Assim que as duas mulheres entraram na taberna a atenção de todos os presentes foi tomada para si. Não que ela estivesse completamente cheia, no entanto os poucos presentes pareciam olhar as duas com certa surpresa, seus olhares diziam que mulheres eram raras naquele ambiente.
Se sentindo o centro das atenções, Astin começou a se sentir incomodada e este sentimento piorou quando ela percebeu que um dos presentes, um homem se tudo no canto da taberna, olhava diretamente para ela.
Curiosamente, Drianne parecia estar à vontade, como se estivesse acostumada com esse tipo de lugar, o que criou algumas indagações na cabeça de Astin, que seguia a mulher que se dirigia até o balcão.
— Bom dia. Estou procurando pelo cinzento. — Perguntou para o homem grande e barbudo que estava no balcão secando um copo com um pedaço de tecido.
— O que duas mulheres como vocês fazem num lugar desse?
— Eu te fiz uma pergunta. — Insistiu Drianne.
— E por que você acha que eu saberia?
— Talvez isso aqui ajude você a se decidir. — Drianne mostrou uma pequena bolsa de algodão e dentro dela tirou algumas moedas de ouro. Assim que viu o ouro, o homem barbudo esticou a mão até a pequena bolsa, fazendo Drianne fechar e afastar. — Calma! Antes de você ter isso, me diga o que quero saber.
— Vou ser bem sincero para vocês. Esse lugar é cheio de… — Ele olhou ao redor e se aproximou do rosto da empregada. — Você sabe. Há ladrões por todos os lados. Você não devia andar com isso e muito menos ficar mostrando.
— Então não é melhor você começar a falar? — Falou subitamente, Astin. Recebendo um olhar de reprovação da mulher.
— Olha. Quando eu disse que não sabia o paradeiro dele, eu não menti. Mas posso mostrar a vocês quem poderia dizer.
— Se você não sabe, não serve para nós e consequentemente não merece ser pago.
— Senhorita Astin. Deixe que eu resolva com ele. Não interfira. — Drianne lançou outro olhar de reprovação, porém dessa vez com um semblante fechado. — Tome — Drianne entregou quatro moedas de ouro— Me diga quem pode dar a informação que eu quero e se realmente ele souber, lhe darei mais quatro moedas.
Assim que ele pegou as moedas da mão da experiente mulher ele olhou para o fundo da taberna em direção a um homem que estava sentado sozinho em uma das mesas.
— Aquele?
— Sim.
— Obrigada.
Enquanto as duas caminhavam em direção ao homem, Astin cochichou no ouvido de Drianne.
— Por que fez aquilo? Deu o ouro para ele?
— Senhorita Boulevard. Você não entende. Então fique calada e deixe que eu resolvo. Eu sei como funcionam esses lugares.
— Precisava falar aquilo na frente dele?
— Sim. Você não fecha essa boca grande.
Astin se surpreendeu com Drianne. Ela sempre foi a única que pareceu nunca temer a herdeira dos Boulevard e sua forma de tratá-la era diferente dos outros funcionários.
A garota ficou se perguntando se ela tratava da mesma forma a Astin original ou tinha notado que ela era a Astin falsa. Qualquer que fosse a opção, era um pouco estranho.
A cada passo que davam em direção ao homem sentado, Astin se sentia mais observada. Aquele sentimento que sentiu assim que colocou os pés na taberna, parecia ainda mais forte agora que estava próxima do homem que usava um chapéu que escondia seus olhos na escuridão e segurava um copo nas mãos.
— Ei, você! Ouvi dizer que sabe o paradeiro do cinzento. É verdade?
— Talvez! — Respondeu friamente enquanto entornava o líquido do copo.
— Eu tenho um trabalho para ele. Pago bem.
— Acho que consigo falar com ele, Só há um problema.
— E qual seria?
— Eu trabalho com ele. Se for contratá-lo, terá de me contratar também. E não somos baratos.
— Dinheiro não é problema. E eu acho que iremos precisar de você também. Temos um acordo?
— Como falei, terei de ver com ele.
— E quando terei a resposta?
— Quando nos ver chegando até sua casa.
— Você nem sabe quem somos, como saberá onde é nossa casa? — Perguntou Astin, tirando outro olhar sombrio de Drianne em sua direção.
— Se nós não soubéssemos tudo por aqui, não seríamos os melhores, senhorita Boulevard.
Astin não conseguiu esconder a surpresa ao ouvir seu nome ser falado pelo homem que mantinha seu jeito calmo e olhar vago. Realmente ele era muito bom, mas será o suficiente para o serviço que precisavam?
Seu olhar era intimidador, no entanto isso não era sinônimo que ele fosse um bom guarda para garantir sua segurança. Ela não precisava de um detetive, precisava de um homem forte e muito bem armado, características que aquele homem não tinha.
— Aguardo vocês até amanhã às 8 horas. Caso contrário não irei contratar vocês.
Ao falar isso, Drianne puxou Astin e as duas foram embora. Enquanto saiam daquele beco escuro com passos apressados, Astin tentava se segurar para encher Drianne de perguntas.
— Como sabe que eles são os melhores para o que eu preciso?
— Senhorita Boulevard, acredite. Eles são.
— E se eles não aceitarem? Ele nem falou o preço. E outra, ele não me parece ser tão forte ou que saiba usar uma arma.
— Eles irão aceitar.
— Como sabe que irão?
— Depois conversamos sobre isso. Esse lugar é muito perigoso. — Drianne andava com pressa e olhava para os lados a todo momento, verificando se não estavam sendo seguidas.
— Tudo bem, mas só me responda. Como tem certeza que eles irão aceitar?
— Porque eu já contratei o cinzento no passado.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Jana Rios
impressão minha ou Driane sabe de algo a mais??
2023-08-01
1
Maria Silva
Driane sabe mais do que imaginamos
2023-06-25
0
Alynne Andrade
Drianne e misteriosa
2023-05-30
1