CECÍLIA
— Eu não quero ofender a senhorita, apenas conversar — Senhor FitzClarency mostrou suas mãos em rendição.
Sorri. O que uma pá não fazia não é mesmo?
— Eu não quero conversar, eu nem conheço o senhor!
— Senhorita Evans, não pode negar que... — Ele se aproximou e eu coloquei a pá na minha frente. — A senhorita casou nós dois.
A última parte foi sussurrada como se ele não quisesse que soubessem. Bianca estava certa, ele estava atrás do divórcio.
— É verdade, mas qual é o problema? — Me fiz de desentendida.
— A senhorita forjou um contrato com o meu nome e me pergunta qual o problema? — Ele sorriu com raiva. — A senhorita é mesmo maluca!
— Eu não tenho culpa se o senhor condiz com a minha história inventada, eu não usei seu nome!
— Então me esclareça isso.
O senhor FitzClarency tirou um papel do seu bolso. Era uma cópia da nossa certidão de casamento, como ele tinha conseguido isso era um mistério para mim.
— Onde o senhor...
— Eu tenho meus contatos na igreja dessa cidade, meu subordinado surgiu com esse documento e me disse que eu jamais poderei me casar.
— Ah... Então o senhor está noivo.
— Ainda não, mas quase, preciso que faça o divórcio.
Eu tinha a certidão original, mas essa cópia havia ficado na igreja para comprovação do padre. Somente com a minha certidão que podíamos assinar um divórcio, além disso ele precisava dos meus documentos, o que obviamente ele não conseguiria tão fácil já que, diferente dele, eu não havia sido batizada naquela igreja.
— Impossível.
— A senhorita está brincando comigo?
— Eu não vou fazer divórcio nenhum — Teimei. — Sabe o que esse casamento significa para mim?
— Nada, eu suponho — Ele riu sem humor. — Se a senhorita precisa de dinheiro, eu posso oferecer como uma caridade e...
— Dinheiro!? Eu não preciso do seu dinheiro — Desdenhei. — Quando veio para a minha loja, viu os comércios pelas ruas? Cada loja está em meu nome, eu sou basicamente a dona dessa cidade.
Eu era minha própria rainha e todos me pagavam aluguéis justos mensalmente para poderem comercializar nas minhas lojas. Meu tataravô havia comprado todo esse enorme pedaço de terra e feito um vilarejo para amigos próximos, todos eram velhos conhecidos meus.
Apenas suas casas em campos mais distantes do centro da cidade que não me pertenciam, mas nada me impedia de comprá-las quando eu bem desejasse.
— Estou impressionado... Mas tenho uma dúvida — Ele me olhou com cautela. — Como uma senhorita solteira pode comandar todo esse império?
Fiquei ansiosa. Ele não podia saber que na verdade eu usava o nome dele, se ele soubesse talvez até conseguisse tirar todas as minhas propriedades de mim. As mulheres infelizmente não eram donas de si.
— Não sou uma senhorita comum como pode ver — Sorri. — Agora, vai me deixar em paz ou não?
— Me dê o divórcio.
— Nunca!
— Senhorita Evans!
Eu o ataquei com a pá ou tentei já que em um piscar de olhos ele me desarmou e segurou meus braços em frente ao meu corpo, me virando de costas para ele.
Seu peito rígido estava pressionado contra o meu corpo e suas mãos seguravam as minhas com força. Meu rosto esquentou completamente ao senti-lo.
Apesar de eu não ser tão recatada quanto deveria, eu não costumava ter contato com os homens que eu conhecia. O máximo de travessura que eu fazia era andar a cavalo ou dançar nos bailes, mas ter os braços de um homem me segurando por completo dessa forma era totalmente novo.
— Desculpe — Ele me soltou e me afastou delicadamente.
— Pervertido! — Gritei e me virei tentando batê-lo, mas ele segurou meus pulsos. — Me solta!
Sem pensar duas vezes pisei com força no seu pé. O senhor FitzClarency grunhiu de dor e me soltou. Aproveitei que ele estava fraco e o empurrei para fora da minha loja.
Ele se desequilibrou e caiu no chão. Eu apenas o olhei com desdém, era isso que ele merecia por tentar se aproveitar de mim.
— Pobre coitado, mais uma vítima da senhora FitzClarency — Escutei alguém dizer num tom não tão baixo.
— Guardas, não deixem esse homem colocar os pés nem mesmo na minha calçada! — Pedi para os meus homens que assentiram prontamente.
— Senhorita Evans, isso não acabou aqui! — Senhor FitzClarency retrucou com irritação. Mostrei minha língua e entrei. — Infantil!
Respirei fundo e fui fazer meu trabalho. Ele que era o infantil tentando intimidar uma pobre mulher indefesa...
Dei risada ao pensar essas coisas, eu não era indefesa coisa nenhuma, mas os homens deveriam pelo menos respeitar minha feminilidade.
— Quando será que eles vão aprender — Falei sozinha enquanto escondia minha pá atrás do balcão.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
Celma Rodrigues
Inocente.... kkkkk sei não..... espero que nunca se separem e sejam muito felizes.
2024-11-11
0
New Biana
um drama lindo
2024-07-31
2
Paula Souza
Amando esse livro. morrendo de rir. essa é louca 🤪 /Drool//Drool//Drool/
2024-06-15
3