Quatro anos depois
Apesar do pai de Ella ter insistido muito, tentado inclusive raptá-la, não conseguiu levá-la de volta. Ele não contava que Gertrudes fosse tão querida na cidade e que todos a protegiam e assim precisou desistir. Sua última tentativa foi um convite para elas comparecessem ao seu casamento, mas elas não foram.
Ella seguiu seus planos à risca e pode contar com a ajuda financeira da venda de suas joias horríveis, mas valiosas. Dothy tinha tomado o cuidado de enviá-las, todas, com seus respectivos comprovantes. Fez uma especialização com estágio em um grande laboratório de pesquisa e foi neste lugar que conheceu um garotinho.
Estava acompanhando um médico de doenças especiais, quando a criança entrou com sua mãe.
— Olá, pequeno Jonh, como se sente hoje?
— Num sei, dotô.
— Graças aos seus cuidados, a doença não está evoluindo. — disse a mãe.
— Mas não sei por quanto tempo, vamos continuar as pesquisas, sem desanimar. — disse o médico.
Terminada a consulta, enquanto a mãe se despedia do médico, ela foi até o menino e perguntou se podia dar um abraço nele e ele estendeu os bracinhos para ela e recebeu o melhor abraço do mundo, que o fez se sentir melhor e sair sorrindo e dando tchau para ela.
Depois disso, conversou muito com o médico sobre o menino, sua doença e o tratamento. Era uma doença incurável, mas o médico, associado aos laboratórios, estavam fazendo experimentos com enzimas e Ella resolveu se especializar nessas pesquisas.
Investiu em um laboratório, que construiu afastado da casa e ao lado de um grande herbário. Também construiu uma estufa e um pequeno curral, criando animais específicos para fornecer o material que necessitaria para as pesquisas.
Além da faculdade e dos cursos de especialização, aprendeu muito com sua avó. Cada erva, especiaria e até a produção de mel, cujo apiário pequeno, aumentou com o auxílio de um aprendiz de apicultor, que estudou muito e ajudou no plantio de laranjeiras, para saborizar o mel, durante a florada.
Foram sete anos de estudo, mais quatro, depois que conheceu o pequeno Jonh. Investiu e descobriu um poder passado pelas mulheres da família, a cura pelo amor. Aprendeu curando pássaros de suas patas ou asas quebradas, passou para pequenos animais e depois, quando conseguiu um estágio na farmácia de manipulação da cidade, ajudou idosos e crianças, sem causar alardes.
Assim, foi ficando tão famosa quanto sua avó. Montou sua empresa de produtos naturais e continuou o negócio da família. Sua avó havia partido há dois anos, de um incidente estranho. Ella saiu um dia para o curso e quando voltou, ela estava caída no chão da sala, ao lado de uma xícara quebrada. Não parecia ter recebido visita de ninguém e os exames acusaram um ataque cardíaco.
Só quando recebeu a visita constante de advogados e corretores, foi que desconfiou que sua avó pudesse ter sido assassinada. Resolveu colocar proteção em toda a área, gastou muito, mas cercou todo o terreno e murou toda a entrada da casa, do laboratório e do herbário, deixando passagem para o quintal e o rio.
Colocou câmeras e cerca eletrificada, não seria mais pega desprevenida. Estava fazendo uma entrega de mel na mercearia, quando avistou uma senhora que sempre comprava seus unguentos e elixires, atravessava a rua, quando um adolescente esbarrou nela, a derrubando.
Ella correu para socorrê-la e verificou que não havia nenhum osso quebrado, mas suas mãos estavam raladas, assim como os joelhos.
— Fique quietinha e feche os olhos.
Ella pousou a mão, nas mãos raladas e fechando os olhos, emanou seu amor, como aprendeu com a avó e sentiu que saía calor e tocou nas feridas, que sararam. Quando afastou suas mãos, não havia nem sinal de que foi ferida.
— Pronto, pode levantar.
A idosa abriu os olhos e viu que tanto suas mãos, como os joelhos, estavam sãos.
— Olha só, não tem nada, jurava que estava toda ralada…
— Vovó, vovó, o que houve, a senhora está bem? — o neto da idosa, dono na lanchonete, ali perto, chegou preocupado e logo outras pessoas se aproximaram também.
— Sim, querido, estou bem, sim. Essa jovem linda me ajudou.
— Obrigada, senhorita. Viu o que aconteceu?
— A querido, não foi nada, sabe como são as crianças, estão sempre correndo, sem prestar atenção ao caminho. — disse a idosa.
— Ela está bem agora, preciso ir, com licença. — Se retirou, sem dar chance de que a impedissem.
Não percebeu que alguém a observava à distância e seguiu-a com os olhos, até que saísse da mercearia. Ella seguiu pela calçada, indo até a creche/escola que havia na esquina, de frente para a praça da cidade. Tocou a campainha e deixou duas garrafas de mel e uma caixa de tônico fortificante para as crianças e voltou para seu carro.
Encontrou com alguns conhecidos pelo caminho, comprou algumas frutas na barraca e foi para casa. O observador anotou cada passo dela e também se retirou, achou tudo que viu muito interessante e reportaria a seu chefe, imediatamente.
Chegou em casa e recebeu a visita da professora da principal escola da região.
— Como vai, Orquideia, estava começando a sentir saudades, entre.
— Desculpe, é o corre corre das aulas. Como você está?
— Estou bem, o negócio está crescendo e os empresários continuam querendo minhas terras. Venha, vou fazer um chá para nós, sente-se aqui.
Elas foram até a cozinha e Orquideia sentou-se. Ella colocou água na chaleira elétrica para o chá. Colocou biscoitos amanteigados e um bolo de maçã, sobre a mesa e pegou as xícaras de porcelana que herdou de sua avó. Fez e serviu o chá e sentou-se para tomarem.
— Você deve saber por que eu vim.
— É, estava esperando ansiosa pela visita das crianças, as plantas carnívoras estão em plena função.
As duas riram e relembraram as visitas anteriores que as crianças fizeram. Ella gostava tanto dessas visitas, que fez um pequeno deque no rio, para que pudessem brincar na água e sempre tinha um piquinique.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Patricia Carius
foi o carpiroto chamado pai.
2025-03-20
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Patricia Carius
caramba.
2025-03-20
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Expedita Oliveira
Meu Deus... Esse escroto tem que ser pego.🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🥺🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭
2025-03-16
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