Chegaram na tal fazendinha e ele se animou novamente e sorriu, cumprimentando animal por animal, até chegar a gaiola dos coelhos.
— Olha, pai, os coelhinhos cresceram, são cinco, mas, onde está o cinza com o nariz branco?
— Ele sumiu no temporal, um galho grande da árvore caiu e pegou na estufa e na fazendinha, trazido pelo vento. Os animais fugiram apavorados e dois coelhinhos não foram recuperados, alguns pintinhos morreram afogados, mas já está tudo voltando ao normal.
— Desculpe, senhorita Ella, eu não sabia que a fazendinha tinha ficado assim. Foi tão bom vir aqui e estava tudo tão bonito, mas agora — começou a chorar — sinto muito.
Ella se abaixou para falar com ele, passando os dedos para secar suas lágrimas.
— Não foi sua culpa, querido, ou você fez a tempestade. Se fez, é muito poderoso. — sorriu ela, tentando animar o menino, enquanto o pai tentava engolir tudo aquilo.
— Não, não fiz a tempestade, mas é tão triste.
— Sim, mas não é culpa de ninguém. Agora é melhor você ir, não tem mais o que ver aqui.
— Obrigada, senhorita Ella, o médico me aconselhou dar seus tônicos e mel, para auxiliar no tratamento do Jonh.
— Ah, sim, tem para vender lá no mercadinho.
— Não pode me vender direto, já que estou aqui?
— Não faço concorrência com meus fregueses. Então, vamos voltar por aqui.
Chegaram no estacionamento e se despediram.
— Desculpe, senhorita, por fazê-la me deixar vir aqui.
— Está tudo bem, querido, sempre estarei presente para você. — deu um abraço nele e se afastou sorrindo.
— Desculpe, eu não fazia ideia. — disse Ítalo.
— Claro que não, está tudo bem.
— Não, não está. Eu tenho sido um crápula com você e você continua tratando meu filho com tanto amor e no final, tudo que fiz só fez entristecê-lo.
— Que bom que você finalmente está caindo em si, espero que não faça mais nada de que venha a se arrepender.
— Não farei, tenha certeza e gostaria muito que deixasse eu ajudá-la a recuperar tudo.
Ella estranhou o comportamento dele, se perguntando se podia acreditar em todo aquele arrependimento e solicitude.
— Já está tudo sobre controle.
— Estou tentando, Ella, não me rejeite, por favor.
Eles se foram e as lágrimas do menino continuaram.
— Era tão diferente assim, filho?
— Sim…
— Como?
— Tinha o rio, com um lago cheio de peixes, muitas plantas , flores e borboletas. O pier dava pra gente correr e pular na água, era bom e tinha as plantas carnívoras. Ficou tudo tão triste, não parece mais a fazendinha.
— Sinto muito, filho.
— Quem pode ser tão ruim assim?
— Assim como, filho?
— Mau, pai. Ele acabou com o rio e com tudo que ele fazia de bom.
Ítalo não sabia o que dizer, quanto a acusação de seu filho. Foram para casa e depois de cuidar do filho, ligou para seu engenheiro e pediu que voltassem com o rio para o seu curso normal. Não queria causar mais problemas para Ella, não importava se sua propriedade não tinha lucro, se era simples e só lhe dava a subsistência, o importante é que era dela.
Ele sabia que não seria algo rápido, tem que ser feito um estudo do local e como a água se comportará quando for liberada. Precisarão averiguar se o leito do rio irá suportar, novamente, o fluxo de água. Só então, saberão a quantidade que poderão liberar. Eles foram no dia seguinte e Ítalo ligou para Ella, pedindo permissão para ir até lá com o engenheiro.
— Que eu saiba, ainda não vendi o terreno, para você vir examinar o solo com um engenheiro. — perguntou ela, decepcionada.
— Não é para isso, é para restaurar o leito do rio, meu filho ficou tão triste que resolvi restituí-lo a você.
— Hum, uma ação nobre, que bom, pode vir, estou em casa. — respondeu com um sorriso.
Ela os recebeu no estacionamento e o engenheiro a cumprimentou, sorrindo.
— É um prazer vê-la novamente, senhorita. Desculpe a intimidade, mas não posso deixar de lhe dizer como queria vê-la de novo e como é bonita. — falou, segurando um pouco mais, sua mão.
— Bom dia, doutor Magno, também é um prazer revê-lo.
— Você já se conheciam? — perguntou Ítalo, enciumado.
— Sim, estive aqui para a instalação da estufa e me agradei muito de conhecer Ella.
— Ella é minha noiva, Magno!
Quando ela ia abrir a boca para replicar, ele a enlaçou pela cintura e saiu levando-a para dentro do sítio. Ella não gostou da atitude dele, achando melhor terminarem logo aquilo. Levou-os até o leito seco do rio, se afastando de Ítalo, olhando para ele com a cara fechada. Observou enquanto o engenheiro examinava tudo e seguiu o leito do rio até onde começava as terras de Ítalo.
— O que você acha, Magno? — perguntou Ítalo.
— Ainda bem que você me chamou, se liberasse a água sem um estudo, inundaria o sítio.
— Foi você quem fez a represa?
— Sim.
— E não pensou em vir aqui, ver o estrago que faria?
— Olhei lá de cima e não vi dificuldade, pior é libertar a água e não retê-la.
— Olhe a sua volta?
— É, fez falta, já havia visto da outra vez que vim.
— Não só isso, faço pesquisas aqui e contava com a água desse rio. Foi um grande estrago e prejuízo.
— Você não acha que está exagerando, são só algumas plantas e animais. — disse Ítalo, sem noção alguma do que dizia.
— O que fez para suprir a falta do rio? — perguntou Magno, querendo evitar uma briga.
— Abri poços artesianos.
— Poços? Um só não daria conta? — perguntou Ítalo e Magno também parecia curioso.
— É que tenho uma fábrica, fica mais adiante, no terreno e aqui, vê a estufa? Tem um sistema de irrigação constante, fora nossa fazendinha.
— Tudo isso?
— Só isso, também tenho um laboratório, um apiário, minha casa e tenho alguns funcionários que moram aqui.
Italo franziu a testa, se perguntando para que tudo aquilo, tantos funcionários, plantas, animais, só para fazer algumas caixas de mel, tônicos e geleias?
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Patricia Carius
A inteligência mandou tchau Ítalo
2025-03-20
1
Eufrasia Agizzio
Mas é uma anta mesmo
2025-03-09
1
Expedita Oliveira
Idiota... Canalha...🤮😝🤮😝🤮😝🤮😝🤮😝🤮😝🤮😝🤮😝🤮😝🤮😝🤭🤭🤭🤭
2025-03-16
1