CECÍLIA
Assim que cheguei em casa pedi para que minha amiga e empregada Mary mandasse um dos meus homens contatar a Bianca imediatamente.
Eu estava totalmente surpresa pelo senhor FitzClarency realmente existir e de fato ser um general... Se tudo não passasse de um mal-entendido, eu estaria condenada! Era um crime grave forjar um casamento e ainda mais se fosse com alguém de alto status.
— A senhorita Peterson chegou — Meu mordomo avisou e eu acenei com a mão para que ele a mandasse entrar.
Assim que Bianca entrou na sala sua expressão estava carregada de preocupação, eu jamais a chamaria com tanta urgência se não fosse um assunto sério.
— Ceci! — Ela veio ao meu encontro e me analisou. — Você está bem? O senhor Evans fez alguma coisa com você?
O senhor Evans era o meu primo Richard que infelizmente compartilhava o mesmo sobrenome que o meu de solteira.
— Estou, mas estou condenada, Bia — Lamentei. — Um senhor com o mesmo nome do meu marido apareceu aqui me procurando!
— O que!?
Contei todos os detalhes para a Bia sem ocultar a beleza do meu herói. De certa forma não seria um mau negócio ser casada com um homem bonito e aparentemente da minha idade, porém, eu não sabia nada sobre sua personalidade... E se ele fosse um sádico machista?
— Ah... Ele existe né — Bia desviou o olhar como se estivesse nervosa.
— Bia, você não parece surpresa.
— Eu estou! Quem diria que criaríamos alguém que realmente existe!
— Bia — Eu a encarei com suspeita. — Você criou sozinha e também arrumou os documentos para mim... O senhor FitzClarency realmente existe, não existe?
Na época a Bia fazia parte do coral da igreja e por isso tinha acesso a todos os documentos guardados pelo padre. Numa noite após as cerimônias religiosas, eu e ela ficamos na sala de escrita do padre com a desculpa de que queríamos estudar alguns versículos e ela me casou com o senhor FitzClarency que na época tinha vinte e dois anos... Ainda bem que depois me confessei nas minhas orações antes de dormir.
— Ceci, você estava em apuros! E casamentos falsos não existem, eu precisava de uma prova concreta!
— Então é por isso que me deixaram em paz por um tempo... Eu sabia que meu primo não seria enganado tão facilmente — Pensei em voz alta e então a olhei assustada. — Bianca, sou uma mulher casada!
— Cecília, para de brincadeira, você não consumou seu casamento ainda, é óbvio que não é válido!
— Mas ele veio atrás de mim... Ele descobriu que está casado, meu Deus e se ele tiver outra esposa!?
— Só podemos nos registrar como casados com uma pessoa, talvez ele queira o divórcio caso tenha achado a donzela dele.
Assenti. Fazia total sentido. Mas eu não podia me divorciar e cair nas garras do meu primo, além disso eu seria uma piada maior ainda se me divorciasse de um marido que sequer vivia comigo.
— Estou condenada!
— Não está não — Bia sorriu maldosa. — Você disse que ele é bonito e de fato um general... Por que não o conquista?
— E perder minha liberdade? Jamais!
— Ceci, precisa parar de ler essas mulheres vulgares.
— O feminismo...
— ... Não é vulgar, é a libertação das mulheres — Bia completou comigo.
— Você decorou!
— É claro, você fica falando essas besteiras o tempo todo, por isso os homens tem medo de você.
— Eles só não aceitam uma mulher mais rica e dona do próprio negócio — Cruzei os braços. — E esse senhor FitzClarency também não deve aceitar.
Eu cresci na loja de roupas do meu pai e apesar dele ser o dono, minha mãe era quem criava todas as peças. Ele havia feito a loja para ela e deixava ela administrar tudo. Quando eu tinha doze anos, ela faleceu por causa de uma pneumonia grave e eu passei a seguir seus passos.
Acontece que acabei gostando muito de desenhar e criar roupas, e mesmo após a morte dos meus pais permaneci com a loja fazendo uma fortuna não apenas na minha cidade, mas também nos vilarejos vizinhos.
— Não acha que está na hora de descansar e deixar um bom homem cuidar de você?
— Cuidar de mim!? — Dei risada. — Se for assim, eu deveria casar com a Mary.
— Cecília!
Continuei rindo enquanto Bianca me reprovava. Eu não estava mentindo, Mary era minha empregada há muitos anos e era como uma irmã mais velha para mim, não havia nada que eu precisasse e ela não conseguisse para mim.
— Eu vou escapar dele, Bia, não se preocupe, não terá divórcio e nem casamento.
— Como pretende fazer isso?
— Eu fujo do Richard há dez anos, quem esse senhor FitzClarency pensa que é?
— Um general de alto escalão... ?
— Bia, você está me deixando estressada — Eu a olhei feio. — Por que não me faz um favorzinho?
— Eu sabia que não tinha sido chamada aqui à toa.
Sorri perversamente. Eu precisava conhecer meu inimigo antes de fugir dele, onde ele morava? Que lugares frequentaria em minha cidade? Ele iria aos bailes das temporadas? Eu não tinha informação nenhuma.
Por isso pedi para que a Bia conseguisse informações com seu irmão mais velho que conhecia muitas pessoas já que ele era comerciante e tinha uma vantagem sobre mim por ser homem.
Esse senhor FitzClarency infelizmente tinha ido atrás da mulher errada.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
elenice ferreira
quem será que vai matar, quem 1o? /Joyful//Joyful//Joyful//Joyful/
2024-12-24
1
Celma Rodrigues
Eu também acho que eles devem consumar o casamento e serem muito felizes.
2024-11-10
0
ana
☺️☺️🤣🤣🤣🤣🤣top essa estória
2024-11-10
0