THOMAS
Tentei parecer o mais natural possível quando o espetáculo se iniciou. Esperava que ninguém ali me conhecesse pessoalmente ou tivesse alguma pintura, senão eu estaria em apuros.
Não era grande coisa a senhorita Evans ser esposa de um general, meu melhor amigo Bernard era tão importante quanto um, assim como outros homens do meu exército, mas somente eu era o general comandante. De qualquer forma, nenhuma daquelas pessoas era capaz de distinguir a diferença entre mim e Bernard, por exemplo.
Porém, meu título de segundo príncipe não era algo que qualquer um podia ter, eu era o único segundo príncipe de Fasnar, pois eu não possuía nem mesmo um cunhado para que pudessem confundir. Se alguém me reconhecesse, certamente isso iria ao público e logo meus pais saberiam.
Olhei para a senhorita Evans enquanto ela assistia fascinada a peça. Eu já conhecia a história já que era algo sobre a minha vida e apesar de ter alguns exageros, como a minha extrema bondade e o choro demasiado da minha irmã mais nova, a peça era fiel ao enredo principal.
— Se olhar matasse, a sua senhora estaria mortinha no chão desse teatro — O demônio do Bernard sussurrou perto do meu ouvido.
Eu o olhei com irritação, pois mesmo no escuro ambas as senhoritas podiam ver que estávamos conversando algo.
Estávamos em uma mesa, nos andares de cima, eu ao lado da senhorita Evans, Bernard ao meu lado e em frente a senhorita Peterson que estava ao lado da senhorita Evans.
— Calado — Resmunguei de volta e respirei aliviado ao ver que elas estavam realmente imersas no espetáculo.
A peça não durou mais que uma hora e logo o ambiente estava iluminado novamente pelos candelabros acendidos pelos empregados do teatro.
Senhorita Evans sorria animada enquanto conversava com sua amiga, mas logo se voltou para mim.
— Gostou da peça, senhor FitzClarency? — Senhorita Evans perguntou.
— Sim, foi muito interessante... Exceto pelo exagero nas emoções do segundo príncipe.
— Mas esse é o encanto da peça! — Senhorita Peterson retrucou. — O amor de irmão, a dor que eles compartilham pela causa da primeira princesa... É tudo tão lindo.
— Na verdade, não aconteceu bem assim — Falei sem graça.
— O senhor é apenas um general, como poderia estar no quarto do príncipe assistindo tudo? — Senhorita Evans me contrariou enquanto sua amiga assentia com a cabeça.
Desisti. Elas não iam entender que a peça era enfeitada para comover o público. O que se passou de verdade foi apenas uma conversa entre mim e minha irmã, e depois eu apenas pedi para que meus pais a permitissem casar com quem ela amasse no futuro já que esse era o único desejo dela.
Eu não era romântico, casamentos eram como acordos para mim e contanto que ambas as partes se beneficiassem, eu ficaria satisfeito. Mas Julieta, minha irmãzinha, não pensava assim. Ela desejava se casar por amor assim como nossos pais.
— O que achou do segundo príncipe, senhora FitzClarency? — Bernard perguntou e me olhou com malícia. Maldito.
Eu não queria saber o que ela pensava sobre mim, na verdade eu sequer conseguia entender a diferença. Ela estaria falando sobre mim ou outro homem?
— Ele é incrível — Senhorita Evans disse para a minha surpresa. — Se eu tivesse um irmão como ele certamente eu não passaria nenhuma dificuldade.
— E marido? — Perguntei repentinamente.
Os três me olharam com curiosidade, mas não me importei. Era bom ter uma opinião feminina sobre o meu caráter de qualquer forma.
— Eu jamais me tornaria uma princesa, é muita etiqueta — Ela fez uma careta de desagrado e eu ri, pois ela enlouqueceria qualquer um que a visse montar em um cavalo como um homem. — Mas, se o segundo príncipe aparecesse aqui hoje e pedisse minha mão, eu a daria sem pensar duas vezes.
— Cecília! — Senhorita Peterson a repreendeu.
— O que!? É um príncipe! E ainda é gentil, atencioso com a irmã, ele não parece machista, é bonito...
— Não sabemos a aparência dele — Senhorita Peterson a interrompeu e a senhorita Evans a olhou com irritação.
— Mesmo que ele fosse horrível, eu casaria com ele, eu sou totalmente coração.
Isso fez as duas gargalharem e Bernard apertou meu ombro como se me aprovasse. Eu não soube dizer se estava satisfeito com a resposta.
— Tem coragem para dizer que casaria com outro homem com o seu marido ao lado, senhora FitzClarency — Meu amigo "me" defendeu.
— É o segundo príncipe, o senhor FitzClarency sabe que não é capaz de competir com ele.
— A senhorita devia cuidar o que fala — Resmunguei com irritação. — Ele é um nobre.
— E qual o problema em todas as coisas que eu disse? Eu casaria com ele sim!
As duas voltaram a rir e eu me limitei a apenas respirar fundo. Ela não fazia ideia do que estava falando.
— E se eu fosse o segundo príncipe? — Perguntei.
— O senhor? — Ela gargalhou. — O senhor parece ser só mais um machista comum, como poderia ajudar sua suposta irmã mais nova?
Eu não sabia o que era essa coisa de "machista" mas pelo tom de zombaria, não era um elogio.
— Senhorita Evans, acho que já disse o suficiente — Bernard tentou pará-la.
— O suficiente? O senhor FitzClarency acha que está no nível de um príncipe! Isso me faz rir mais que qualquer espetáculo desse teatro.
— Se o segundo príncipe aparecesse e pedisse sua mão, realmente aceitaria? — Insisti irritado.
— É claro! Dou minha palavra.
Sorri e levantei prestes a revelar minha identidade só para calar aquela mulher maluca. Porém, Bernard me impediu segurando meu braço.
— O seu marido está com ciúmes, vamos embora — Bernard levantou apressado.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 104
Comments
Celma Rodrigues
O Thomas está com ciúmes de si mesmo. Morrendo de rir. Quase que ele se revela. E Cecília vai ser impressionada pelo sei "Príncipe".
2024-11-11
1
ana
🤣🤣🤣🤣❤️❤️❤️❤️❤️
2024-11-10
0
ANA LUCIA VANDAM DE SOUZA
Coitado do General...Nem imaginava que daqui a pouco vai estar caidinho por ela kkkk
2023-11-03
9