Os olhinhos do menino se encheram d'água e ele lamentou com um gemido. Depois, Jonh ficou quieto, sabia que não adiantava argumentar com seu pai. Fechou os olhos, deixando as lágrimas rolarem. Ver o filho daquele jeito lhe quebrou o coração. Foi uma luta conseguir casar com a mãe dele e ficar com o menino, seu pai perturbou muito e agora que ele morreu, seu filho também o estava deixando.
— Mas ela tem seguro e eles vão reconstruir tudo.
— Não, papai, ela terá que plantar tudo de novo, são muitas plantas. Tadinha das carnívoras e das suculentas…— não aguentava mais falar.
— São só plantas, brotam de novo.
— O senhor não entende papai…devia ter pedido ela pra me abr raaç arrr.
— Não fale mais, filho. Está te cansando muito e um abraço dela não vai te curar.
— Você é o pai mais insensível que eu conheço, como pode desprover o fiho de tudo que ele quer.
Ella foi até o menino e falou com ele, se abaixando em sua frente.
— Oi, senhor…
— Não precisa falar, querido. Eu sei, mas um abraço não vai te curar, mas um bom tratamento com produtos naturais, os remédios do doutor e os meus abraços, tudo junto, podem melhorar você.
— Pode poquiiinhooo
— Um pouquinho pode. — olhou para Ítalo — se afaste.
Depois que ele se afastou, ela suspendeu o menino e sentou com ele no colo. Abraçou-o e cantou uma música de ninar para ele, o embalando. Aos poucos, ele dormiu, mas sua pele estava com a cor mais natural e sua barriga, menos inchada.
— Leve-o para a cama.
Ítalo pegou o filho e observou que ele estava bem quente, mas não era febre, foi o abraço dela que o esquentou. Ele parecia bem melhor, levou-o para o quarto e colocou-o na cama e ajeitou as cobertas. Quando voltou para sala, pensou que ela já teria ido embora, mas encontrou-a, dormindo, deitada no sofá. Ele deixou dormir e depois de uma hora, ela acordou.
— Eu não sei o que fez, mas obrigado.
— Não fiz por você, você não merece, não cuida dele como devia.
— Quem é você para me acusar, nem me conhece.
— Conheço o suficiente para saber que rejeita um tratamento natural para o seu filho.
Ela estava de pé na frente dele, o encarando com desprezo.
— Não fale assim comigo, sua mal amada, que vive da caridade dos outros.
Plaft
O estalo do tapa na cara do homem, foi alto, mas depois veio o silêncio da reação dele, que a pegou pelo braço, a puxou e beijou sua boca com violência. Ella não estava acostumada a esses ataques masculinos e ficou sem ação. Ele percebendo, suavizou o toque e a induziu a receber seu beijo. Foi insinuando sua lingua, acariciando os lábios macios e ela cedeu, deixando o beijo ser completo.
Ella chegou em casa sem ter noção de como entrou no carro e dirigiu até ali. Fez um almoço leve e comeu, apreciando a paisagem pela janela.
— O que foi aquilo? Ele me beijou e eu correspondi? Como? Onde eu estava com a cabeça?
Deixou as questões de lado, não adiantava ficar remoendo o que estava feito, tinha mais o que fazer e foi até onde estava o pessoal, cuidando das plantas, avisou que iniciarão, no dia seguinte, a reconstrução da estufa. Todos ficaram contentes, apesar de todo o trabalho extra que teriam.
Dali, ela foi para o laboratório, examinou o estoque que tinha de matéria para seus experimentos e as enzimas estocadas. Tudo muito bem armazenado, etiquetado e refrigerado. Pegou suas anotações, estudou, fez alguns cálculos, entrou na internet para acompanhar os pacientes que estavam sendo tratados com suas enzimas e ficou feliz que a mistura estava dando certo.
Só havia um caso em que a doença avançou e ela sabia que aconteceria. Com um pai daqueles, ignorante, que não deixava o menino fazer nada, só podia dar nisso. Se pelo menos ele tivesse dado ao menino, os preparados à base de mel, que enviou, podia ter uma ideia se funcionaria. Pegou suas anotações e voltou ao seu equipamento e a combinação dos produtos que ainda tinha.
Quando voltou para casa, estava escuro e todos já tinham ido para suas casas. Ela jantou e foi tomar seu chá na varanda, sentada na rede. Tinha conseguido uma boa mistura essa tarde. Se o resultado se confirmasse, talvez conseguisse curar o Jonh, se o pai deixasse, claro.
A estufa ficou pronta e todos colocaram mãos à obra para restaurar as plantas.
— A senhora tem mãos de fada, dona Ella, olha como de um dia para o outro, está tudo viçoso. — disse uma das funcionárias.
— É o amor, quando fazemos o que gostamos, com amor, tudo prospera.
— Senhora, onde quer que coloquemos as mudas que chegaram? — perguntou
— Oi,Osmar, nada de senhora, coloque no espaço que reservei lá no fundo. Elas são muito especiais, só eu cuidarei delas, ponha um aviso, por favor.
— Sim, Ella.
— Só mais uma coisa, Osmar.
Ela se aproximou dele, com um sorriso de agradecimento e disse:
— Muito obrigada, Osmar, você deixou sua área junto aos animais, para ajudar com as plantas, então, pensei, se você aceitaria ser o nosso administrador. Estaria disposto a cuidar de tudo?
— Eu, senhora?
— Sim, você, Osmar. Terá carta branca para resolver tudo, contratar pessoal e pedir material. Você aceita?
— Sim, senhora, darei o meu melhor.
— Eu sei que sim e isso me dará a oportunidade de me dedicar as minhas pesquisas. Então, meu advogado trará o contrato, até amanhã.
Ella saiu da estufa e foi até seu herbário, verificar as ervas que estavam secando e colher as que precisava e foi para o laboratório. Trabalhou até tarde e conseguiu uma vitória, ligou imediatamente para o doutor.
— " Alô, Dra. Ella, só atendi por que é você, alguma novidade? "
Ella olhou para o relógio e só então se deu conta de como era tarde.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Patricia Carius
eu parei uma história pra ler essa, eu estou amando.
2025-03-20
0
Expedita Oliveira
❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️
2025-03-16
1
Lele “Lele” Almeida
História maravilhosa 😍
2025-03-07
3