THOMAS
— Quando pedi para ajudá-la pensei que seria ao seu lado — Reclamei.
— Eu tenho minhas ajudantes e além disso o senhor sabe costurar? — Ela perguntou e eu acenei negativamente com a cabeça. — Foi o que pensei, então fique aqui como um bom guarda, isso o senhor deve fazer melhor que qualquer um.
— Mas...
— Não há necessidade de simpatia, apenas mantenha a postura — Ela me interrompeu. — Obrigadinha!
Senhorita Evans entrou na loja e me deixou plantado na entrada. Apesar de estar irritado por minhas táticas de conquista não funcionarem como eu desejava, permaneci de guarda já que ela havia dado folga para seus verdadeiros guardas.
Não era um trabalho muito puxado, a cidade parecia bem segura e todos se conheciam. Eu tive que cumprimentar alguns estranhos que me reconheciam como marido da senhorita Evans, mas isso não me incomodou como há alguns dias atrás.
Uma carruagem com mercadorias chegou e a senhorita Evans logo saiu para receber. Observei a senhorita Evans andar de um lado para o outro com várias caixas enquanto atendia alguns clientes. Seu sorriso era sempre muito sincero, ela levava jeito para o que fazia.
Em algum momento, ela passou e direcionou um de seus sorrisos brilhantes para mim. Instintivamente sorri e ela riu logo entrando na loja novamente.
— Não quer que eu carregue? — Perguntei quando a vi passar novamente com dois rolos de tecido.
— Não precisa, eu sou bem forte.
— Você pode ser uma senhorita de vez em quando — Sussurrei perto do seu rosto e presenciei ela corar. Tirei as mercadorias dos seus braços. — Eu levo.
— Tudo bem... Eu vou organizar lá dentro então.
Assenti e a segui. Carreguei várias caixas e outros materiais de costura enquanto a senhorita Evans organizava em seu estoque.
Conversávamos ocasionalmente quase aos sussurros, pois suas funcionárias ainda estavam dentro da loja. Não queria admitir, mas o trabalho até que era divertido quando eu tinha a companhia da senhorita Evans.
— Não está cansado? — Ela perguntou depois de um tempo.
— Não e essa é a última — Respondi colocando a caixa no chão.
Eu realmente não estava cansado. Isso não era nada para alguém que já ficou um mês com comida escassa e ferimentos graves de batalha.
— Bom, é quase hora do almoço — Ela disse e desviou o olhar para os papéis em suas mãos. — O senhor pode me acompanhar se desejar.
Sorri internamente, eu finalmente estava tendo algum progresso. Bernard tinha razão sobre alguns conselhos.
— Aceito.
— Então vamos, aqui perto uma senhora faz uma comida maravilhosa — Senhorita Evans sorriu e me puxou pela mão.
Tentei agir com naturalidade. Foi a primeira vez que seguramos a mão um do outro, porém foi mais confortável do que pensei.
— Vamos — Segurei firmemente sua mão e a acompanhei.
Encontramos conhecidos pelo caminho, mas a senhorita Evans não parou para cumprimentá-los.
— Pensei que gostasse de se exibir — Não resisti não provocá-la.
— Esses não eram tão divertidos de brincar — Ela sorriu com diversão. — Eu só atormento quem me atormentou.
Dei risada. A senhorita Evans era engraçada. Se eu não tivesse presenciado sua gentileza com pessoas que a estimavam, acreditaria que ela era completamente malvada.
— Muito justa.
— Sempre fui... É aqui — Ela parou de caminhar em frente a uma espécie de pousada. — Vai amar a carne que ela faz.
— Confiarei em você.
— Ceci! — Uma senhora da idade da minha mãe nos cumprimentou e logo olhou para nossas mãos unidas. — Esse é o famoso senhor FitzClarency?
Era uma senhora um pouco robusta, baixinha e com uma energia maternal. Pelo sorriso da senhorita Evans percebi que devia ser mais uma das pessoas que cuidaram dela na ausência dos seus pais.
— Prazer em conhecê-la — Falei cortês e ela me deu um grande tapa nas costas fazendo a senhorita Evans rir.
— Se faz nossa Ceci feliz é muito bem-vindo — Ela sorriu.
— Mesa para dois, senhora Teresa — Senhorita Evans pediu e sorriu animada. — E aquela carne maravilhosa que a senhora só faz segunda.
— Se seu marido gostar muito posso ensiná-la — Senhora Teresa piscou cúmplice.
— Adoraria que a Cecília cozinhasse para mim — Sorri e ela me olhou. — Você cozinha, querida?
Senhorita Evans ficou vermelha e virou de costas para mim. A senhora Teresa riu e me olhou com aprovação.
Eu estava satisfeito. Não sabia como, mas estava conseguindo arrancar muitas emoções positivas da senhorita Evans.
— Dez anos de casados e continuam tão apaixonados — Senhora Teresa disse emocionada. — Não constranja sua senhora, senhor FitzClarency, sentem naquela mesa e logo trarei os pratos.
Eu a obedeci e puxei a senhorita Evans para sentar ao meu lado, mas ela sentou na cadeira que estava na minha frente.
— O senhor está cada vez melhor, cursou teatro na capital?
— A senhorita também, até ficou vermelha — Comentei e ela desviou o olhar. — Se fosse qualquer outra mulher, eu diria que está gostando de mim.
— Quem gostaria de você!? — Ela retrucou parecendo ofendida e eu ri. — O senhor no fim é mesmo só um pervertido.
Meu rosto esquentou ao lembrar do dia que fui expulso da loja. Não era minha intenção segurá-la daquela forma...
— Foi um acidente!
— Está corando — Ela sorriu com malícia. — Se não fosse o senhor, eu diria que está apaixonadíssimo por mim.
— E se eu estiver? — Retruquei.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Celma Rodrigues
Os dois estão apaixonados, só não aceitaram.
2024-11-11
0
New Biana
muito boa essa história ♥️
2024-07-31
2
Rosária 234 Fonseca
hum cada hora ficar melhor kkkkk
2023-09-27
7