Capítulo 7. Liberdade

Havia uma vaca com seu bezerrinho, um bode, uma cabra e uma ovelhinha. Também tinha, nascido do casal de coelhos, oito coelhinhos que pareciam bolinhas de pelos e passavam de mão em mão das crianças. 

No galinheiro, as crianças correram do galo e depois que perceberam que não tinha como ele sair de seu lugar separado, brincaram com os pintinhos.

— Parece que viemos na época certa, seu sítio está cheio de vida. — elogiou Orquideia.

— Sim, é a primavera e a água do rio ajuda muito.

Jonh se divertia junto com as outras crianças, mas percebia-se que cansava logo. Seguiram até o deque, à beira do rio e as crianças ficaram com suas roupas de banho e pularam na água gostosa e límpida.

— Você não vai, Jonh? — perguntou Ella.

— Meu pai não deixa.000

— Ele deve temer que se resfrie, mas eu garanto que você sairá daqui, bem.

Ele riu, todo feliz e tirou a roupinha, ficando de calção de banho.

— Eu vesti pra me prevenir.

— Então pode ir, mas fica na beirinha, se sentir alguma coisa, vem falar comigo. — alertou-o Ella e ficou de olho.

Todas as crianças receberam uma colher de xarope de mel e ervas cultivadas por Ella e depois de se divertirem muito, saíram para fazerem o picnic. Se secaram, vestiram e foram comer, todas arrumadinhas.

— Como está se sentindo, Jonh?

— Estou só um pouquinho cansado, mas tô muito feliz.

— Que bom.

Todos comeram, descansaram deitados no gramado que ladeava o rio e foi forrado com esteiras de bananeiras. Chegou a hora de ir embora e enquanto as crianças entravam no ônibus, Ella verificou que Jonh estava um pouco abatido e se abaixou e abraçou-o, ficando assim durante um tempo e depois se levantou, verificando que estava melhor.

O menino olhou para ela com um sorriso, sem entender como um abraço podia fazer ele se sentir tão bem. Algo dentro dele se lembrava de um abraço gostoso como esse.

— Obrigada, senhorita. Esse foi o dia mais feliz da minha vida. — abraçou-a e foi para o ônibus, recebendo sua cestinha de presentinhos do sítio.

— É meu, tia Deia?

— Sim, querido, tudo muito saudável, para você. Tem até uma plantinha, você só tem que molhar, chama-se suculenta.

— Obrigada, estou muito feliz.

Ella ficou olhando o ônibus se afastando e depois se virou e aplaudiu seus funcionários, liberando-os para desfrutar do restante do dia, como fizeram as crianças. Ela foi para sua casa, tomou um banho e deitou em sua rede, precisava descansar. Toda vez que praticava a cura de alguém, precisava repor as energias.

Mas no caso de Jonh, sabia que não era algo simples, ele precisava da medicina moderna aliada com o tratamento homeopático, com uma alimentação boa e ar puro, teria condições de vencer essa batalha.

 *

Italo, como todos os pais, esperava pelo seu filho, na porta do colégio. O ônibus parou e todos foram descendo e sendo entregues ao seu responsável, traziam uma cestinha nas mãos, que os pais pegavam felizes da vida e quando foi a vez de Jonh, ele também trazia uma cestinha e tinha o sorriso mais lindo do mundo.

— Papai! — se jogou nos braços do pai, que o pegou em um abraço gostoso e se afastou para checar se o menino estava bem.

— Eu estou bem, papai. Olha o que ganhei.

Ítalo olhou a cestinha e viu um potinho de mel, um de protetor solar e um de geleia de laranja. Também tinha uma embalagem com biscoitinhos amanteigados e uma plantinha. Olhou tudo aquilo com desconfiança e resolveu jogar fora, assim que chegasse em casa.

— Vamos para casa, você deve estar cansado.

Ajudou o menino a entrar no carro, prendeu o cinto e foi para a direção.

— Foi o dia mais feliz da minha vida, aprendi tanta coisa, vi a plantinha que come inseto, peguei um coelhinho e um pintinho e a tia cuidou de mim direitinho, até me deu xarope de mel. Foi muito bom e estou me sentindo muito bem.

Italo escutou e achou melhor ficar calado, na segunda-feira conversaria com essa tia. " Que história é essa de dar xarope sem receita para o meu filho."

Nos dias que se seguiram, parecia estar tudo bem, mas Orquideia recebeu uma reprimenda do pai de Jonh e para não entristecer o menino, caso o pai tirasse ele da escola, ficou quieta, mas sentiu que o menino estava cada vez mais abatido e triste. Não comentou nada com Ella, sobre o menino e seu pai, principalmente que o homem, ignorante, devolveu a cestinha presente, que o menino gostou tanto de receber.

Já no sítio, Ella percebeu que as águas do rio estavam diminuindo, as plantas estava recebendo menos água e ela precisou mandar cavar dois poços artesianos e adaptar para poder continuar cuidando da estufa, do laboratório e de sua fábrica, ou perderia tudo em que se dedicou, com sua avó, desde que veio morar ali.

Demorou alguns dias, depois de um estudo do solo, para iniciarem a escavação, mas deu tudo certo e já tinha água, quando o rio secou por completo. Ela não se conformou com aquilo e resolveu ir à fazenda vizinha, onde era a nascente, para ver o que havia acontecido. Seguiu com seu carro e parou na entrada da fazenda, se identificando como a vizinha do sítio ao lado.

— A senhora pode entrar, o patrão a está aguardando.

— Pode me dizer o nome dele?

— Senhor Benton, senhora.

— Obrigada e é senhorita.

O portão de ferro desenhado se abriu com um rangido e ela entrou com o carro, seguindo o caminho que levava a casa.

— Esse nome não me é estranho, onde é que já ouvi?

Ao se aproximar, viu um homem sair da casa grande e se pôr na varanda, esperando por ela e então reconheceu a pessoa e o nome. 

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Comments

Célia Stein rosa

Célia Stein rosa

não quero acreditar que ela vai ficar com esse idiota, me polpe😐

2025-03-19

2

Expedita Oliveira

Expedita Oliveira

🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔💔🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭

2025-03-16

1

Maria Alves

Maria Alves

🫠🫠🫠🫠🤗🤗🤗🤗🤗🤗

2024-10-20

1

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 1. Aniversário
2 Capítulo 2. Pretendente
3 Capítulo 3. Resgate
4 Capítulo 4. Paraíso
5 Capítulo 5. Oferta
6 Capítulo 6. Fábrica
7 Capítulo 7. Liberdade
8 Capítulo 8. Visinho
9 Capítulo 9. Estufa
10 Capítulo 10. Projeteis
11 Capítulo 11. Abraço
12 Capítulo 12. Abraços
13 Capítulo 13. Insistência
14 Capítulo 14. Tristeza
15 Capítulo 15. Alegria
16 Capítulo 16. Encontros
17 Capítulo 17. Perseguição
18 Capítulo 18. Insistência Infantil
19 Capítulo 19. Novo Ataque
20 Capítulo 20. Imprensa
21 Capítulo 21. Intervenção
22 Capítulo 22. Coma
23 Capítulo 23. Ella Voltou
24 Capítulo 24. Reencontro
25 Capítulo 25. Volta ao Lar
26 Capítulo 26. Afeição
27 Capítulo 27. A Vaquinha
28 Capítulo 28. Desespero
29 Capítulo 29. Investida
30 Capítulo 30. Uma Chance
31 Capítulo 31. Sorrindo Atoa
32 Capítulo 32. Dó
33 Capítulo 33. Encontros
34 Capítulo 34. Analisando
35 Capítulo 35. Já Basta!
36 Capítulo 36. Alivio
37 Capítulo 37. Beijinho
38 Capítulo 38. Acidente
39 Capítulo 39. Estrago
40 Capítulo 40. Jantar
41 Capítulo 41. É
42 Capítulo 42. Cheiro de Bosta
43 Capítulo 43. Medo
44 Capítulo 44. Amor Materno
45 Capítulo 45. Ganância
46 Capítulo 46. Família?
47 Capítulo 47. Milagre
48 Capítulo 48. Esclarecimentos
49 Capítulo 49. Passado
50 Capítulo 50. Viagem
51 Capítulo 51. Aconteceu
52 Capítulo 52. Herdeira
53 Capítulo 53. Sedução
54 Capítulo 54. Café da Manhã
55 Capítulo 55. Sótão
56 Capítulo 56. Está Tudo Bem
57 Capítulo 57. Retorno
58 Capítulo 58. Inicio da Cura
59 Capítulo 59. Relatos Criminosos
60 Capítulo 60. Cura
61 Capítulo 61. Amor
62 Capítulo Final. Amor
63 Epílogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 63

1
Capítulo 1. Aniversário
2
Capítulo 2. Pretendente
3
Capítulo 3. Resgate
4
Capítulo 4. Paraíso
5
Capítulo 5. Oferta
6
Capítulo 6. Fábrica
7
Capítulo 7. Liberdade
8
Capítulo 8. Visinho
9
Capítulo 9. Estufa
10
Capítulo 10. Projeteis
11
Capítulo 11. Abraço
12
Capítulo 12. Abraços
13
Capítulo 13. Insistência
14
Capítulo 14. Tristeza
15
Capítulo 15. Alegria
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Capítulo 16. Encontros
17
Capítulo 17. Perseguição
18
Capítulo 18. Insistência Infantil
19
Capítulo 19. Novo Ataque
20
Capítulo 20. Imprensa
21
Capítulo 21. Intervenção
22
Capítulo 22. Coma
23
Capítulo 23. Ella Voltou
24
Capítulo 24. Reencontro
25
Capítulo 25. Volta ao Lar
26
Capítulo 26. Afeição
27
Capítulo 27. A Vaquinha
28
Capítulo 28. Desespero
29
Capítulo 29. Investida
30
Capítulo 30. Uma Chance
31
Capítulo 31. Sorrindo Atoa
32
Capítulo 32. Dó
33
Capítulo 33. Encontros
34
Capítulo 34. Analisando
35
Capítulo 35. Já Basta!
36
Capítulo 36. Alivio
37
Capítulo 37. Beijinho
38
Capítulo 38. Acidente
39
Capítulo 39. Estrago
40
Capítulo 40. Jantar
41
Capítulo 41. É
42
Capítulo 42. Cheiro de Bosta
43
Capítulo 43. Medo
44
Capítulo 44. Amor Materno
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Capítulo 45. Ganância
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Capítulo 46. Família?
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Capítulo 47. Milagre
48
Capítulo 48. Esclarecimentos
49
Capítulo 49. Passado
50
Capítulo 50. Viagem
51
Capítulo 51. Aconteceu
52
Capítulo 52. Herdeira
53
Capítulo 53. Sedução
54
Capítulo 54. Café da Manhã
55
Capítulo 55. Sótão
56
Capítulo 56. Está Tudo Bem
57
Capítulo 57. Retorno
58
Capítulo 58. Inicio da Cura
59
Capítulo 59. Relatos Criminosos
60
Capítulo 60. Cura
61
Capítulo 61. Amor
62
Capítulo Final. Amor
63
Epílogo

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