Ella ficou parada, olhando o buraco causado no galho e tampou a boca aberta pelo espanto, com os dedos. Puxou o ar várias vezes, não podia acreditar que todo aquele estrago podia ter sido sabotagem.
— Vai ver foi só uma fatalidade — falou para si mesma, mas Osmar escutou.
— Acho melhor tomarmos muito cuidado ao recolher os entulhos, para saber o que realmente aconteceu.
— Sim, Osmar, mas se for provado que esse acidente não foi por causas naturais, eu perco o seguro e com o gasto que tive com os poços e as novas bombas, não terei condições de construir outra estufa tão cedo.
— Aí será um círculo vicioso e atrapalhará as pesquisas. — concluiu ele.
— Exatamente, ainda bem que o meu herbário está lá em casa. Justo quando estou tão perto de encontrar as enzimas certas.
— A senhor…digo, você vai conseguir e seja lá o que está acontecendo para atrapalhar, Deus tá vendo.
— A frase clássica que minha avó usava para tudo: " Deus tá vendo e vai agir ao nosso favor ".
— Vá descansar, menina. Com a cabeça descansada, se pensa melhor.
— É verdade, farei isso.
— Pedirei a alguém que guarde o lugar e não deixe ninguém mexer em nada.
— Obrigada, Osmar.
Ella foi para casa, tomou um banho quente para tirar a friagem do corpo, fez uma xícara de chá, adoçado com mel e sentou na rede, bebericando. Assim que terminou, pousou a xícara na mesinha próxima, deitou ali mesmo e dormiu. Depois pensaria no desgraçado que a estava sabotando.
Uma semana se passou desde o temporal. Osmar, antes da vistoria dos bombeiros e da seguradora, procurou, discretamente, os projéteis que atingiram a árvore e a estufa e encontrou, guardando no bolso, rapidamente e depois entregou para Ella.
A limpeza foi concluída, as plantas que puderam aproveitar, replantaram, mas ainda havia muito a ser feito. Suas pesquisas no laboratório, dependiam daquelas plantas e dos animais que tinha no sítio. Todos pensavam que era uma fazendinha, montada para a subsistência dela, mas não, era um grande projeto que ela pesquisava a anos.
Neste dia em especial, com a semana começando, ela foi ao banco, verificar se liberariam o pagamento do seguro para iniciar a construção de outra estufa, pois a antiga, deu perda total. Saiu do banco contente com a resposta positiva. Ligou imediatamente para a empresa que executou a primeira estufa e sinalizou que podiam iniciar o trabalho.
— Bom dia, Dr. Padur, pode providenciar a construção da nova estufa.
— " Que notícia maravilhosa, então o seguro liberou o pagamento? "
— Exatamente e o local já está limpo.
— " Se não se incomodar, vou levar um amigo engenheiro, para analisar o local e dar um suporte técnico maior, ok? "
— Claro, tudo que puder somar é bem vindo.
Despediram-se e combinaram de se encontrar em breve. Não demorariam, pois já tinham todo o projeto pronto, era só levar o material e enviar a equipe para montar. Com tudo acertado e mais tranquila, pegou seu carro e dirigiu até a fazenda de Italo. O porteiro fez o mesmo procedimento da outra vez e ela dirigiu até a casa e parou em frente, desceu e encontrou-o na varanda.
— Bom dia, Ella, o que a trás aqui a essa hora? — dosse ele de pé na varanda.
— Bom dia, não sei se o senhor soube que o temporal destruiu a minha estufa. — falou enquanto subia os degraus e chegava até ele.
— Eu soube, sim, um galho caiu no teto e desabou tudo. Você deveria contratar uma empresa que prestasse serviços melhores. Mas compreendo que poucos recursos geram esses problemas.
— O senhor está um pouco mal informado. Acaso o senhor tem um rifle?
Ítalo franziu a testa, não entendendo o porquê da pergunta, logo depois dela falar sobre o incidente com o temporal, mas respondeu:
— Sim, tenho, uso sempre que saio a cavalo. Por quê? — falou cheio de pose, parado na frente dela com as mãos na cintura.
— O senhor costuma atirar sempre com ele? — perguntou ela, erguendo a cabeça para o enfrentar com o olhar.
— Só quando é necessário.
— E qual foi a necessidade que o senhor teve, em atirar no meu sítio. Porque o acidente que houve lá com a tempestade, se deveu a dois tiros que bateram um no galho que se quebrou e outro que trincou o telhado da minha estufa. — acusou ela.
Ela pegou os dois projéteis que estavam no seu bolso, em um frasco transparente e estendeu para mostrar a ele.
Ele olhou para os projéteis e pegou em sua mão examinando-os, realmente pareciam de sua arma, mas não tinha como comprovar a não ser que fosse feita uma perícia.
— Eu realmente andei dando uns tiros a uns dias atrás, mas não mirei, foi a esmo. — mentiu na cara dura.
— Bela explicação, Ítalo. Sugiro que da próxima vez, o senhor não atire, de preferência, em lugar nenhum que não seja estritamente necessário. Eu vim aqui só para lhe alertar, pois o seguro vai pagar por tudo, se não fosse, eu iria lhe processar. Eu acho que já chega desses joguinhos, eu já falei que não vou vender as minhas terras e isto é ponto final.
— Me desculpe se por acaso, causei esse estrago, mas não foi proposital.
— Eu já dei o recado, com licença. — ela esticou a mão e pegou os projéteis de volta.
— Não quer deixar comigo, para eu enviar a perícia?
— Não vejo necessidade, está tudo sobre controle e o senhor vai parar com a perseguição, não é mesmo?
— Já disse que não foi proposital.
— Papai, o que foi?
Italo ouviu o chamado de seu filho e entrou. Ele já não aguentava ficar em pé e estava deitadinho no sofá da sala. Ella também ouviu e entrou atrás.
— Oi, filho, quer alguma coisa?
— Era a senhorita, Ella? — perguntou com sua voz muito baixinha, sem notar que ela estava ali.
— Sim, filho. Infelizmente, um temporal destruiu a estufa dela e ela veio me contar.
A expressão do menino refletia sua tristeza e preocupação.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Veranice Zimmer Ferst
Que escroto esse homem nojento tem que sofrer muito espero que Ella não fique com ele pq eu paro de ler esta história agora meu Deus será que não tem um homem bom pra ficar com ela tem que ser logo o escroto do Italo não gostei dele 😔 ela tem que se apaixonar por alguém melhor pufavor escritora não deixa ela sofrer com esse homem nojento!!!!
2025-03-19
2
Expedita Oliveira
😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥😥
2025-03-16
1
Maria Alves
Ele esta sendo tão desalmado que está simplesmente destruindo a saúde do filho
2024-10-20
3