As duas continuaram tomando o chá e relembrando ps passeios.
— Acho que todos nós esperamos por esse dia, é chamado o dia da abelhinha, pelas crianças. Elas estão ansiosas.
— Pois pode marcar, prepararei tudo.
— Pode ser na semana que vem, na terça-feira.
— Está um pouco em cima,mas tem o fim de semana, sim, será ótimo.
— Muito obrigada, Ella, vamos nos divertir muito e matar as saudades.
— Sim, vou amar.
As duas terminaram de tomar o chá e a professora foi embora. Ella foi se organizar para ver o que faria para o picnic e criar um roteiro diferente do anterior, ela sempre inventava um mapa, para eles seguirem, com alguma prenda no final. Era realmente, um dia divertido.
Aproveitou o restante do dia para fiscalizar o serviço na sua industria de produtos naturais e passou no laboratório, para ver se suas experiências estavam evoluindo. Ela fazia culturas de bactérias, associadas com plantas, para melhorar certas enfermidades de pele e estava perto de conseguir um resultado muito bom para algumas doenças.
Quando finalmente deitou para dormir, estava satisfeita e feliz, seu mundo estava conforme queria que fosse. No dia seguinte, tomou seu café matinal, foi verificar os animais, cumprimentou os funcionários e pegou a correspondência.
Ella foi olhando os envelopes que pegou e separou um diferente, era do melhor hotel da cidade. Um convite:
" Convidamos a doutora Ella Constance, para a reunião anual de cientistas herbários …"
— Que estranho, nunca ouvi falar dessas reuniões, é sábado agora.
Não precisava confirmar presença e por curiosidade, resolveu ir. Seria um almoço, seguido de umas palestras e depois um coquetel para que pudessem interagir e se conhecerem. Sabia que era assim que se faziam bons contatos. Se arrumou de forma clássica, prendeu seus cabelos que chamavam muita atenção e foi.
Chegou no hotel e foi direcionada ao restaurante e em uma mesa com mais quatro pessoas, estava seu pai. Como foi burra, devia ter investigado.
— Boa tarde. — cumprimentou, para não parecer mal educada.
Sua vontade era sair correndo dali,
mas observou um por um e ali estavam a esposa de seu pai, Adele, seu quase noivo, Italo Máximo e não conhecia o outro casal.
— Olá, minha filha. — levantando-se, ele foi recebê-la com um beijo no rosto, ao qual ela desviou. — Sente-se aqui.
Puxou a única cadeira vazia, entre ele e Ítalo.
— Como vai, Ella? — perguntou Adele.
— Bem…
— Lembra-se de mim, Ella? — perguntou Ítalo.
— Como não? — respondeu com a expressão neutra.
— Este é o casal Fernandes, são donos de um grande laboratório fitoterápico e diversas farmácias pelo país.
— Muito prazer, sou Ella Constance.
— Nós sabemos querida, viemos especialmente para lhe conhecer. — disse a mulher e Ella respondeu com um meio sorriso que não chegou aos olhos.
Ella analisou todos ali e entendeu a situação: seu pai e Italo queriam as terras dela e para tentar convencê-la, trouxeram um bom emprego ou contrato ou qualquer coisa que a envolvesse em um trabalho fora de suas terras, assim ela abriria mão de suas terras e seus negócios.
— Como vai o senhor, papai?
— Seu pai está com problema de coração e …
— Se está com problema no coração, não é na língua, ele pode responder, não é? — Mais uma artimanha para me comover, pensou.
— Não seja insolente, Ella?
— Não me tente, papai, não sou mais uma criança.
O garçom chegou, perguntando se já iam pedir e Ella pegou um cardápio, já que estava ali, comeria e comeria bem. Pediu um prato com frutos do mar e um vinho branco para acompanhar.
— Excelente escolha, senhorita Ella, minha avó está com saudades.
— Diga que passarei lá.
Ele pegou o pedido dos outros e Ítalo perguntou:
— Você conhece muita gente ou ele é uma exceção?
— A avó dele tem trombose na perna, levo sempre um unguento para ela usar na ferida.
— Então é uma paciente? — perguntou a senhora Fernandes.
Ella não gostou do rumo que a conversa tomou e respondeu, mas voltou a perguntar ao pai:
— Não sou médica. Mas o senhor não me respondeu, como está, papai?
— Estou bem, Adele é muito zelosa com minha saúde.
— E meu meio irmão, não veio com vocês?
— Não quis misturar as coisas.
— Claro, afinal, essa é uma reunião de negócios e eu sinto muito por terem gasto o tempo tão precioso de vocês, para voltarem com a mesma resposta: não venderei minhas terras.
— Mas você nem sabe o que temos a lhe oferecer. — contrapõe Ítalo.
— Faço uma ideia, mesmo assim continua sendo não.
— Nós queríamos tanto que viesse trabalhar conosco, poderíamos comercializar seus xaropes e unguentos para o país inteiro. — disse a empresária.
— Não tenho interesse, gosto do meu negócio do tamanho que está, obrigada.
— Mas é um desperdício, seus produtos são excelentes. — disse o Senhor Fernandes.
— São excelentes porque são feitos em pequena escala, sei como procedem as grandes empresas farmacológicas e gosto da minha pequena indústria, do jeito que ela é.
A refeição chegou e ela se dedicou ao seu pedido, que estava muito saboroso.
— Vejo que não tem mais aquela postura tão rígida que tinha ante, Ella. — comemtou Adele.
— Aquela postura, era por causa das surras de cinta que levei de meu pai, Adele querida.
Adele olhou para ela de olhos arregalados e pálida. Ella não sabia se a mulher de seu pai ignorava o que aconteceu ou admirou-se por ela falar tão abertamente sobre o fato.
— Você poderia ter falado comigo, por que fugiu daquele jeito, logo depois de seu jantar de noivado. — continuou Adele.
— Não foi o meu jantar de noivado, foi o meu jantar de dezoito anos e não fugi depois dele, passei vários dias trancada dentro de um quartinho, a pão e água, depois de levar a maior surra da minha vida. Minha avó me resgatou.
A senhora Fernandes parou um instante com o garfo no ar e depois riu.
— Que mente criativa você tem, querida!
— Pois não é? Sua comida está boa, senhora? A minha está excelente. — respondi, sabendo que os outros três sabiam que eu dizia a verdade.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Fátima Ramos
O que será o papel que ela assinou, quando estava fechada no quarto, o papel que o pai a obrigou a assinar sem que ela pudesse ler
2025-03-16
0
Expedita Oliveira
Sem comentários...🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭
2025-03-16
0
Maria Alves
Tomara que ela não caia na lábia desses malas
2024-10-20
3