Mentiras solitárias que parecem suportáveis

ㅡ Ah, por quê? ㅡ Pergunto, ignorando o tom de voz quase desesperado enquanto tento controlar a minha respiração.

ㅡ Jungkook recusou o feat.ㅡ Explica o óbvio, e seus risos confirmam que falhei em parecer calma; despreocupada.

ㅡ Uhum, não podemos conversar sobre a estreia do meu álbum solo, mesmo assim? ㅡ Insisto, sorrindo trêmula; as unhas em minha pele denunciando o nervosismo.

ㅡ Por quê? ㅡ Dá de ombros, fazendo pouco caso. O puxar de lábios discreto mostra àquele maldito sentimento sádico que o velho tem.ㅡ Não é tão conhecida aqui na Coreia do Sul, Daisy.ㅡ Diz, e eu mordi a bochecha diante da fala, que,  querendo ou não, fere o meu orgulho.

ㅡ Ainda.ㅡ Faço questão de acrescentar, baixinho, mas acrescento.

Aquele de cabelos grisalhos respira fundo, continuando logo em seguida:

ㅡ Vou perder dinheiro se investir em uma cantora que não tem uma fanbase coreana e nem um outro idol disposto a ajudá-la.ㅡ Acompanho a destra seguir na direção da bolsa de couro, tipo pasta, pegando-a pela alça.

Conheço-o muito bem para saber que o velho não está blefando e que irá realmente esquecer de Daisy Kim.

Não, não, não. Foram anos para conseguir tudo o que tenho hoje, moldando-me conforme a sociedade pedia enquanto suportava dores de cada parte do meu corpo e da minha mente.

Por mais que eu tente, não consigo simplesmente esquecer do estômago roncando, dos gritos, nem das palavras depreciativas. Ignorar os ossos à mostra, cortando a pele, é impossível. Os hematomas podem até desaparecer, meu nome pode até ser esquecido também. Todavia, as lembranças não. As madrugadas passadas em claro, exausta de tanto treinar; as semanas nos hospitais, ambas antes e depois do debut, principalmente após os shows. As pernas bambas e o medo de cair em público enquanto dançava, temendo fracassar; decepcionar não somente os meus fãs, mas a parte da Daisy que escolheu se sacrificar porque acreditava em um final feliz para si mesma.

Um sofrimento que vai ter sido inútil, caso o presidente me deixe de lado por tempo indeterminado. Não posso deixar que isso aconteça!

ㅡ Espera! ㅡ Falei, sequer me importando com o desespero, presente em meu timbre.

Ele para, esperando, e eu engulo a seco, pois sei exatamente o que se passa na mente dele. Christopher, não tão ingênuo assim, percebe o clima pesado que invade, aos poucos, o cômodo. Intercala o olhar, visivelmente preocupado. Levanta e caminha para perto. A figura esguia, apesar de trazer confiança, não consegue acalmar as minhas batidas cardíacas. Na verdade, deixa-me envergonhada, visto que o jovem não é burro. A única coisa que conforta a minha alma  se limita ao fato de que Christopher Park, mesmo ciente de boa parte da história, nunca me julgou.

ㅡ Chris, espere no carro.ㅡ Peço, irritantemente trêmula.

Não gosto de admitir o quão receosa nossas conversas a sós me deixam. Querendo ou não, ainda sou uma garotinha, só não ingênua, nem indefesa.

ㅡ Tem certeza? ㅡ Questiona, a voz mansa e o cenho franzido.

ㅡ E quando não tenho? ㅡ Embora as minhas palavras estejam mostrando confiança, meus olhos escuros encaram os quadros de Caravaggio; a cabeça erguida.

O garoto abaixou o olhar, discordando da minha decisão, mas respeitando-a e deixando o ambiente.

Em poucos minutos, estou sozinha, cara a cara com Baek, que volta a esquentar o assento de sua poltrona. Sento-me no sofá, cuidando para que exista uma determinada distância entre nós, sem torná-la estranha. Cruzo as pernas, arranhando-as discretamente com as unhas, no intuito de descontar o estresse e nervosismo.

ㅡ Então? ㅡ Levanta a sobrancelha esquerda, cruzando os braços na altura do peito.

ㅡ Diga-me, o que preciso fazer para você mudar de ideia? ㅡ O presidente não esconde a felicidade de ouvir tais palavras, e a raiva sobe pelas minhas bochechas, pois não me pareço com a Daisy Kim do próximo álbum, vulgo The Boss.

ㅡ Bem, uma das opções você já conhece.ㅡ Um calafrio percorre a espinha devido à malícia que pinta o brilho de suas íris. É, sei muito bem.

ㅡ E a outra? ㅡ Questiono, desinteressada na primeira enquanto faço o máximo para afastar as memórias. Não aguento sequer pensar nisso.

A vontade de desabar em lágrimas é automática, e impeço-me de encolher os ombros. Não posso demonstrar fraqueza. Mentalmente, repito aquilo que eu sempre repetia quando precisava ter coragem: Daisy Kim, seja forte por, pelo menos, três segundos. 

Estou contigo, vou ajudá-la.

Sim, metade disso era mentira. Ninguém me abraçou nas noites solitárias; ninguém perguntava sobre as distintas marcas que apareciam a cada dia, sequer se importavam para notar ou comentar. Porém, dizer lindas mentiras a mim mesma, como uma pessoa próxima, funcionou. E, com o tempo, a solidão foi ficando suportável.

Daisy, não chore.

ㅡ Seria convencer Jungkook a te ajudar.ㅡ Diz, fazendo pouco caso.

ㅡ Vou convencê-lo.ㅡ Respondo rapidamente, sem considerar outras opções, pois essa me parece a melhor de todas.

ㅡ Duvido que consiga. ㅡ Ri, a destra em cima da barriga.ㅡ Ele parecia furioso quando saiu daqui.ㅡ Pega um charuto no bolso, junto com o isqueiro, e acende-o

A vontade de socar a cara pretensiosa do meu chefe, apenas para tirar o sorrisinho idiota que enfeita o rosto enrugado, é grande. Entretanto, sou civilizada e obrigada a me contentar com a minha imaginação. Lógico, devo admitir que esse idiota tem razão.

Seria ingenuidade demais acreditar que JungKook não está bravo ou que esquecerá facilmente o tapa que eu dei nele. Cara, estamos falando de Jeon Jungkook, aquele que guarda rancor por causa de um término que aconteceu há dez anos atrás. Porém, vou conseguir. É preciso…

ㅡ Está duvidando da minha capacidade, Sr.Baek?ㅡ Deixo um riso sarcástico escapar, arqueando as sobrancelhas, e ele simplesmente dá de ombros, fumando. Fico irritada.ㅡ Não há nada que Daisy Kim não possa fazer.

Minha arrogância fez-no rir, movimentando positivamente a cabeça. Seus olhos opacos param em mim, procurando algum resquício de medo, insegurança ou qualquer outro sentimento que me obrigue a recuar. Falha em encontrar algo, finalizando a conversa:

ㅡ Okay, vou acreditar em você.ㅡ Não me deixo enganar pela voz, estranhamente, mansa, nem pelas palavras gentis, pois  existe uma ameaça sutil por trás de tudo isso.

ㅡ Não vai se arrepender.ㅡ Sorri amarga, prendendo o suspiro de alívio entre os meus pulmões enquanto faço o possível para não deixar transparecer o desgosto de estar aqui.

ㅡ Podemos ir? ㅡ Ele pergunta e concordo, levantando depois de pegar a minha bolsa.

Caminho em direção à porta, mas antes de sair, escuto-o falar:

ㅡ Não me decepcione, Daisy.

ㅡ Nunca.ㅡ Respondo brevemente, logo caminhando pelos corredores extensos da empresa.

Capítulos
1 My Time
2 Um roqueiro rude, mas muito quente
3 Meras mentiras de jovens otários
4 Lonely
5 Nomes nunca antes tão amargos e estranhos
6 O preço da fama
7 Nem tudo é a prova d'água
8 Happy Pills
9 Quem avisa, amigo é
10 Uma margarida que não floresceu
11 Mentiras solitárias que parecem suportáveis
12 Você está satisfeita?
13 I don’t wanna live forever
14 Nenhum castigo faz Daisy Kim implorar
15 Um caminho que nunca tem fim
16 Brincar com a loucura pode realmente enlouquecer alguém
17 Às vezes, um choque de realidade pode ajudar!
18 Parabéns, Daisy
19 O glamour é como uma máscara.
20 Coisas que as câmeras não podem capturar
21 Era apenas um jogo, mas ele se escondeu para sempre
22 Se quer tanto, implore
23 Velhos hábitos sempre falam mais alto
24 O que acontece quando se esquece: limites e dignidade?
25 Deve ter sido o vento
26 Parabéns, Daisy
27 Ela é uma bagunça em meio a tanto nada
28 Às vezes, até respirar dói.
29 De doces a risadas amargas
30 Pedidos sinceros e ligações inesperadas
31 Onze minutos para a solidão
32 Alguém para chamar o seu nome
33 Dez anos com palavras entaladas na garganta
34 Quinta. É quinta-feira ainda.
35 Ele vai sorrir.
36 Canção de Ninar
37 Cruel Demais
38 É muito tempo...
39 Parece estupidez...
40 Muitas Desculpas Para Um Dia Só
41 Stay Alive
42 Ainda
Capítulos

Atualizado até capítulo 42

1
My Time
2
Um roqueiro rude, mas muito quente
3
Meras mentiras de jovens otários
4
Lonely
5
Nomes nunca antes tão amargos e estranhos
6
O preço da fama
7
Nem tudo é a prova d'água
8
Happy Pills
9
Quem avisa, amigo é
10
Uma margarida que não floresceu
11
Mentiras solitárias que parecem suportáveis
12
Você está satisfeita?
13
I don’t wanna live forever
14
Nenhum castigo faz Daisy Kim implorar
15
Um caminho que nunca tem fim
16
Brincar com a loucura pode realmente enlouquecer alguém
17
Às vezes, um choque de realidade pode ajudar!
18
Parabéns, Daisy
19
O glamour é como uma máscara.
20
Coisas que as câmeras não podem capturar
21
Era apenas um jogo, mas ele se escondeu para sempre
22
Se quer tanto, implore
23
Velhos hábitos sempre falam mais alto
24
O que acontece quando se esquece: limites e dignidade?
25
Deve ter sido o vento
26
Parabéns, Daisy
27
Ela é uma bagunça em meio a tanto nada
28
Às vezes, até respirar dói.
29
De doces a risadas amargas
30
Pedidos sinceros e ligações inesperadas
31
Onze minutos para a solidão
32
Alguém para chamar o seu nome
33
Dez anos com palavras entaladas na garganta
34
Quinta. É quinta-feira ainda.
35
Ele vai sorrir.
36
Canção de Ninar
37
Cruel Demais
38
É muito tempo...
39
Parece estupidez...
40
Muitas Desculpas Para Um Dia Só
41
Stay Alive
42
Ainda

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