CECÍLIA
— O que foi aquilo!? — Bia disse assim que ambos os homens saíram.
Eu me abanei agradecendo ter acabado de dançar senão não teria uma desculpa decente para o calor que eu estava sentindo em meu rosto.
— Não faço ideia — Sorri animada. — Você viu o jeito que ele ficou quando o senhor Reagan o provocou?
Bia gargalhou assentindo. Tinha sido fofo, eu tinha que admitir.
Não sabia quais eram as intenções do senhor FitzClarency ao me ajudar, mas senti sinceridade nele e isso mexeu um pouco comigo... Principalmente pelo seu abraço repentino.
Pude sentir todo o cheiro masculino banhado com algum perfume desconhecido para mim, mas muito atraente.
— Você devia ter visto a cara da senhora Becker — Bia sussurrou e eu ri. — Mas na verdade foi bom que não visse, senão eu teria perdido você sendo abraçada tão forte pelo seu homem.
— Ele não é meu homem — Sussurrei irritada. — Mas não posso mentir, foi muito agradável.
— Cecília!
Nós duas rimos como duas adolescentes. Eu estava um pouco animada com os olhares que direcionavam para mim agora, depois de tantos anos sendo julgada era realmente bom esclarecer tudo... Mesmo que fosse uma mentira.
Eu devia uma para o senhor FitzClarency, sua reputação estava em jogo após anunciar que era meu marido... O que sua noiva poderia pensar se ficasse ciente desse ocorrido?
Noiva... Eu quase me esqueci que o senhor FitzClarency estava noivo e possivelmente apaixonado já que ele não parecia ser um homem simples, e dinheiro também não parecia ser problema.
— Tudo bem, Ceci? Ficou com uma expressão estranha de repente.
— Tudo ótimo — Forcei um sorriso. — Só lembrando de algumas coisas.
— Envolve um certo senhor FitzClarency?
— Claro que não — Menti, mas minha amiga se aproximou e me olhou suspeita. — O que foi?
— Você parecia feliz com ele, depois feliz falando dele... E agora que ele não está... De repente está triste.
— Você deveria ser escritora sabia? Sabe inventar casamentos, intrigas...
— Só estou falando o que meus olhos veem.
— Está cega.
— Talvez eu esteja... Talvez não.
— E você? Senhorita noiva que dançou com um estranho — Eu a provoquei e sorri satisfeita ao vê-la corar.
— O que quer dizer com isso? Eu estava ajudando você!
— Eu deveria te agradecer pelo grande sacrifício que você fez realmente, dançar com um homem bonito que castigo horrível.
— Ceci! — Bia deu risada. — Não diga bobagens, eu estou noiva.
— Certo, certo, você não me provoca e eu não te provoco.
— Combinado.
Passamos o resto do baile fofocando e ocasionalmente encontrávamos alguma conhecida que tinha novidades. A noite foi divertida, mas não podia negar que o melhor momento tinha sido quando dancei nos braços do senhor FitzClarency... Só não sabia o que essa felicidade estranha significava ainda.
...****************...
No dia seguinte eu já sabia o que estava sentindo pelo senhor FitzClarency: gratidão. Era lógico, ele havia me ajudado mais de uma vez e eu me sentia completamente grata, mas não sabia como agradecer devidamente ainda...
— Senhora, aquele mesmo homem deseja falar com a senhora novamente — Meu mordomo me avisou.
— Pode deixá-lo entrar.
Ele assentiu e minutos depois vi o senhor FitzClarency entrar na sala de visitas da minha casa.
— Bom dia, senhorita Evans — Ele me cumprimentou. — Vejo que está disposta a me receber hoje.
— Considere um gesto de paz já que me ajudou ontem — Expliquei e então apontei para o sofá que eu estava sentada. Ele entendeu e sentou ao meu lado, mas com uma distância respeitável. — O senhor teve sorte, geralmente essa hora estou na minha loja.
— Eu estou bem informado, soube que aos sábados a senhorita deixa a loja sob os cuidados dos seus empregados.
Eu estava um pouco impressionada por ele saber tão bem sobre a minha vida, mas não deveria esperar menos de um general tão importante.
— E qual é o motivo da visita do senhor? Se for sobre o divórcio...
— Não, não é sobre isso — Ele me interrompeu. — Gostaria de saber se a senhorita estará livre hoje ao entardecer.
Pisquei. O senhor FitzClarency estava me chamando para um passeio?
— Depende, para o que exatamente eu estarei livre?
— Teatro, acredito que a senhorita não frequente muito por ser um evento noturno.
— Sim, eu só poderia ir se fosse com o meu... Marido — Entendi seu ponto. — O senhor não precisa fazer essas cortesias para mim.
— Eu estou na cidade de qualquer forma e meu amigo gosta muito de sair, eu apenas estou arrumando uma companhia e já que é minha esposa...
— Não somos casados de fato — Ri nervosa. — Mas acompanho o senhor.
Ele sorriu e eu tentei não demonstrar minhas suspeitas. O senhor FitzClarency parecia estar aprontando alguma coisa, mas eu ainda não sabia o que era, mas era um fato que ele estava diferente.
— Encontro a senhorita às cinco no centro da cidade, podemos caminhar um pouco.
— Combinado.
O senhor FitzClarency repetiu o gesto da noite anterior e pegou minha mão depositando um beijo lento.
— Me despeço agora, até.
— Até.
Ele saiu e eu fiquei na sala olhando as costas da minha mão que pareciam queimar após sentir os lábios daquele estranho homem.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Celma Rodrigues
E o amor está surgindo. Que top.
2024-11-11
0
Daniele Oliveira
Já que ela está tão à frente do tempo dela, espero que não caia na lábia dele e ele se arraste atrás dela.
2023-11-23
7
ESSA É SUA CARTA
antigamente tinha divórcio ? ?????
2023-11-05
1