CECÍLIA
Desci da carruagem e esperei Bianca descer. Estávamos chegando no baile dado por uma senhora distinta em nossa cidade e eu estava animada já que fazia muito tempo que não frequentava esses eventos. Ser casada tinha suas desvantagens.
Porém, hoje o irmão da Bia nos acompanharia com sua esposa e filhas que estavam na época de casar. A mais nova tinha completado dezessete recentemente e a mais velha de dezenove já estava sendo cortejada por alguns rapazes.
— Tia Ceci, meu vestido ficou bonito? — Violeta perguntou enquanto entrelaçava seu braço no meu.
— Ficou lindo, eu que fiz pessoalmente para você — Sorri com gentileza e ela sorriu animada.
Eu gostava das meninas e elas me tratavam como tia já que eu praticamente as vi crescer. Eu era como parte da família Peterson.
Essa alegria era contagiante e me lembrava da época que eu pensava que algum príncipe encantado me pediria em casamento... Isso antes do meu pai falecer e eu perceber que eles só estavam interessado no meu dote.
Os homens eram porcos gananciosos, todos queriam alguma coisa das mulheres. O meu suposto marido por exemplo queria o divórcio.
Ao lembrar dele percebi que não o via já fazia alguns dias, mas isso não me preocupou, ele devia ter desistido. Não era difícil falsificar um casamento com sua noiva e me deixar em paz, ninguém precisava saber e eu só queria o documento de qualquer forma, não o matrimônio completo.
Fiquei observando os jovens dançarem e o irmão da Bia em algum momento chamou sua esposa para dançar, deixando apenas eu e minha amiga sentadas conversando.
— É uma pena que esse baile não toque muitas músicas para nós mulheres sem companhia.
— É melhor mesmo, se eu inventar de dançar posso atrair muita inveja — Falei fazendo a Bia rir.
Eu a acompanhei e voltei a olhar os belos pares dançando. Eu desejava também ter meu próprio marido para valsar a noite toda, mas esse pequeno divertimento tinha um preço muito alto que eu não estava disposta a pagar. Nada valia a pena o suficiente para trocar pela minha liberdade.
— Parecem duas viúvas — Escutei uma garota cochichar alto o suficiente para que eu e Bia escutássemos.
— Uma abandonada e a outra enganada, né — Sua amiga respondeu no mesmo tom.
— Sabe Bia, é muito bom saber que não preciso abrir as pernas para poder viver — Falei num tom alto.
As duas garotas me olharam com espanto e Bianca corou fortemente. Eu apenas continuei olhando séria para as duas vadiazinhas. Eu sabia muito bem que elas davam em cima de homens casados já que seus maridos eram dois imbecis.
As duas finalmente saíram de perto e eu sorri vitoriosa para Bia.
— Ceci, você ainda vai ser presa por culpa da sua língua.
— Ainda bem que é só pela língua — Retruquei maldosa.
— Se eu não a conhecesse acharia que é uma sem vergonha — Ela sussurrou.
Dei risada. Eu deveria parecer mesmo tão sem vergonha quanto aquelas duas, mas eu não me importava nenhum pouco e minha familia e amigos também não me julgavam.
Mesmo com os terríveis boatos, o irmão e a cunhada da Bia nunca me afastaram de suas filhas que eu nunca instrui para a má conduta de qualquer forma.
— Senhora Ceci, senhorita Bia — Luiza acenou e veio apressada se juntar a nós.
— Está ofegante, dançou bastante? — Bia sorriu.
— A senhora viu? — Luiza riu contente. — Dancei cinco músicas.
— Só com os bonitos, eu espero.
— Senhora Ceci! — A menina me repreendeu rindo, mas logo sua expressão mudou para curiosidade. — Aquele não é o homem que invadiu sua loja, senhora Cecília?
— Onde? — Perguntei ansiosa.
Luiza apontou discretamente e eu o encontrei. De fato era o senhor FitzClarency com toda sua nobreza... E dessa vez estava acompanhado com um homem tão bonito quanto ele, porém claramente mais simpático já que estava sorrindo até para o vento.
— Qual deles é o senhor FitzClarency? — Bianca sussurrou e eu a olhei feio já que Luiza podia ouvir. Ela sorriu com culpa. — Estou curiosa, é o carismático ou o de poucos amigos?
— Quem você acha? O mais insuportável lógico — Retruquei.
— Ah — Ela exclamou surpresa. — O amigo dele é bem interessante.
— Você está noiva, se contenha — Sussurrei e nós rimos.
— Senhora Ceci, ele está vindo para cá.
Luiza tinha razão, o senhor FitzClarency estava caminhando lentamente em nossa direção. Eu podia ver os olhares curiosos já que ele e seu amigo eram carne nova na cidade... Ah se soubessem que ele era meu marido...
Tudo bem que era um casamento falso, mas eu ainda podia me gabar graças a beleza dele.
— Deixe que ele venha, acho que ele não teve humilhação suficiente.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Celma Rodrigues
Acho que as duas amigas vão ter seus maridos amigos. Estou na torcida.
2024-11-11
0
ana
muito bom
2024-11-10
0
Juliana Santos
se eu fosse ele falava q ela era sua esposa kkkkk
2024-07-20
4