Adele, como já era esperado deu o seu show:
— Pois eu perdi o apetite, com licença. — disse ela, levantou-se e o marido foi atrás.
— Não devia maltratar sua madrasta, desse jeito. — disse Ítalo.
— E o que foi que eu fiz a ela? Só respondi às suas perguntas, se ela não queria ouvir, não perguntasse.
— Toda essa história macabra que contou, denegrindo a reputação de seu pai.
— Nada disso diz respeito a ela, mas talvez ela saiba de algo que não sabemos. — olhou para o casal, alheio a conversa deles e perguntou - o que vão pedir de sobremesa, adoro o tiramisú?
— Eu também, acho que pedirei isso. Será que poderíamos conhecer sua fabriqueta? — a pergunta foi um pouco depteciativa, mas Adele concordou.
— Claro, por quê não, mas já vou avisando que é tudo muito simples.
— Tudo bem, querida.
— Posso ir, também?
— Não.
— Mas vou assim, mesmo.
— Cretino. — sussurou e viu o sorriso de escárnio dele.
O almoço terminou e seu pai não voltou para a mesa, eles se levantaram, o casal seguiu com ela e Ítalo, para conhecer sua " fabriqueta ".
— Gosto muito desta cidade, creio que nos veremos mais vezes, Ella.
— Espero que não se entedie, a cidade é bem pacata.
— Meu filho está com uns problemas de saúde e o médico receitou uma vida longe do tumulto e da poluição dos grandes centros.
— Entendo. Melhoras para o seu filho.
— Ele está com sete anos.
— Melhoras para ele.
Seguiram em carros separados pois ela tinha ido com o dela e formaram uma carreata seguindo e passando direto pela casa de elas pois sua fábrica de cosméticos e tônicos, ficava mais adiante, separado da casa.
O casal visitou só o que Ella quis mostrar, levou eles até o rio em que captava sua água e cuja margem era cheia de plantas e flores. Italo prestava atenção em tudo e ficou surpreso com o tamanho da estrutura que ela contruiu.
— Entendo perfeitamente o porque de não querer vender esse lugar, é maravilhoso. — disse a senhora Fernandes.
— Sim, mas precisamos ir, já não tenho uma saúde muito boa e temos um longo caminho de volta. — disse o marido.
Ella pediu que esperassem e foi buscar uma garrafa de mel especial para eles. Inclusive para Ítalo.
— Levem esse mel, é da florada das laranjeiras, lhes fará muito bem.
— Obrigada, querida, foi um prazer te conhecer. — disse a senhora.
— Agora te admiramos mais do que antes, parabéns por não se render, se precisar de algo, conte conosco. — ele lhe deu um cartão e se foram.
Ítalo a encarou, vendo-a de forma diferente. Ela se tornou uma bela mulher, empreendedora e vitoriosa. Aquela fábrica era o sinal disso e realmente destruí-la seria um prejuízo para toda a cidade e para os clientes que já compravam seus produtos. Pegou a garrafa de mel olhou e levou, experimentaria em casa e pensaria sobre a compra dessas terras com outros olhos.
— Gostei de conhecer tudo isso, pensarei com carinho sobre a compra do terreno e terei logo uma solução que agrade a todos.
— Pode pensar o quanto quiser, a solução sempre será que permanecerei com minhas terras, não as venderei e ponto final.
Ella fez um chá digestivo e sentou na rede, na varanda dos fundos, olhando os morros a distância. Teve a impressão de ver um cavalo e seu cavalheiro, no alto do monte mais próximo, mas não identificou bem, pois era muito longe.
Estava tudo preparado para a visita das crianças. O laboratório estava fechado, mas o herbário, a horta, o pomar e o pequeno curral, com seus animais grandes e pequenos, estavam à disposição das crianças. O dia estava ensolarado e quando o ônibus chegou, foi aquela alegria. Elas desceram correndo e rindo e as professoras ficavam doidas com elas.
Alguns pais eram voluntários nesses eventos e no final, tudo ficava bem.
— São quantos dessa vez, Orquideia?
— 16. Esse é o Jonathan, mas todos o chamam de Jonh, tem sete anos e chegou na escola há pouco tempo.
— Olá, Jonh, meu nome é Ella, muito prazer. (Ella não falou nada, mas lembrava-se bem dele).
— O prazer é meu, senhorita. Esse lugar é todinho seu?
— Sim, vai daqui até aquele à beira daquele morro e desce até chegar à cidade.
— Nossa, é bem grande, o que a senhorita faz aqui?
— Vamos, vou lhe mostrar, as outras crianças já conhecem, por isso saíram correndo.
— Na fazenda do meu pai, tem muito espaço, mas não tem jardim como aqui.
— Sua mãe não gosta de plantar flores?
— Minha mamãe tá no céu.
— Então você pode aprender a plantar um jardim para sua mamãe.
— Eu não posso brincar no jardim, sou doente.
Ella olhou para o menino, desconfiada, era coincidência demais, mas não deixaria essa desconfiança, atrapalhar o dia do menino.
— Você está com a pessoa certa, no lugar certo, Jonh. Aqui pode tudo, não é Ella? — falou Orquideia, para animar o menino.
— Com certeza,vamos começar nosso passeio, então. Essa é minha casa, esse é o meu jardim e agora nós vamos para a nossa estufa, para conhecer as plantas.
Seguiram pela alameda circundada por eucaliptos e chegaram a estufa, uma construção ampla, feita de uma estrutura de aço e vidro, que mantém a temperatura ideal para as plantas que se quer cultivar. Ella explicou tudo e todas as crianças olhavam tudo e perguntavam, recebendo as respostas dos dois jardineiros ou de Ella.
Chegaram ao canteiro das plantas carnívoras, que deixava as crianças muito animadas.
— Viu, Jonh, ela come insetos, parece uma boca com dentes, mas não nos fere. Não convém querer testar, pois algumas são mais fortes e tem também aquelas que injetam veneno.
Ele, como todas as crianças, achou incrível todo aquele mundo novo e colorido e se distraiu olhando tudo, mas não tocou em nada. Depois saíram da estufa e foram para a chamada fazendinha.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Gil Marri
Não quero que ela fique comesse Italo
2025-03-17
2
Expedita Oliveira
❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❤️❣️❣️❣️❣️❤️❣️❤️❤️
2025-03-16
1
Elisiane Gomes
muito bom essa história
2025-03-13
1