CECÍLIA
— A última — Falei cansada e sentei no sofá dentro da minha loja.
O senhor FitzClarency estava varrendo o salão, mas parou e foi fechar a porta da loja assim que a última cliente saiu.
Eu estava grata pela sua companhia e ajuda, e por mais que ele fizesse tudo errado às vezes, eu acabava me divertindo o auxiliando. O dia tinha sido muito mais prazeroso.
— São quase sete horas da noite, a senhorita não trabalha demais? — Ele perguntou parecendo preocupado.
Eu estava tentando entender o senhor FitzClarency. Ele definitivamente não queria um relacionamento romântico comigo, mas então qual era o motivo para ele me seguir tão religiosamente?
Inicialmente pensei que ele queria se divertir, mas ele já teria ido embora se esse fosse o caso. No entanto, ele tinha trabalhado o dia todo sem reclamar.
— Trabalho, mas o que eu poderia fazer em casa nessas horas? — Retruquei. — Prefiro ficar aqui onde tem mais diversão.
— Às vezes a senhorita parece uma menina quando fala — Ele riu e voltou a varrer.
— O senhor pode deixar tudo como está, amanhã cedo as meninas chegam para limpar — Avisei e levantei do sofá. — Vamos para casa.
— Vamos? — Ele me olhou curioso.
— Sim, o senhor para sua e eu para a minha — Esclareci.
Ele assentiu e foi guardar a vassoura. Terminei de guardar alguns materiais enquanto o esperava.
— Tem planos para hoje à noite?
— Sim, pretendo dormir bastante — Respondi e ele riu.
— É uma pena, queria convidar a senhorita para um passeio.
— O senhor ainda não enjoou da minha companhia?
— De modo algum.
Sorri. Eu tinha sido uma boa pessoa e estive ocupada demais para irritá-lo. Era normal que ele estivesse começando a apreciar minha companhia.
— Eu deveria provocá-lo agora que a loja fechou?
— Sinta-se à vontade — Ele disse sem se abalar.
Eu estava sorrindo até sairmos da loja e encontrarmos o meu primo Richard. Ele estava com um buquê de flores e parecia bem arrumado.
Já senti a dor de cabeça que estava por vir, não era a primeira vez que ele inventava de me cortejar descaradamente. Como se um buquê me fizesse cair aos seus pés.
— Senhorita Cecília! — Ele disse e sorriu nojento.
Eu odiava quando ele me chamava dessa forma, era como um protesto silencioso ao meu casamento já que senhorita só era usado por moças solteiras.
— O senhor deseja alguma coisa? — Senhor FitzClarency perguntou e segurou minha mão.
Seu gesto foi tão natural que fez meu coração se aquecer. Não queria admitir, mas eu estava adorando ter um marido em alguns momentos do dia.
— Eu queria convidar a minha prima para um passeio.
— Não estou interessada — Respondi grosseiramente.
— É apenas um...
— Não a ouviu da primeira vez? Minha esposa não deseja contato — Senhor FitzClarency disse irritado. — Poderia se retirar, por gentileza?
Meu primo se aproximou sem se intimidar com as palavras do senhor FitzClarency.
— Eu não sei o que a senhorita fez para que esse homem fingisse ser seu marido, mas vou descobrir e desmascará-la... A senhorita não terá escolha além de casar comigo — Ele murmurou e olhou para FitzClarency. — E o senhor deve ter bons motivos para encenar essa peça, não o deixarei impune por se meter em meus assuntos familiares.
— Senhor, eu sou conhecido por ter pouca paciência para desaforo — Senhor FitzClarency sorriu com ódio. — Se tem amor pela sua vida, peço novamente que se retire.
— O que o senhor poderia fazer no meio da rua? — Richard desdenhou.
Diante dos meus olhos, o senhor FitzClarency ergueu Richard do chão com apenas uma mão em suas vestes. As pessoas da rua se aglomeraram perto de nós enquanto Richard ficava vermelho e tentava se soltar.
— Ouçam todos — FitzClarency disse num tom alto e autoritário. — Esse homem é um pervertido que fica importunando minha mulher, hoje eu darei apenas um aviso para ele, mas se ele voltar a chegar perto da minha Cecília, vou matá-lo.
O senhor FitzClarency jogou Richard no chão enquanto as pessoas nos olhavam com pavor. Escutei alguns murmúrios dizendo "ele é o general de Fasnar" e "o senhor Evans não tem vergonha?"
— FitzClarency, matar é crime — Sussurrei sem graça.
— Mesmo? Quem se opôr que fique à vontade para reclamar com o segundo príncipe em pessoa — Ele retrucou. — Ele é o responsável pelas punições do reino.
Sorri nervosa. Apesar dele ser o general, não sabia se o segundo príncipe o favorecia ao ponto de perdoar um assassinato por motivos pessoais.
De qualquer forma me senti grata quando Richard saiu correndo ao ser vaiado pelas pessoas.
— Vamos — Senhor FitzClarency disse e me puxou pela mão.
— Vamos onde?
— Vou levá-la para casa.
Escutei alguém dizer "tão romântico" e morri de vergonha. Felizmente o senhor FitzClarency parecia acostumado com a atenção pública e agia com naturalidade.
— Onde está seu cavalo? — Perguntei quando nos aproximamos do meu que descansava em um pasto.
— Em casa — Ele respondeu. — Suba, vamos como naquele dia.
— Mas...
— Qual é o problema? — Ele retrucou estressado.
Havia algo errado. Por que ele estava tão bravo?
— Eu que pergunto — Me aproximei do seu rosto. Suas sobrancelhas estavam unidas demonstrando sua frustração. — Está bravo?
— Estou — Ele respondeu simples. — Suba, podemos conversar no caminho.
— Na verdade, eu sei andar sozinha e não é perigoso quando estou a cavalo.
— Não importa, suba.
— Realmente...
Senhor FitzClarency me calou ao segurar minha cintura e me fazer montar no cavalo. Antes que eu pudesse raciocinar ele subiu atrás de mim e passou o braço pela minha cintura com naturalidade. Em poucos segundos estávamos indo para minha casa.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
elenice ferreira
isso vai virar/Facepalm//Facepalm//Facepalm/ um salseiro, ela vai ser crucificada , achincalhada , xingada e aí afora!
2024-12-24
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Celma Rodrigues
Acho que o Amor pede passagem. Vai ser um escândalo quando a verdade vir à tona.
2024-11-11
0
ana
❤️❤️❤️
2024-11-10
0