅡ Arqueio uma das sobrancelhas, séria.
ㅡ Nenhuma.ㅡ Dá de ombros, cessando os risos e encarando o meu rosto, permanecendo com a mesma cara de sapeca.ㅡ Só acho essa briga toda uma idiotice.
ㅡ Diga isso para Jeon JungKook! ㅡ Exclamo, estressada só de lembrar o trabalho que estou tendo, somente porque Jeon quer bancar a criança birrenta.ㅡ Ele que está dificultando as coisas.
ㅡ Tem certeza? ㅡ Vejo-o rir, abusando do deboche e sarcasmo, feito não acreditasse naquilo que acabou de escutar.
ㅡ Por que eu não teria? ㅡ Analiso suas feições, querendo uma explicação pela descrença em minhas palavras, sendo que raramente erro.
ㅡ Você foi para o exterior logo depois de terminar com o pobrezinho, sendo que ele nem estava de acordo.ㅡ Trouxe à tona assuntos que acabaram há dez anos, certo de que possui argumentos válidos.
Acho impressionante a forma como Christopher Park se apodera do assunto com tanta segurança, sendo que sequer tem conhecimento para falar sobre. Cara, isso faz dez anos. Relacionamentos jovens possuem a tendência de não durarem tanto quanto as pessoas esperam. Não me parece algo errado, somente normal, visto que os interesses podem mudar e o amor esfriar.
Mas, não foi isso que aconteceu. Certo, Daisy? ㅡ Uma voz grave, soando abafada, retorna, com o mesmo questionamento de sempre. E, pra variar, não tenho uma resposta. Pelo menos, nenhuma concreta.
As memórias de um dia frio voltam para congelar toda a minha pele; o estômago embrulhado e a garganta seca entregam toda e qualquer insegurança que meus ossos carregam. A respiração falha conforme os dedos compridos percorrem, sem pressa, cada parte do meu corpo, explorando-o como uma criança curiosa, que encanta-se com tudo. Seus beijos são delicados; os toques, carinhosos. Nossas bocas se encaixam perfeitamente bem, feitas uma para a outra. Ele usa os dentes para puxar o meu lábio inferior e, depois, enrosca sua língua na minha. Um rubor profundo arde em nossos rostos, meu coração treme. Em seus olhos, uma luz tórrida, que busca incansavelmente a minha alma. Suas mãos agarram a cintura alheia, apertam a carne. Suspiro, extasiada.
Encantada, coloco alguns fios de seus cabelos negros para o lado e respiro, envolvida no cheiro amadeirado que Jeon tem. Ele, por sua vez, afunda o nariz em meu pescoço, inebriado com o perfume Lily, enquanto suspira pesadamente.
ㅡ Vou amá-la pra sempre.ㅡ Sussurra, causando-me arrepios com o ar quente.
ㅡ Impossível.ㅡ Sorri, brincalhona.ㅡ O amor esfria.ㅡ Falo, levando em consideração vários casais que se separaram mais tarde.
ㅡ Não, não o meu. ㅡ Nega.ㅡ Ou melhor, o nosso não vai acabar.ㅡ Deu-me um outro beijo, devoto a todas as coisas que estão neste quarto agora. Entretanto, suas palavras desaparecem rápido, igual às expressões carinhosas, e sinto frio.
Olho ao redor, assustada; a escuridão me engolindo por inteira. Um rosto borrado domina a mente, com apenas as íris nítidas. Há lágrimas escorrendo pelas bochechas pálidas e morrendo na gola do moletom preto; o nariz, vermelho. De repente, todas as promessas voltam, culpando-me de quebrá-las e provando, outra vez, que Jeon Jungkook estava disposto a mantê-las. Mas, eu, não.
ㅡ O problema é dele se não quer esquecer o passado.ㅡ Refuto, não dando a mínima, e um bico se forma em meus lábios.
ㅡ Bateu nele… na frente de todos.ㅡ Dessa vez, Christopher Park reforça seu pensamento, citando um dos outros porquês de Jeon estar furioso.
ㅡ O tapa foi merecido!ㅡ Exclamo, os olhos arregalados e o tom mais agudo.ㅡ Esqueceu que fui humilhada, difamada e depreciada no meu local de trabalho? ㅡ Cruzo os braços, indignada que, mesmo depois de todas as provas à mostra, Chris continue do lado de Jeon.
ㅡ Então, a fúria também.ㅡ Diz, desviando o olhar em momento algum. A cor castanha procura alguma fraqueza, vasculhando o rosado artificial, que pinta as minhas bochechas magras.
Não importa quanta maquiagem eu coloque, não consigo reprimir o medo das minhas falhas serem descobertas, reveladas uma por uma. Estremeço, lembrando do espelho, sempre tão crítico e cruel. O batom vermelho, o ouro, o blush, a sombra, o perfume. Tudo é falso, apenas uma máscara.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 42
Comments