THOMAS
Eu não pretendia me meter, mas ao ver a senhorita Evans em apuros e claramente sendo intimidada por um casal, não pensei duas vezes e fui salvá-la. Fazia parte da minha personalidade ajudar quem precisasse e com ela não seria diferente.
— Senhor FitzClarency!? — A mulher perguntou surpresa.
Escutei alguns murmúrios dizendo meu nome e o nome da senhorita Evans.
— Vai me responder o motivo para estar zombando da minha esposa ou não?
— Senhor, foi um mal-entendido — O homem sorriu sem graça. — Minha esposa e a sua são boas amigas e...
— Engraçado, a Cecília nunca me falou da sua esposa.
A senhorita Evans tentou se desprender do meu abraço, mas eu continuei a segurando firmemente. Ela não iria fazer uma cena agora e envergonhar nós dois, agora que eu estava fazendo esse papel iria até o fim.
— Desculpe senhor general... Peça desculpas — O homem puxou sua esposa.
— Quem garante que ele é mesmo um general?
Sorri e tirei meu brasão do meu bolso. Não era apenas um brasão comum do exército, mas também o da família real, o brasão da família FitzClarency.
— Peça desculpas! — O homem esbravejou ao ver o brasão.
— Desculpa, senhor general! Não queríamos ofendê-lo.
— Peça desculpas para a senhora FitzClarency — Falei num tom frio.
Ambos se desculparam repetidas vezes e então saíram quase correndo. As pessoas a nossa volta nos olhavam com curiosidade e admiração já que meu brasão estava visível para todos.
Vi Bernard de longe com a senhorita que ele havia tirado para dançar. Seu sorriso era de aprovação.
— Senhor FitzClarency, reconheço que é meu esposo, mas esse comportamento em público é...
— Vamos dançar — Decretei e então olhei para os outros convidados. — O que estão olhando? Dancem!
Apesar de ninguém me conhecer, meu tom os fazia me obedecer. Ser um príncipe tinha suas vantagens afinal, mas era a primeira vez que eu usava esse poder que eu tinha para um bem pessoal.
A música começou e eu segurei a mão e a cintura da senhorita Evans que desajeitadamente colocou a mão em meu ombro. Seu olhar estava diferente, mas ela não parecia com raiva.
— Você sempre suporta esse tipo de piada? — Perguntei num tom baixo para que só ela escutasse.
— Às vezes eu falo alguns palavrões que acaba calando a boca deles — Ela respondeu sorrindo.
Acabei rindo. É claro que a maluca da senhorita Evans devia ter tudo sob controle.
— Eu devia imaginar... Mas a senhorita parecia em apuros.
— Estava tudo certo... Mas obrigada.
— Tudo bem, eu fico feliz em dar uma lição em pessoas maldosas.
Ela sorriu e segurou mais firme em meu ombro. Nesse momento entendi o que Bernard queria dizer, as mulheres não eram conquistadas com um comportamento bruto ou palavras galanteadoras. Até mesmo a durona senhorita Evans parecia ser atingida por um bom cavalheirismo.
— Agora todos sabem quem você é — Ela riu parecendo ansiosa. — Isso tudo foi muito constrangedor.
— Achei que fosse imune à vergonha.
— O senhor não me conhece tão bem ainda.
O "ainda" não me passou despercebido. Girei a senhorita Evans algumas vezes e a trouxe para mim novamente, ela ria se divertindo bastante e mais de uma vez percebi que eu também estava sorrindo.
A música infelizmente acabou e eu a levei para sentar já que naturalmente devia estar cansada.
Bernard e sua companhia apareceram e ao ver a senhorita Evans cochichando com sua amiga entendi que estava na hora de eu ir.
— Já vai senhor FitzClarency? — A amiga dela perguntou.
— Eu não gosto muito de bailes — Fui sincero.
— Parecia bem entretido quando dançou com a Ceci.
Senti meu rosto esquentar e forcei um sorriso para fingir que não estava constrangido.
— Dançar é divertido quando se tem uma boa companhia — Eu disse e então estendi minha mão para a senhorita Evans que hesitou, mas me deu sua mão. Eu beijei as costas de sua mão e a soltei delicadamente. — Boa noite.
— Você é o marido dela, idiota, que história é essa de boa noite? — Bernard sussurrou, mas não baixo o suficiente já que a senhorita Evans e sua amiga começaram a rir.
— Bem lembrado, Bernard — Sorri com raiva e olhei para a senhorita Evans. — Devo esperar minha esposa?
— Ah não é necessário, estou me divertindo bastante ainda, está liberado — Ela acenou com a mão sem importância.
— Ótimo, vamos Bernard.
— Mas...
— Vamos.
Eu estava mais constrangido agora com as risadas mal contidas da senhorita Evans e sua amiga.
Consegui tirar Bernard de dentro do salão, se ele quisesse voltar poderia, mas eu precisava que ele me acompanhasse e fizesse o trabalho de socializar com os anfitriões.
— Tom, eu tenho que te parabenizar — Bernard disse quando ficamos sozinhos.
— Pelo o que? — Perguntei confuso.
— Sua encenação foi incrível! O jeito que levantou completamente irritado e salvou sua mulher... E a dança totalmente sem pudor — Ele gargalhou. — Se eu seguro daquele jeito a cintura de uma mulher, eu definitivamente estou doidinho por ela, se eu não te conhecesse pensaria que está apaixonado!
Eu o olhei assustado.
— Como eu poderia estar apaixonado? Ficou louco? Dançou demais e tonteou a cabeça? — Bati em sua testa. — Eu nem a conheço.
— Eu sei! Mas foi muito convincente.
Convincente... Eu não havia fingido aquilo, apenas minha despedida e o pedido para dançar haviam sido planejados cuidadosamente...
Deixei que Bernard me elogiasse o quanto quisesse e me convenci de que eu era mesmo um brilhante ator.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Celma Rodrigues
Acho que temos um General abatido não combate do amor.
2024-11-11
0
ana
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2024-11-10
0
Juliana Santos
eita mas eles tinha q irem embora Ju tos cm assim ele foi e ela ficou kkk
2024-07-20
2