THOMAS
Demorou poucos minutos para chegar até a residência daquela senhorita incomum. Eu estava começando a cogitar se ela tinha algum problema mental ou se era apenas vulgar quando a senti se aconchegar mais ainda em meu corpo.
Confesso que a viagem foi no mínimo estressante, eu não costumava me render aos prazeres carnais e meus amigos mais íntimos eram homens. As únicas mulheres que me abraçavam eram minha mãe e minha irmã mais nova, o que sequer podia ser considerado contato com mulher já que eram minhas parentes de sangue.
Além de toda essa loucura, eu estava estressado pela situação que eu estava metido sem meu consentimento. Após minha mãe insistir que eu deveria casar já que já tinha trinta e dois anos, acabei aceitando qualquer pretendente que ela escolhesse, o problema começou quando meu empregado me disse que eu já estava casado.
Eu definitivamente não havia casado com ninguém, mas era totalmente verídico o matrimônio já que haviam usado meus registros de batismo de quando eu era criança.
Minha atual esposa então morava na cidadezinha que minha mãe estava de viagem há anos atrás e descobriu que estava grávida do seu segundo filho. Meu pai extremamente preocupado não permitiu que ela viajasse até o meu nascimento e depois, por minha saúde, nos instalamos aqui até eu completar um ano de vida.
Agora eu precisava achar minha suposta esposa e me divorciar o mais rápido possível, felizmente isso não chegou aos ouvidos de ninguém da corte e do exército, senão eu estaria literalmente ferrado já que além de general, eu era o segundo príncipe de Fasnar. E para piorar a situação, minha mãe já havia entrado em contato com o rei de Gloenia para marcar o noivado entre mim e sua filha mais nova.
— Chegamos, é logo ali — A senhorita apontou para um grande terreno com uma bela mansão.
Ela era rica afinal de contas. Suas vestes também não era simples, nem suas joias, apenas seu comportamento contrariava isso.
Eu não sabia também se ela era casada já que além de não ser tímida, ela tinha mais ou menos minha idade. Bom, definitivamente ela não era como minha irmã de dezoito anos.
— A senhorita deve pedir ao seu pai para ser acompanhada já que tem um bandido que a persegue.
— Meus pais faleceram — Ela disse num tom simples. Devia fazer muito tempo já que o luto parecia ter passado. — Só tenho meu marido, mas ele está sempre viajando.
— A senhora é casada? — Perguntei surpreso e logo adotei o tratamento de "senhora".
Isso explicava sua falta de vergonha perto de homens. De certa forma me aliviava um pouco, ela não era uma donzela vulgar afinal.
— Sim, surpreso? — Ela sorriu com diversão. — Eu não me apresentei, mas todos me conhecem na cidade, sou Cecília FitzClarency.
— FitzClarency!?
— Sim, é um nobre nome, você não acha?
Sim, eu achava, na verdade tinha certeza já que era o meu nome. O nome da família real... Não podia ser, essa senhora não podia ser minha esposa vigarista.
Desci do cavalo e comecei a tatear meus bolsos em busca do retrato que meu informante havia feito da minha esposa. Dei um passo para trás quando vi a senhora que estava em meu cavalo retratada perfeitamente em uma pintura... Seu nome também estava lá, porém o de solteira, Cecília Evans.
— Senhorita Cecília Evans? — Confirmei para não cometer nenhum erro.
— Nossa, não me chamam assim há uns dez anos — Ela riu. — Sou a senhora FitzClarency agora, senhorita Evans é meu nome de solteira.
Eu estava surpreso. Era mesmo minha falsa esposa, eu não podia acreditar que estive tão perto e até mesmo a salvei. Ela devia ser presa por forjar matrimônio, principalmente com alguém da nobreza!
— Permita-me que eu me apresente — Sorri com ódio. — Sou Thomas FitzClarency, general comandante de Fasnar.
— O senhor tem o mesmo nome que... O meu marido — A senhorita Evans me olhou surpresa e então desceu do cavalo.
Eu sabia que ela iria correr, por isso fui mais rápido e a segurei. Porém, fiquei totalmente imóvel quando ela de repente me abraçou apertado.
A afastei na hora e o tempo que eu fiquei constrangido e confuso foi tempo suficiente para ela sair correndo.
— Senhorita Evans! — Gritei atordoado e ela apenas acenou enquanto corria para casa. — Que mulher astuta!
Subi em meu cavalo pronto para alcançá-la, mas fui parado por cinco homens que protegiam a entrada da residência.
— Senhor, essa residência é privada.
— Meus bons homens, eu preciso conversar com a senhora dessa casa — Pedi educadamente.
Eles se olharam e então riram. Um deles tirou a espada da bainha e apontou para mim.
— Não é o primeiro a querer mexer com a nossa senhora Cecília, vamos pedir educadamente que se retire — O líder deles continuou me ameaçando com a espada.
Sorri com irritação e assenti. Eu poderia descer do meu cavalo e acabar com os cinco de uma vez, mas não queria causar uma confusão e quanto menos pessoas soubessem que a senhorita Evans estava casada comigo melhor.
— Tudo bem, mas avise a senhorita Evans que em algum momento devemos nos encontrar.
— Vamos avisar... Mas nossa senhora só vai falar com o senhor se ela quiser.
Eu tinha que admitir que a senhorita Evans era realmente impressionante por conseguir fazer os homens a obedecerem.
Mas não importava o quão difícil essa mulher era, eu conseguiria o divórcio por bem ou por mal.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
elenice ferreira
olha a merda que isso vai dar! vai ser um jogo de 🐈 e 🐁 kkkkk, pq ela é malandra e ele determinado a se divorciar! /Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm/
2024-12-24
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Celma Rodrigues
Amando. Ela encontrou o marido e eles ainda val se entender.
2024-11-10
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ana
comecei 09!11!24 amei
2024-11-10
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