CECÍLIA
— Ciúmes? — Levantei e o encarei de perto. Ele sorriu do mesmo jeito estranho de antes... Então essa expressão era de ciúmes... — Por que está com ciúmes?
— Não posso ter ciúmes da minha querida?
Suas palavras mesmo que não tenham sido ditas com um tom afetuoso, fizeram meu coração acelerar. Era a primeira vez que ele me tratava por "querida".
— Não temos companhia, então poupe esse teatro — Falei constrangida.
O senhor FitzClarency tinha reservado uma mesa especialmente preparada para pessoas importantes como nobres e não havia ninguém próximo o suficiente para nos ouvir. Ele devia ter gastado um bom dinheiro ou usado seu título de general.
— Deixou a senhora FitzClarency com vergonha, Thomas.
FitzClarency me olhou com curiosidade e Bianca riu baixo. Meu rosto esquentou mais ainda.
— O senhor não me chame de senhora FitzClarency — Apontei o dedo de um jeito ameaçador para o senhor Reagan que apenas riu. — Vamos, Bia!
— Mas, de repente...
Eu a puxei e a fiz andar apressada para fora do teatro. Eu estava muito constrangida e não queria que o senhor FitzClarency me visse daquela forma. Ele poderia confundir a situação.
— Ceci, Ceci! — Bia me parou no meio do caminho. — O que você tem!?
— Nada, não tenho nada — Menti. Ela me olhou mais de perto. — O que foi?
— Você realmente está tímida? Por que? — Ela perguntou confusa.
— Você não ouviu o que ele disse!?
— Ele claramente estava usando um tom muito sarcástico, não gostei nenhum pouco.
Bianca tinha razão, mas mesmo com esse tom, as palavras haviam mexido comigo de uma forma assustadora.
— Me pegou de surpresa — Expliquei e respirei fundo. — Ele é sempre tão certinho e indiferente...
— Deve ser ruim provar do próprio veneno.
— Bia!
— Você é quase uma libertina, só falta isso aqui — Ela me mostrou seus dedos quase unidos. — Para você ser oficialmente a libertina da cidade.
— Eu só tenho fama, você sabe que nada disso é...
Parei de falar quando o FitzClarency e o Reagan nos alcançaram. Bia sorriu e logo foi acompanhar o senhor Reagan. Eu apenas tentei fingir que não vi o senhor FitzClarency se aproximar de mim.
Porém, foi impossível já que ele pegou minha mão e colocou em seu braço com naturalidade. Decidi não falar nada e aguentar até que nos separássemos.
— O senhor deveria ter ciúme do Senhor da Justiça — Bia comentou enquanto caminhávamos.
Infelizmente ambos os homens estavam entre mim e Bia, senão eu a beliscaria até sua alma sair do corpo!
— Não diga isso, senhorita Peterson! — Senhor Reagan a repreendeu e então me olhou. — A senhora gosta desse bandido?
— Bandido!? — Retruquei com irritação. — Ele é o meu maior exemplo!
Senti o senhor FitzClarency ficar tenso, mas não me importei. O Senhor da Justiça era o meu ídolo há muitos anos, desde que chegou aos meus ouvidos seus grandes feitos com o povo pobre dos vilarejos perto do palácio.
O Justiça costumava roubar as mercadorias da nobreza e doar aos pobres. Todos o admiravam... Com exceção da família real que era sua inimiga declarada.
— Gosta do segundo príncipe e de um bandido, minha esposa realmente é extraordinária — Senhor FitzClarency falou num tom irritado e nossos amigos riram. — Aliás, eu sou o principal general do segundo príncipe e já tive que lutar com esse bandido, não é grande coisa.
— Você é sempre engraçado, Thomas — Dei risada. — Todos sabem que o Justiça aprendeu artes marciais quando morou alguns anos no oriente.
— A senhora é uma fã de verdade — Senhor Reagan me aprovou e me mostrou seu polegar para cima. — Só não deixe seu marido com ciúmes novamente.
O senhor FitzClarency não parecia tão enciumado assim, mas algo definitivamente o incomodava.
— Eu tenho admiração pelo Senhor da Justiça e nada mais — Esclareci pois estávamos em público e não havia necessidade de constranger o senhor FitzClarency.
— Mas você claramente disse que casaria com...
— Senhorita Peterson, deixe as coisas como estão — Senhor Reagan a interrompeu com um sorriso ansioso. — Esse homem é inimigo do Tom, não devemos provocá-lo.
— O senhor não sabe artes marciais? — Perguntei discretamente ao senhor FitzClarency que me olhou com irritação. — Certo, certo, sem perguntas!
Apesar dele estar irritado, não pude deixar de sorrir, era engraçado que ele realmente se importasse com quem eu admirava. Mas não sabia o que isso queria dizer já que não éramos nada um do outro, no máximo parceiros de crime.
O clima ficou mais leve quando o senhor Reagan começou a falar sobre como era o centro de Fasnar, onde apenas os nobres viviam, e eu senti vontade de conhecer esse lugar por mais que jamais me permitissem entrar sem um bom motivo.
Antes que eu me desse conta, estávamos em frente à minha carruagem. Estava na hora de nos despedirmos.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Celma Rodrigues
Thomas é ciumento e o fiel escudeiro tentou amenizar, mais a Cecília nem tem noção.
2024-11-11
0
Audilene Lima
Meio sem nexos, até agora.
2024-09-11
0
Lucilene Palheta
o povo ainda não estranhou que eles dormem em casas separadas ? ou era costume da época? kkk viajei na imaginação kkk amando
2024-05-30
4