Dothy foi, várias vezes, bater na porta de Ella, mas não recebeu resposta e pensou: que pai surrava a filha, no dia de seu aniversário? Acabou desistindo, para cuidar do jantar suntuoso que o patrão resolveu encomendar. Por sorte, contratou um buffet e ela só precisava supervisionar.
A tarde passou voando e Ella procurou um vestido elegante, que cobrisse suas costas e combinasse com o colar. Optou por um vestido branco, estilo grego, sem mangas e com os ombros torcidos, cintura alta, mas que não friccionam suas costas.
Colocou o colar e percebeu que o vestido era a escolha certa, pois o branco disfarçava as pérolas.
A sandália de tiras e salto agulha, davam-lhe elegância, assim como o cabelo preso em um coque, completavam o figurino.
Desceu, quando ouviu o som dos veículos dos visitantes chegando. Eles já estavam no saguão, quando desceu as escadas e todos olharam para ela. Seu pai acompanhou os olhares e ficou orgulhoso da figura da filha e foi recebê-la ao pé da escada.
Ela segurou sua mão e passou por ele, que soltou sua mão e apoiou suas costas, sentindo ela se encolher. Deixou-a se afastar e percebeu que seu vestido tinha as costas fechadas, percebeu o erro que cometeu, deixando-a marcada.
— Senhores e senhoras, esta é minha preciosa filha, Ella Constance Bastos.
— Ficou lindo o colar em seu pescoço, querida.— disse a secretária de seu pai, que Ella não esperava ver ali. — Só deveria estar com um vestido mais adequado.
— Desculpe, Adele, mas era o que melhor combinava com o lindo colar que escolheu.
— Eeeella…— seu pai ao invés de defendê-la, lhe chamou a atenção.
Ella observou o cuidado de seu pai com a secretária e percebeu que havia algo entre eles e era provável que as jóias que a outra escolheu para lhe dar, na verdade fosse para si mesma e pretendesse ficar com elas, no fim das contas.
Um cavalheiro distinto, entrou, seguido por um jovem parecido com ele.
— Boa noite, Augusto, seja bem vindo, esta é minha filha Ella.
— Boa noite, é um prazer, senhorita, este é meu filho Ítalo Maximus Benton.
Ella estendeu a mão e os cumprimentou. A mão do jovem bonito, porém, sério, estava gelada e ela não gostou dele, assim como pareceu a ela, não lhe ter agradado também. Adele assumiu o papel de anfitriã, deixando Ella cada vez mais ciente do relacionamento dela com seu pai.
— Vamos para a sala de estar, por favor.
— Sim, vamos, Max, acompanhe minha filha, os dois são jovens, devem ter assuntos próprios da idade para conversar.
Ella ficou calada e se encolheu mais uma vez, ao sentir a mão do jovem em suas costas. Ele estranhou e se aborreceu, pensando que ela era avessa ao toque. Chegaram à sala e ela sentou-se na ponta de um dos sofás, sem encostar. Ele sentou-se ao seu lado, mas encostou-se e sobrepôs uma perna à outra.
— Não precisa sentar-se tão empertigada, querida. Não estamos mais na época em que as damas precisavam sentar tão eretas. — disse Adele, provocando-a novamente.
Ella não estava entendendo o comportamento da mulher, mas não se importou de ser diminuída perante os outros, podiam desistir do casamento. Olhou para seu pai, sabendo que ele entenderia o motivo de estar afastada do encosto.
— Deixe-a Adele, apenas está querendo parecer mais elegante para seu pretendente.
— Meu pretendente?
— Sim, querida, o jovem Ítalo, que está ao seu lado.
Sem olhar para o jovem, Ella não aguentou mais a intromissão da mulher.
— Por quê você está se intrometendo tanto na conversa, Adele? — olhou para o pai, falando educadamente — Acaso existe algo que preciso saber, papai?
O senhor Hélio Bastos sentiu vontade de esganar a filha pela insolência, mas deixaria o castigo para mais tarde. Estava mesmo na hora de assumir seu relacionamento com Adele.
— Sim, minha filha, Adele aceitou ser minha esposa.
Ella sorriu, fingidamente e parabenizou os dois, deixando Adele desconcertada, pois esperava uma represália da garota.
— Obrigada, querida, confesso que não imaginava qual seria sua reação.
Ella sorriu e ouviu de uma voz grossa e profunda, ao seu lado:
— Continue assim e brevemente será levada ao sanatório. — disse Italo, para que só ela ouvisse.
— E o senhor ficará sem esposa, já que é o que pretendem fazer comigo. — respondeu Ella, olhando para ele.
— O jantar está servido. — anunciou o mordomo.
— Vamos então. — levantou-se Adele, sendo a anfitriã perfeita e todos seguiram o casal de anfitriões.
Ella ficou por último, acompanhada por Ítalo, que não podia deixar de provocá-la.
— Se não me engano, está fazendo 18 anos, por quê está parecendo mais velha?
— Posso lhe garantir que não é por opção. É para combinar com o colar que Adele escolheu para mim.
Ele franziu as sobrancelhas, segurou-a pelo braço e contemplou o colar.
— Parece que ela escolheu para si mesma, desculpe a desconfiança.
Ele resolveu continuar e apoiou a mão nas costas dela e dessa vez, ouviu um gemido e compreendeu o que estava acontecendo e sorriu, pelo visto, não era o único a não gostar daquela situação.
O jantar transcorreu normalmente e no final, foram os homens para o escritório e as mulheres para a sala. Quando os homens saíram do escritório, Ítalo foi até ela e pegando sua mão, colocou-lhe um anel de brilhantes.
— Estamos noivos, casaremos em três meses, nos veremos lá.
Todos se foram, ela se retirou para seu quarto, mas não demorou e seu pai entrou, primeiro, puxou-a pelos cabelos e fez ela assinar um papel, sem conseguir ver o que era, depois, puxou-a pelo braço e levou-a para um quartinho no fim do corredor, com grades na janela e apenas uma cama de solteiro. Deu-lhe outra surra, deixando-a ferida e inerte, no chão.
— Nunca mais seja tão insolente comigo, principalmente na frente de outros, ficará aqui até o seu casamento. Esqueça todos os seus planos, sua vida daqui em diante, será só para seu marido.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Maria Maura
os 3 últimos livros que li parece que as autoras adoram maltratar as protagonistas, que ranço, mulher que apoia esse abuso a outra mulher triste de ler.
2025-03-07
5
Maria Maura
tão cafajeste que nem vai sentir os chifres, só pensa em dinheiro, tomara que no final não vá pedir perdão Ella e a idiota perdoar.
2025-03-07
1
Vanda Belem
vou matar esse pai fdp.
2025-03-18
1