ㅡ Daisy, os Estados Unidos a considera a rainha do pop.ㅡ Sorrio, enquanto o sorriso de meu ex desaparece.
Você não foi o único que se deu bem, meu amor.
Entre olhares afiados e sorrisos cínicos, um desconforto atinge o peito, notando um aumento súbito na temperatura. Cruzo as pernas, raspando as unhas em minha pele para não me deixar levar pela sensualidade do cantor e mostrar que percebi suas intenções. Não vai manipular minha mente, nem meu corpo.
Escuto o tintilar de seus brincos prateados, seguindo os fios dos cabelos negros como carvão e imaginando meus dedos envoltos de seu pescoço, enquanto provo o gosto de sua boca. Talvez, seja melhor parar de ler os livros que leio.
ㅡ Proponho uma parceria.ㅡ Baek propõem, curioso para ouvir as respostas e bastante entretido com nossas caras de surpresa.
Confesso, não esperava cantar ao lado de alguém que, um dia, abandonei, e suponho que Jeon Jungkook possui um sentimento parecido. Os lábios formam um bico fofo, entreabertos. Deveria ter cogitado essa hipótese, conheço o empresário bem demais para afirmar que o velho adora ver o parquinho pegar fogo.
ㅡ Sugere um feat? ㅡ Prendo a respiração, a voz rouca de Jungkook afetando todos os meus sentidos que não tinham sido afetados pela notícia repentina. O CEO assente, ganhando um riso nasalado do jovem.ㅡ Loucura! ㅡ Exclama.
ㅡ Por que seria? ㅡ Vejo-o franzir o cenho, esperando por uma resposta que nós três sabemos que não existe.
ㅡ Pop e rock juntos? ㅡ O coreano de dentes de coelhinhos ainda teima em aceitar as palavras de nosso chefe.
ㅡ Daisy? ㅡ Baek joga a escolha para mim, e recebo a atenção do astro do rock.
Penso por alguns segundos, revendo minhas opções. Sim, é certo que os americanos amem qualquer álbum meu que for lançado. A questão que me incomoda? Estou na Coreia do Sul, e os coreanos preferem as fofas do que as ousadas. O problema? Não vou bancar a ingênua garotinha, incapaz de tomar uma decisão ou que coloca seu amado acima de si mesma. Nunca fui desse jeito e não serei agora. Misturar pop e rock parece interessante e, se os resultados forem bons, já enxergo os números de seguidores na minha conta do insta triplicarem. Dinheiro; vantagem.
ㅡ Okay, podemos tentar.ㅡ Dou de ombros, sorrindo.
O moreno joga a cabeça para trás, decepcionado e resmungando que terá de me aguentar. Houve um tempo em que ele implorava para que eu lhe fizesse companhia, sua mão guiando a minha em direção ao peito, sentindo seu coração palpitar rápido. Toque-me.ㅡ Costumava pedir, suspirando pesado.
Lembro que colocar um filme ruim havia virado rotina, ocupados em estudar a anatomia um do outro. Não importa quantas horas levássemos, quantas vezes repetíssemos o mesmo jogo, não era cansativo em momento algum. Descobrindo os pontos fortes e fracos, explorando não apenas a carne, mas a alma. Sozinhos em casa, totalmente expostos, suados, sem roupas e, aos poucos, aprofundando as carícias. Molhados, saliva escorrendo pelas nossas bocas, gemidos cortando os beijos. Meu corpo entre os seus lençóis brancos, embaixo do garoto. Meus dedos descansando na maciez de suas madeixas escuras, molhadas pelo suor que escorria de sua testa. A fraca luz do Sol refletindo na janela, e nas íris cor jabuticaba, uma galáxia deslumbrante. Sim, a galáxia que escolhi perder.
ㅡ Resolvido, então.ㅡ Àquele de cabelos grisalhos conclui, satisfeito porque, aparentemente, conseguiu o que queria.
Jeon Jungkook levanta irritado, rumando à porta. Ele sempre foi assim, uma criança que chora quando as coisas não saem como planejado. Desde que descobri o amor pela música, vinha alertando-o de que entre um relacionamento juvenil e a minha carreira, eu, com toda a razão, escolheria a segunda opção. Jungkook desviava do assunto, fingia não ouvir ou encarava como uma piada, rindo logo em seguida. Tudo para não acreditar. Não sei o que precisou fazer para superar o ocorrido no aeroporto e não quero saber, pois já tenho lembranças demais para suportar.
Mãos calejadas tocam os meus ombros, e assusto-me, devido ao toque repentino, massageando a carne. Com a respiração de Baek próxima à minha face, deduzo que o homem havia se inclinado o bastante para seus lábios tocarem o meu ouvido. Engulo a seco, imaginando as palavras que assombram minhas noites e que destroem, aos poucos, o que, um dia, chamei de dignidade.
ㅡ Sabe o próximo passo, não é? ㅡ Arrepios percorrem minha pele, a voz ainda ecoando na mente, da mesma forma que a vontade de chorar me atormenta todas às manhãs.
Feliz, talvez sortuda. Esse era o sentimento que a menininha de quinze anos sentiu quando seu chefe lhe ofereceu um atalho para torná-la uma idol de sucesso, e suja, após, realmente, fazê-lo. Não ficou mais fácil depois da primeira.
A sala escura, iluminada por uma fraca luz azul neon, não passava confiança, e, tendo alguns segundos de sensatez, cogitei não entrar. Queria sair correndo, desistir dessas loucuras e voltar para os braços de mamãe, chorando rios e mares em seu colo. Não, você assinou um contrato, largou toda uma vida para estar aqui. É tarde demais para voltar atrás. Então, tremendo e com passos cautelosos, entrei no cômodo.
O cheiro do cigarro fez-me tossir, anunciando a minha chegada e atraindo a atenção daqueles ali presentes. Embora seus ternos fossem caros, encontrei educação alguma em seus gestos. Olhares e sorrisos maliciosos, examinando cada parte de meu corpo semi-desnudo.
ㅡ Qual o seu nome, garota? ㅡ Àquele de cabelos castanhos perguntou, retirando o palito de dentes da boca.
ㅡ Daisy Kim.ㅡ Respondi conforme meu chefe instruiu.
Para a minha surpresa, não cometi o erro de gaguejar, na verdade, acho que pareci até confiante.
ㅡ Venha aqui, docinho.ㅡ Vi-o bater, levemente, as mãos nas coxas, e obedeço.
O coração acelerava só de pensar no que vinha em seguida.
Desconfortável, forcei-me a rir das piadas machistas que eles contavam, ignorando o fato de um deles estar segurando a minha cintura, forçando o atrito de nossas intimidades. Repulsa, repulsa de seus toques nojentos, das risadas altas, do dinheiro, dessa gente e, principalmente, de mim mesma. Queria desabar em lágrimas, desvencilhar de suas mãos. Entretanto, concluir isso seria dar adeus à carreira dos sonhos. Fiquei, aguentei, e ainda estou aguentando.
Noto a respiração falhar, dedos retirando o sutiã rendado, da cor branca, que meu próprio chefe escolheu para esta ocasião. Não importa o quanto eu esfregue a bucha em minha pele, continuo me sentindo encardida.
O preço que pago para permanecer no topo é o mesmo que não me permite olhar para o espelho. Sim, é aquele que pago pela fama e pelo dinheiro que ganhei muito cedo.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Gaara
Adoro como você narra as emoções dos personagens, faz eu me sentir conectada com eles.
2023-07-29
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