CECÍLIA
Não esbarrei no senhor FitzClarency no domingo e em momento algum ele foi me visitar. Achei melhor assim, minhas emoções estavam começando a me confundir e na segunda de manhã, enquanto abria a loja, eu já estava rindo internamente da boba Cecília de sábado à noite.
Naquela dia, após o teatro, realmente considerei o senhor FitzClarency um quase amigo e senti que sua companhia era até que agradável. Porém, bastou um dia para que eu lembrasse que sua presença significava a minha ruína, pois eu não queria o divórcio, mas também não queria um marido que mandasse em mim quando desejasse. Sua ausência era a melhor solução.
Infelizmente não tive muito tempo de paz, pois por volta das dez da manhã, o senhor FitzClarency apareceu em minha loja.
— Oh, seu marido está aqui, senhora FitzClarency — Uma cliente disse e riu baixo com outras senhoritas que estavam olhando os tecidos.
— Bom dia — Ele cumprimentou todas com um aceno de cabeça e eu o encarei confusa e um pouco irritada. — Tem um tempo para mim, Cecília?
Respirei fundo tentando não me sentir agitada com sua profunda voz falando meu nome tão íntimo. Eu precisava me acostumar com isso se quisesse manter as aparências na frente das pessoas.
— Estou trabalhando — Respondi e voltei a olhar a costura de um chapéu.
— Senhora Cecília, nós cuidamos de tudo, não se preocupe — Uma das minhas ajudantes tirou o chapéu das minhas mãos e então se aproximou do meu ouvido. — Vá ver seu homem!
A última parte foi sussurrada e felizmente ninguém pareceu escutar. Eu a olhei e forcei um sorriso de gratidão.
— Estou indo, já que está tão empenhada em trabalhar, pode vir me ajudar no sábado, Andria?
O sorriso dela sumiu e ela assentiu com irritação. Toquei seu ombro com gentileza e fui atender o senhor FitzClarency que observou tudo em silêncio.
— Onde nós vamos? — Ele perguntou confuso quando eu o puxei para fora da loja.
— Aqui as paredes tem ouvidos — Resmunguei pensando nas minhas empregadas. — Vamos conversar na área dos fundos que é mais reservado.
Ele assentiu e me acompanhou. Tirei as chaves do bolso em meu vestido e abri o pequeno portão ao lado da loja, o pátio dos fundos servia como depósito, mas às vezes também era o lugar onde eu escapava do meu primo quando ele desejava encenar algum escândalo tosco.
O senhor FitzClarency me seguiu de perto e logo estávamos no depósito. Parei e cruzei os braços esperando que ele me dissesse o motivo para a visita.
— Então? — O incentivei a falar.
— Vim ajudar a senhorita.
— Me ajudar com o que exatamente?
— Sua loja, seus comércios, no que precisar — Ele garantiu prestativo.
Eu o olhei com desconfiança. Eu sabia que ele era rico então não precisava dos meus bens, a menos que desejasse tomá-los por vingança, mas fora isso não havia motivos para ele se meter em meus assuntos.
— Por que o senhor deseja me ajudar?
— Eu não tenho nada para fazer na cidade e não gosto de ficar parado, ajudar a senhorita parece um bom negócio.
— Por que não vai para casa? — Perguntei confusa.
— Algumas coisas me impedem — Ele me olhou com gentileza. — Na verdade, uma coisa.
— Se for sobre o divórcio, eu...
— Não, eu não estou aqui pelo divórcio, estou aqui pela senhorita.
Eu o encarei surpresa e meu coração acelerou sem meu consentimento. O que ele queria dizer com estar na cidade por mim?
— Muito engraçado, senhor FitzClarency — Sorri sem graça. — Pode confessar que está entediado e por isso me procura, é muito mais sincero.
— Estou sendo sincero — Ele retrucou e se aproximou. — Estou aqui verdadeiramente pela senhorita. É um fato que me sinto entediado, mas poderia fazer qualquer outra coisa, mas escolhi ficar em sua companhia.
Virei de costas sentindo meu rosto esquentar. O que estava acontecendo comigo, afinal? Eu não era encantada por palavras tão facilmente assim.
— Se o que o senhor diz é verdade, peço que se retire.
— Por que!?
— Apesar de estarmos casados por minha culpa, eu não desejo um casamento — Respondi. — Inclusive sou tão vítima quanto o senhor, minha amiga fez o casamento e não me contou que o meu marido era uma pessoa real.
— Não compreendo o motivo para me mandar embora, não estou pedindo que case comigo, apenas que me conceda sua companhia.
Respirei fundo. A companhia do senhor FitzClarency era um pouco demais para mim, eu sentia que acabaria me atraindo por ele. Era natural que isso acontecesse já que faziam anos que eu não era cortejada e todos os rapazes da época não se comparavam ao senhor FitzClarency, ele era muito mais elegante, bonito e educado do que qualquer outro homem.
Não... Isso não podia acontecer. Eu era a atrevida senhorita Evans no fim das contas, eu era meu próprio marido, meu próprio dono, não podia permitir que um homem me vencesse com sentimentos irreais.
— Tudo bem — Me virei para ele com um sorriso. — Se deseja trabalhar comigo, o senhor é bem-vindo.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Celma Rodrigues
Acho que Cecília vai abusar do Thomas e do Senhor da Justiça, assim como, do Segundo Príncipe kkkk.
2024-11-11
0
Juliana Santos
vi faíscas em kkk
2024-07-23
2
APF
olha meu nome ali Andrya
2023-09-30
3