Estacionou e desceu, cheia de sentimentos confusos, não queria acreditar que fosse proposital o rio estar secando, mas parecia que ele havia declarado guerra a ela.
— Olá, Ella, ao que devo a honra de sua visita?
Estendeu a mão para cumprimentá-la, depois que ela subiu as escadas. Ela cumprimentou-o, a contragosto, mas aprendeu a ser educada.
— É que o rio que corre lá nas minhas terras, secou, eu estranhei e resolvi vir aqui perguntar se sabem de alguma coisa, já que ele nasce em suas terras.
— Ah, sim, é que aproveitei aquela água pura e gratuita e fiz uma barragem.
— Conteve o rio? Posso ver isso?
— Claro, foi uma grande obra e me supre toda a fazenda.
Eles subiram em um carrinho de golfe e ela contemplou o imenso gramado que se estendia até um lago. Ali era o reservatório de água e logo a seguir a barragem e a água seguia em um riacho que foi desviado para não passar por suas terras. Ella se entristeceu com a maldade do homem, que tentava destruí-la, para ficar com suas terras.
— Realmente, foi uma obra e tanto, esse gramado está tão verdinho, joga golfe, aqui?
— Sim, inclusive, seu pai me visita para uma partida, de vez em quando.
— Que bom para os dois. Bem, agora que já vi o que secou o rio, vou voltar para casa, mais tranquila.
— Como assim, mais tranquila?
— Sim, eu já resolvi a falta da água do rio, só não queria que a fonte, tão boa e pura, tivesse secado. Parabéns pela linda fazenda.
Ela notou a expressão estranha no rosto dele, não dava para saber se era desapontamento, aborrecimento ou desconfiança.
— Senhorita!!
Ella ouviu a vozinha conhecida e viu Jonh sorridente na varanda, feliz ao vê-la. Mas seu semblante estava abatido, pálido e com olheiras.
— Olá, meu querido. Não sabia que você morava aqui.
— É, esse é meu pai. — a expressão de tristeza do menino ao falar do pai, deixou Ella muito triste por ele.
— É, eu já conhecia seu pai, só não sabia que você era filho dele.
O menino tentou dar uma risada, mas estava muito cansado.
— Senhorita?
— Sim, Jonh.
— Pode me dar um abraço igual aquele?
— Meu querido, dessa vez só posso te dar um abracinho.
Ella percebeu que o estado da doença avançou e para curá-lo seria preciso muito mais do que ela podia dar.
— Do que vocês estão falando?
— Você deu a ele as coisas que enviei? Eram produtos naturais que o ajudariam com o tratamento, pensei até que pediria mais. — olhou-o séria.
Ele olhou para ela, sem coragem de falar, mas Jonh falou por seu pai.
— Papai achou que me faria mal e não deixou eu tomar.
Ela voltou sua atenção totalmente para o menino, com o pai se entenderia depois.
— Que pena, querido, seu papai só estava preocupado com você.
— Pode me dar um abraço, senhorita, mesmo sendo poquinho.
— Sim, querido.
Ela sentou-se nos degraus da varanda e chamou-o para sentar em seu colo, apesar da cara de censura do pai e o abraçou. Ficou só um pouquinho, ou não conseguiria dirigir e teria que passar mais tempo naquele lugar. Quando se afastou, o menino já não estava tão pálido e conseguiu se levantar e sorrir.
— Muito obrigada, senhorita, esse poquinho foi muito bom também.
Ella deu um beijinho em sua cabeça e olhando para Ítalo, pediu que a acompanha-se até o carro.
— O que você fez com meu filho?
— Você viu, eu lhe dei um abraço e você? Além de tirar tudo que é bom da sua vida, tem lhe dado o seu colo, o seu abraço, ou o seu tempo é gasto todo para tentar ficar com as minhas terras? Não vou lhe vender aquelas terras, mesmo que você me leve a miséria e eu acabe morrendo, pode ter certeza de que elas não vão para suas mãos e muito menos as do meu pai.
Terminou de falar, entrou no carro e foi embora, deixando o homem estático, vendo-a partir.
— Papai, tô com fome, vamos comer?
— Sim, filho, vamos. — foi andando até o filho e entraram em casa, mas consigo mesmo, pensava:
” Foi só um abraço. Nos relatórios, o detetive escreveu sobre coisas estranhas que aconteciam quando ela estava por perto, mas isso? Seu filho melhorou com um abraço. "
— Filho, a senhorita Ella já tinha te abraçado antes?
— Sim, quando fomos no sítio dela. Eu estava cansado na hora de entrar no ônibus para ir embora e ela me deu um abraço e fiquei forte de novo.
— Então era por isso que você queria tanto ir lá para abraçá-la?
— Sim, mas agora ela disse que só podia dar um abracinho, mas foi muito bom, mesmo assim.
Ele ficou vendo o filho comer e pensou até onde iria esse abraço, será que ela passava alguma droga do corpo dela para o dele? E se isso fosse pior para o estado dele? Na consulta desta semana, falaria sobre isso com o médico.
Ele colocou o filho para dormir e foi para seu quarto tomar um banho. Debaixo do chuveiro ficou lembrando os acontecimentos desde quando conheceu ela, naquele fatídico dia de noivado que nenhum dos dois queriam. Lembrou da postura dela investigada e das vestes horrorosas que faziam ela parecer muito mais velha do que era.
Quando ela contou aquelas coisas no fatídico almoço de tentativa de comprar suas terras mais uma vez, ele teve certeza de que ela falava a verdade. Ela já passou muitas coisas e continua de pé, uma mulher forte, cheia de vida, amor e prosperidade.
Mas na época que a conheceu, ela era só uma jovem assustada, dominada pelo pai e se tivessem se casado, ela teria sido anulada por eles, no intuito de construírem mais um grande empreendimento e ganharem muito dinheiro.
Durante os últimos anos, construiu muitos outros projetos e aglomerou uma riqueza que não lhe adiantava de nada, pois nada que o dinheiro pagasse, podia curar o seu filho.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 63
Comments
Expedita Oliveira
🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭💔💔💔
2025-03-16
1
Maria Alves
Que falta para ele é a força divina e crer no Senhor Jesus Cristo.
2024-10-20
4
Valentina Meireles
poisé ítalo o dinheiro é muito bom resolve muitos pipinos más não compra a saúde é nem a vida isso ninguém pôde comprar pôde ter a maior fortuna do mundo só o Deus dê Israel é capaz de dá saúde plena 🙏
2024-08-08
3