O caminho para a empresa é marcado por conversas paralelas e insignificantes, com Christopher reclamando o quanto odeia os outros produtores, só porque eles nunca concordam com suas ideias malucas de produzir uma música que fala sobre seres sobrenaturais ou alienígenas. Ele não entende o porquê tudo sempre gira em torno do amor, mas prefere não discutir esse fato, e tem uma grande obsessão por coisas misteriosas, dois dos motivos que lhe fazem querer inovar os conceitos musicais.
Na rádio, uma música que desconheço toca, e sorrio ao entender o verdadeiro sentido da letra, que descreve a vida em sociedade.
Nós tomamos coisas estranhas para nos sentirmos normais
Eu tomo minhas pílulas
e sou feliz o tempo todo
Feliz o tempo todo
Feliz o tempo todo.
ㅡ É, parece que nem tudo está dentro dos padrões romantizados que você tanto odeia, Chris.ㅡ Eu respondo, a primeira e única resposta que dou, olhando-o rapidamente.
O olhar concentrado em estacionar o carro, as mãos segurando o volante e um riso soprado escapando dos finos lábios rosados.
ㅡ Então, ainda temos salvação.ㅡ Ri, minha cabeça apoiada no banco de couro enquanto retiro o cinto, ouvindo um pequeno barulho.
Pela janela, vejo JungKook sair de uma Mercedes preta, bastante luxuosa e esportiva, que deve valer cento e cinquenta milhões, considerando que é um produto exclusivo. Ele veste sua típica jaqueta de couro, com calças jeans marcando as coxas e uma botina nos pés. O estilo de um rockstar. Porém, com a beleza única de um deus. Saio do automóvel, ponderando se devo ser educada, já que trabalharemos em conjunto a partir de agora e é mais que importante termos uma boa convivência, ou o plano de aumentar os views, a fama e os prêmios irá falhar. Não posso deixar que isto aconteça, não vou deixar…
Mãos à obra, Daisy Kim.
ㅡ JungKook! ㅡ O nome sai amargo ao ser pronunciado por mim, e não há calor algum nos olhos de jabuticaba fixos aos meus.ㅡ Vamos juntos.ㅡ Um sorriso molda a minha face, retribuído por outro cheio de escárnio.
Três passos são o suficiente para que nossos rostos fiquem próximos demais, o suficiente para fazer minhas batidas cardíacas acelerarem. Sua respiração faz cócegas em minha pele, e engulo a seco, incapaz de quebrar o contato visual. Mesmo depois de tantos anos, meu corpo ainda sente os efeitos de Jeon JungKook. Aquele de cabelos pretos se inclina, sua boca a centímetros de distância da minha, e seu hálito de menta me entorpece facilmente.
ㅡ Agora que voltou, não pense que as coisas entre nós vão ser como antes.ㅡ A voz sai áspera, baixa e mortal, perfeita para o recado dado.
Não reconheço nada do menino frágil e apaixonado que deixei chorando no aeroporto. Qualquer resquício de amor foi substituído por ódio, rancor e aversão, impossibilitando a trégua que quero estabelecer, pelo menos, no âmbito profissional. Na minha opinião, devemos agir com profissionalismo, nunca o contrário. Contudo, tudo indica que Jeon não quer isso.
ㅡ Olha, eu sei que te machuquei.ㅡ Começo, escolhendo bem as palavras.ㅡ Você tem total direito de estar bravo comigo, mas trabalho é trabalho! ㅡ Com a cabeça erguida, deixo claro que não busco nada além de confraternização, vendo-o morder a parte interna da bochecha.
ㅡ Porque você consegue tudo, não é? ㅡ Rosnou, e engulo a seco por não saber dizer se está irritado ou me provocando, talvez ambos.
Ouço várias e várias vezes essa mesma frase, jornalistas, fãs, colegas, chefes. Contudo, ouvi-la de JungKook não sobe o meu ego, como acontece nas outras vezes. Ela me queima por dentro, exatamente igual às lembranças de quem fui e o que me tornei hoje.
Daisy Kim, a artista mais famosa dos EUA e que, em breve, dominará o mundo. Do outro lado, uma garotinha assustada, desiludida, que fez de si mesma a moeda de troca para a fama e o dinheiro que buscava conquistar através da música. Nunca esperei chegar a esse ponto, onde nem minhas músicas favoritas são capazes de me confortar. Então, recorro às pílulas da felicidade, às únicas que, ao menos, me fazem esquecer que vendo o meu corpo e que passei a minha adolescência inteira na cama de outros ou sempre longe de espelhos, com medo da própria sombra. É assim que vivo, é assim que consigo tudo.
ㅡ Sim.ㅡ Sussurrei, rente ao seus lábios.
A atmosfera não estava nada leve, principalmente com as íris castanhas vasculhando o fundo da minha alma, em uma tentativa falha de achar alguma fraqueza, algum arrependimento ou qualquer sentimento que eu ainda sinta por ele. Não acho que vá encontrar aquilo que procura, até porque, duvido que exista algo além de uma mera atração. Enquanto isso, observo o quanto mudou.
O maxilar está mais definido e forte, exatamente como seus braços musculosos, efeito do treinamento pesado que faz sempre que tem tempo, não importando o lugar ou a hora. Desde jovem, o moreno já amava se exercitar, especialmente, se outras pessoas estivessem por perto, assistindo-o. Amava aplausos, atenção, elogios, reconhecimento. Isso que o faz ser bom em tudo. Seu principal ponto forte é também seu ponto fraco: O ego. Um comentário negativo era o suficiente para lhe deixar triste, insatisfeito consigo mesmo e bastante furioso. Contudo, quem não é desse jeito hoje? Poucos…
Lembro-me que, quando éramos bons amigos, encontrei JungKook escondido debaixo da escada laranja, atrás da quadra de basquete. Lágrimas molhavam as bochechas e soluços quebravam o silêncio.
ㅡ O quê houve, Kookie? ㅡ A pergunta lhe fez levantar o olhar, enxugando os olhos sensíveis com a destra.
ㅡ Nada.ㅡ Respondeu, meio ignorante.
ㅡ Não parece.ㅡ Dobro os joelhos, agachando e, logo, ocupando um espaço ao lado dele.ㅡ O que está te magoando, uhum?ㅡ Serena e meiga, perguntei de novo.
ㅡ É algo bobo.ㅡ Começou, negando.ㅡ Você vai rir de mim.ㅡ Proferiu, a voz quebrada e, ainda, soluçando.
ㅡ Jeon, sabe que pode me contar qualquer coisa.ㅡ Jeon JungKook pareceu mais confiante com a forma meiga e carinhosa que usei.
ㅡ Decepcionei a todos.ㅡ Franzi o cenho, confusa.ㅡ Fiquei em segundo lugar na competição de Taekwondo, segundo...ㅡ Assustei quando seu punho bateu contra o chão, machucando os nós da mão.
ㅡ Ei, você foi extraordinário.ㅡ Meus dedos seguraram seu ombro, deixando pequenas carícias no local, cujo objetivo era acalmá-lo.
ㅡ Você acha?ㅡ Perguntou, mantendo o contato visual, sua fofura me encantando.
ㅡ Sim, tenho certeza.ㅡ Sorri.ㅡ Pra mim, você sempre será o melhor.ㅡ Consegui fazê-lo sorrir junto a mim e peguei-o de surpresa ao beijar o canto de sua boca.
Sim, éramos fofos.
Eu cuidava de suas feridas internas e externas, e ele fazia o mesmo comigo, apoiando-nos, agindo como um casal quando, na verdade, tudo o que tínhamos era amizade. Então, decidimos tornar as aparência a nossa realidade e, no início, estava dando certo. Fazíamos planos de frequentar a mesma faculdade, dividir um pequeno apartamento, casar aos vinte e cinco, ter dois filhos antes dos quarenta.
Porque a família cresceu, iríamos mudar para uma casa maior, com jardim, garagem, três quartos, duas salas, uma cozinha, piscina nos fundos. Adotar um cachorro, comprar brinquedos e petiscos, passear no parque aos finais de semana e assistir filmes à noite. Nossa vida estava decidida, mas todos esses planos nunca saíram do papel.
ㅡ Daisy, está tudo bem? ㅡ As lembranças desaparecem rapidamente, me viro para Chris que, agora, se aproxima.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
yukio_gchs
Encantador 😍
2023-07-29
1
Rizky Mwe
Por favor, não me deixe na curiosidade, atualiza logo! 🤔
2023-07-29
1