Vendo que continuo de pé, a crise desiste, esperando outra brecha para aparecer e me derrubar. Seco as lágrimas traiçoeiras, às quais sequer senti caindo. Em passos frouxos, dou início à rotina. Preparo um chá de maçã, uma bebida que ajuda a matar a fome, pelo menos, no período da manhã, e tomo dois comprimidos. Depois, resolvo me exercitar. Faço a série costumeira:
*Alongamento:**10 - 15 min*
*Esteira:**2 - 4 h*
*Treino de abdômen:**50×10*
*Treino de perna e braço:**30×10*
Meu corpo queima a cada exercício, o estômago vazio, implorando para receber algo, e faço uma pausa. Preparo uma limonada, obviamente sem açúcar, tomando-a nos intervalos. Com as pernas já fracas, mal sustentando o meu peso, caminho pelo corredor, na finalidade de ir até o banheiro. Lá, livro-me das roupas molhadas e eu entro embaixo do chuveiro, a água fria caindo contra a pele fervente. Evito molhar o cabelo, extremamente cuidadosa ao lavar o rosto. Depois, transformo-me na Daisy Kim, a imbatível.
Na empresa, enquanto sigo até o estúdio, avisto Ji-Soo e seu costumeiro péssimo humor. As roupas sociais pretas fazem parecer que está indo a um funeral, talvez já esteja pronta para o meu, isto é, se Jungkook não concordar com o feat. O barulho dos saltos anunciam sua chegada, e preparo os ouvidos e o meu psicológico, ciente das inúmeras reclamações que precisarei escutar.
ㅡ Por quê sempre que eu te vejo, você está de cara fechada? ㅡ Zombo, irônica.
Em nenhum momento, interrompi os meus passos. Sigo caminho até o estúdio, acompanhada pela coreana, que rebate rapidamente, sorrindo ao comentar:
ㅡ Uhum, deve ser porque você está sempre atrasada.ㅡ Os braços cruzados e as sobrancelhas franzidas distorcem o tom amigável que Park Ji-soo usou, torcendo os lábios logo depois.
ㅡ Aish, ainda não cansou de pegar no meu pé? ㅡ Reviro os olhos, fingindo um sorriso àqueles que passavam por mim, e Ji-Soo ri, incrédula.
ㅡ Tenho essa mesma dúvida…ㅡ Sorriu, sequer escondendo o deboche. ㅡ Quando vai parar de me dar trabalho, hein? ㅡ Perguntou, irritada.ㅡ Parece uma adolescente irresponsável! ㅡ A voz soa, propositadamente, alta quando a mulher nota os muitos olhares em nós.
Sinto o vermelho pintar as bochechas, despertando uma imensa vontade de matá-la. Todavia, respiro fundo, ignorando a tentativa dela de me envergonhar publicamente.
ㅡ Quando você for demitida.ㅡ Digo, curta e grossa, demonstrando confiança nas palavras, embora eu saiba que elas, provavelmente, não vão concretizar-se.
ㅡ O contrário é mais provável! ㅡ As covinhas marcam os cantos de sua boca, o castanho das íris cintila, e logo percebo que a asiática não está brincando.
Paro de imediato, preocupada. Penso nas roupas pretas e na frase dita, tentando encontrar alguma ligação, que entregue se há ou não verdades nela.
ㅡ O que disse? ㅡ Agora, encarei-a com seriedade, deixando de lado qualquer gracinha que viesse à mente.
Estranho ㅡ e, irrito-me.ㅡ com sua risada presunçosa, desejando poder arrebentar a cara desta solteirona.
ㅡ Você não durará muito, Daisy.ㅡ Quase certa de que aquilo foi uma ameaça, cerro os punhos para conter a raiva.ㅡ Jeon JungKook não assinou o contrato, nem irá assinar.
Bufei, recompondo a postura e voltando a andar, novamente serena.
ㅡ Notícias velhas, Park.ㅡ Sou incapaz de segurar o riso, não acreditando que, por um segundo, realmente me preocupei.
ㅡ Em breve, sua demissão também será.ㅡ Ji-soo responde, convicta que não terei êxito em fazer Jungkook concordar com o feat, e rio.
ㅡ Veremos.
Assim que entro no estúdio, Christopher vem me receber. Claro, não antes de fazer uma piada:
ㅡ Olha quem chegou! ㅡ Abre os braços, fingindo surpresa. Dramático, como sempre ㅡ Daisy Kim, a rainha dos atrasos.ㅡ Riu, satisfeito em ver minhas caretas de reprovação.
ㅡ Menos, Chris, bem menos.ㅡ O pedido arranca-lhe bons risos. Então, reviro os olhos, acostumada com o espírito brincalhão e jovial dele…
Christopher Park às vezes ㅡ pra falar a verdade, na maior parte do tempo.ㅡ age feito criança, entusiasmado logo de manhã por assuntos banais. Sua forma de se vestir também não indica muita maturidade, visto que ele prefere usar camisetas personalizadas do homem aranha ou dos guardiões da galáxia, combinando com somente uma calça jeans e um All-Star. Lógico, existem dias em que Chris é obrigado a usar looks formais, mas o seu senso de humor não deixa ninguém esquecer o quão "bobo" o jovem pode ser.
Sento no sofá preto, ouvindo os ruídos do couro em contato com a minha roupa, e sorrio:
ㅡ Uhum, curioso…ㅡ Começo, rindo internamente só de imaginar a reação daqueles por perto.ㅡ O couro parece a Ji-Soo reclamando. ㅡ Terminei, o olhar fixo no dela para captar qualquer emoção esboçada.
ㅡ Hahaha, nunca foi tão divertida, Daisy.ㅡ Diz, evidenciando o cinismo excessivo, do tipo que faz minha cabeça doer, e escuto os risos de Christopher ecoarem pelo cômodo.
ㅡ Ji-soo, você é demais, sério.ㅡ O coreano elogia, sorridente, fazendo-a sorrir ao agradecer. Faço bico, brava enquanto cruzo os braços.ㅡ Você também, Daisy.ㅡ Percebendo o meu desgosto, àquele de madeixas curtas tenta me abraçar. Falha, porém.
ㅡ Sai daqui, seu puxa saco dos infernos! ㅡ Xinguei, realmente chateada com o péssimo gosto do Park.
ㅡ Não fica assim…ㅡ disse, manhoso.
As bochechas coçam, imploram por um descanso, e, finalmente, permito-me rir. Se pedissem, não saberia explicar a forma como Christopher Park consegue animar o meu dia; enxergar através da máscara. Mesmo não pedindo, acabo tirando-a por livre e espontânea vontade, algo raro, muito raro. E, eu o odeio. Contudo, esses fatos são alguns que me fazem gostar da sua companhia, embora, sentir-me vulnerável seja a principal característica que não suporto.
Os produtores, staffs e até Park Ji-soo estão rindo porque gostam, minimamente, dessa minha versão. O clima, diferente de quando estamos a sós, está leve. Outra coisa que acho impressionante: A leveza de Christopher, seu dom de aliviar a tensão e confortar, silenciosamente, os outros. Tudo nele é impressionante. Claro, a menos que não esteja perto do pai, o homem o qual tanto quer orgulhar. Que ironia, querer orgulhar alguém que não merece orgulho nenhum.
O ar, poluído, parecia puro aos meus olhos, ainda que a dificuldade de respirar fosse evidente para todos. A cada passo, encaro o fim da ladeira e continuo subindo, com a mochila nas costas, já exausta de tanto caminhar. Minha pele toda encontrava-se molhada pelo suor, refém do sol escaldante, que domina o céu azul-bebê; os pés, doendo e inchados, proveniente das bolhas. Os joelhos fraquejavam, igualmente cansados, meus braços esticados, quase arrastando a cesta de presentes no chão. Meu corpo pedia misericórdia e, de repente, a ideia de sentar na calçada não aparentava tão ruim quanto eu pensava que era. Todavia, nego, desejando chegar logo em casa.
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Atualizado até capítulo 42
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