Ítalo também não gostou das imposições do pai e ao entrar no veículo, ousou falar:
— Ele a está obrigando a se casar. Percebi que suas costas estavam geridas, provavelmente a surrou e aquela secretaria ridícula, ainda ousou humilhá-la. Viu como ela estava vestida? Parecia uma velha e não uma jovem de 18 anos.
— Nada disso interessa, Máximo, esse casamento é para o interesse das empresas. Estou interessado no terreno que ela herdará da avó. Estamos elaborando um projeto grandioso para a área e não posso deixar escapar a oportunidade de ter aquele local.
— Espero que tenha razão e que a velha morra logo, pois Zélia está grávida e não quero ter um filho bastardo.
— Hoje em dia não existe mais isso, você foi muito imprudente. Mas poderá registrar a criança com seu nome e levar para sua esposa criar.
— Nenhuma esposa aceitaria criar o filho da amante de seu marido.
— Mas você terá a desculpa de tê-lo concebido antes do casamento.
Italo riu alto. Sabia que seus sentimentos não importavam para o pai, que o criou para ver as mulheres como seres inferiores, cuja importância era só para seu deleite, gerar filhos ou aumentar seu patrimônio.
Gostava do fogo de sua amante, mas não a amava, se não, teria lutado por ela, contra esse casamento arranjado, mas não deixaria seu filho nas mãos uma mulher qualquer.
— O senhor é maquiavélico, papai. Espero que valha a pena.
Eles foram embora, sem imaginar o que estava acontecendo com a noiva.
*
Quando Ella conseguiu se mover e sair do chão frio e subiu no catre, com um colchão tão fino e sem lençol, a dor maior que sentia, não era no corpo, mas na alma. Ficou deitada, sem soltar sequer um gemido. As lágrimas correram por muito tempo e acabou dormindo.
Acordou com a manhã pela metade, havia no chão, perto da porta, um prato com um sanduíche de pão com manteiga e um copo d'água. Mas ela não conseguia se mexer e continuou deitada na mesma posição e assim se passaram os dias, quando ela conseguiu se mover, foi para utilizar o pequeno banheiro e comer um pedaço do pão duro.
Perdeu a conta dos dias que estava ali, sem tomar banho, vestida com a mesma roupa e desnutrida. Foi quando a porta se abriu e a pessoa que mais amava nesse mundo, entrou.
— Vovó!
— Vamos embora, querida, aqui não é o seu lugar.
Vó Gertrudes foi até sua neta e ajudou-a a se levantar. Conteve as lágrimas ao ver o estado da neta e andou, amparando-a pela casa, em direção a saída. Ella pode ver seu pai e a secretária, caídos desacordados, no sofá. Assim como os funcionários da casa e os seguranças do lado de fora. Viu Dothy esperando próximo ao carro da avó.
— Vá com Deus, querida. Suas coisas estão todas no porta malas.
— Obrigada, Dothy, sei que tem o seu dedo nesse resgate.
— Só quero o seu bem, querida. Agora que você está indo, eu também me vou, já estou aposentada, só fiquei por você.
— Precisamos ir, querida. — chamou Gertrudes — Quero estar bem longe, antes que acordem e se deem conta do que aconteceu.
— Sim, vamos, tchau, Dothy.
Entraram no carrinho de Gertrudes e se foram, esperando nunca mais voltar.
— Eu pedi que Dothy me informasse qualquer coisa estranha que acontecesse com você. Não permitiria que fizesse com você, o que fez com sua mãe.
— O que quer dizer, vó?
— Que seu pai trancou sua mãe naquele quartinho até ela enlouquecer e tirar a própria vida e eu só soube quando ela já estava morta.
— Que horror! Mas ele não queria me deixar louca, me obrigou a ficar noiva e marcou o casamento para três meses após meu aniversário.
— Sinto muito, querida, a culpada sou eu, que devia ter me desfeito daquelas terras há muito tempo.
— Não vejo porquê, esses homens gananciosos não podem fazer o que bem quiserem com as pessoas.
— Sim, mas é melhor não estar no caminho. Daqui a alguns quilômetros, tem um hotelzinho, vamos parar e você poderá tomar um banho e ficar apresentável.
— Obrigada, vovó, sem a senhora, não saberia o que fazer.
— Você sempre poderá contar comigo querida, daqui pra frente, você terá uma nova vida.
Depois de pararem no hotel e Ella sentir-se gente novamente, jantaram e seguiram viagem. Levaram doze horas na estrada, parando só para abastecer e comer. Chegaram à casa de Gertrudes e se alongaram, antes de levarem a bagagem para dentro e poderem descansar.
Gertrudes fez um chá e as duas beberam, sentadas nas cadeiras de vime, na varanda. Era uma cabana de madeira, rodeada de varandas e seu interior, tinha o aroma de ervas e especiarias, que eram usados para fazer unguentos, xaropes e tônicos. A cozinha era grande e em um quarto ao lado, ficavam, em potes ou pendurados no teto, todo o material que usava em seus produtos.
Poucas vezes, Ella visitou sua avó, mas não esquecia aquele aroma que adorava e toda aquela natureza não poluída pela civilização. Um riacho passava pelo terreno e de lá vinha a agua que utilizavam. A luz, era fornecida por placas solares, que foram instaladas recentemente.
Ella inspirou forte aquele aroma único e descansou a alma, sabia que seu pai insistiria, mas ela não voltaria, jamais. Agora que tinha 18 anos e o apoio de sua avó, faria faculdade de farmacologia e um curso de fitoterapia. Seu futuro estava decidido e não era casar-se com um almofadinha, que só liga para os próprios interesses, mesmo que seja bonito.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Maria Maura
O noivo é cafajeste igual ao pai e o sogro, que corja.
2025-03-07
4
Expedita Oliveira
Quem tem um escroto desse como pai, não precisa de inimigos. Adorei a vovó. Parabéns !!! ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏
2025-03-16
0
Maria Alves
Que atitude linda da avó salva sua neta das garras cruéis do monstro que se pode! de chamar de pai
2024-10-20
2