Eram muitas coisas para digerir em pouco tempo. Astin ainda tentava se recuperar da sua misteriosa aparição dentro do corpo de uma personagem de livro e agora tinha acabado de descobrir que estava prestes a se casar.
Sua vontade era de gritar ou chorar, mas não podia fazer isso na frente das empregadas. Pensou em correr dali, mas certamente seria algo muito estranho, então restou acabar de mastigar e engolir o pão que descia seco em sua garganta.
Ciente de que não tinha muitas possibilidades, se levantou e resolveu aceitar o que o destino lhe aguardava, pois se era um romance o qual havia entrado dentro da história, provavelmente o Conde seria um lindo homem.
— Então vamos agora. — As três empregadas ficaram olhando para ela.
— Desculpe a indelicadeza, mas a senhorita vai assim?
— Vou. Por que a pergunta?
— Nada. Só que a senhorita normalmente usa roupas mais…
— Mais? — Arqueou a sobrancelha.
— Mais pomposas, digamos assim.
— Escutem todas vocês. A partir de agora todas as ordens que eu dei a vocês, vou revogar. Eu quero que vocês me vejam diferente, como se eu fosse uma nova pessoa, entenderam?
As três responderam que sim, deixando Astin satisfeita. Se a situação estava fora de seu domínio, era hora de pelo menos dominar aquilo que conseguia dominar, ser a sobrinha do Duque de Faraday e todo seu dinheiro e poder.
Depois de gentilmente agradecer às empregadas, Astin foi conduzida até a carruagem. Assim que chegou, um homem alto, magro e com olheiras a esperava com a porta da carruagem aberta.
— Bom dia Senhorita Boulevard. Entre por gentileza.
— Obrigada.
O cocheiro era de poucas palavras e seu físico anêmico não botava medo nem em uma frágil donzela como Astin. Ela riu sozinha, dando graças que ele era um cocheiro e não um cavaleiro para protegê-la.
Durante a viagem, Astin foi se lembrando mais do livro e algumas coisas começaram a fazer sentido. Então, ela se lembrou que o Conde de Wisdow era descrito como um rapaz muito bonito, alto, cabelos castanhos claros, além de ser um homem bem forte, isso de certa forma acalmou seu coração.
Apesar de aos poucos conseguir se lembrar da história, a questão mais importante continuava sendo um enorme ponto de interrogação. Não havia sinais ou pistas de como ela havia parado ali, pelo menos nada crível ou que fizesse sentido.
Entretanto, o que poderia ser considerado crível dentro desse contexto louco e surreal? Ela, uma garota real, acordar no corpo de um ser fictício. Era tamanha fantasia que nada daquilo parecia ser possível.
Quando se aproximou da residência do conde, Astin viu pela janela a beleza e grandeza do lugar. Comparado com a sua residência era muito maior, totalmente grandiosa. Conforme a carruagem foi se aproximando, Astin lembrou que, segundo escrito na história, o casamento era uma forma de seu tio fechar um acordo comercial.
Não que ela estivesse confortável com a situação ou concordasse, mas devido às circunstâncias, não haviam opções. Mas o que a deixava bem tranquila era a possibilidade de conhecer o belo Conde de Wisdow, o qual ela sempre guardou um amor literário desde a primeira, de muitas vezes, que leu a história.
Quando os dois chegaram, um dos empregados do Conde estava esperando e abriu a porta da carruagem e se apresentou:
— Seja bem vinda senhorita Boulevard. Meu nome é Brunn. Vou conduzi-la até o Conde que está lhe esperando.
— Obrigada, Brunn.
Astin acompanhou o homem que ia ligeiramente à sua frente. Assim que entraram na casa, a garota começou a olhar em volta. Havia um grande quadro de um homem de cabelos grisalhos e um grosso bigode. Aparentava ter mais de 50 anos, porém Astin não conseguiu reconhecê-lo da história. — Talvez seja o pai do Conde de Wisdow. — Pensou.
Após mais alguns passos, o homem parou em frente a uma grande porta.
— Chegamos. O Conde está esperando você lá dentro.
Ficando de costas para a porta, o homem fez um sinal para que ela entrasse. Astin demorou alguns segundos até entender, então abriu a porta e entrou.
A sala realmente era tão grande quanto aparentou e não demorou muito para Astin perceber que se tratava de uma biblioteca. Havia diversos livros perfeitamente alinhados em estantes que seguiam do chão até quase o teto. Uma grande escada corrediça parecia ser o objeto mais importante do local, pois sem ela, os livros nas partes superiores não teriam acesso.
Quando Astin olhou mais atentamente, percebeu duas poltronas e em uma delas um homem estava sentado fumando algo que parecia ser um cachimbo. Para sua surpresa não era o Conde, pois o homem aparentava ser velho, então quando olhou com mais atenção ela percebeu que era o mesmo homem do quadro que tinha visto momentos antes.
Assim que o homem viu Austin, ele se levantou e veio em sua direção.
— Espero que tenha feito uma ótima viagem, senhorita Boulevard. Eu sou o Conde de Wisdow, mas pode me chamar por Murdoc.
A garota olhou para o Conde e seus olhos não acreditaram no que viram. Diferente do que pensou, o homem não aparentava ser jovem, muito pelo contrário, sua aparência anosa e os cabelos e bigode grisalhos davam a certeza de suas suspeitas. Era o mesmo homem no quadro que vira antes, mas muito mais velho e acima do peso.
— Deve estar havendo algum engano.
— Perdão, senhorita?
— Não era assim. Eu me lembro. A descrição era de um rosto jovial, cabelos castanhos… Você não pode ser o Conde de Wisdow
— Do que está falando? A senhorita está bem? Cadê o cocheiro? A senhorita caiu e bateu com a cabeça? Eu sou o Conde e seu futuro esposo.
Após ouvir essas palavras, Astin sentiu suas pernas fraquejarem, sua vista começou a ficar turva e então, caiu no chão desmaiada.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
HENEMANN- MEDEIROS. Henemann
AF 🥴 já fiquei cm dó da Astin. Será que ele vai se casar cm um velho mesmo? 😁 coitada. já que está num conto de fadas /Doge/poderia ser pelo menos um príncipe 😂😂
2023-10-09
3
Maria Silva
que pena, em Austin, mais isso e a realidade do dia a dia nem tudo que reluz é ouro kkkķkkkk
2023-05-31
1
Thatyyyyy
como assim no romance dela ele era jovem lindo como agora e um senhor ...
2023-05-22
0