Os olhos de Astin gentilmente se abriram e novamente ela se viu em outro lugar. Não estava mais na biblioteca apesar de estar usando as mesmas vestes. Ela parecia estar em uma espécie de quarto de hospital.
O quarto estava vazio e à sua direita havia uma pequena cama de solteiro que chamou sua atenção. Era tudo bem simples, um pequeno guarda roupas e ao lado da cama no chão, um par de chinelos estavam juntos, como se estivessem à espera do seu dono.
Astin olhava tudo aquilo com um sentimento familiar. Ela sentia que aquilo ou parte daquilo fazia parte de sua vida, mesmo que não soubesse o motivo. Algumas vozes foram ouvidas e quando ela se virou, a porta do quarto se abriu e três mulheres atravessaram seu corpo como se fosse um fantasma.
Nesse momento ela percebeu que sua presença não era notada, teria ela morrido? Seria ela uma alma penada? Então Astin começou a reparar nas três mulheres. Uma tinha cabelos tão brancos quanto algodão, era uma senhora que andava com dificuldade e era auxiliada por outra mulher que estava vestida toda de branco.
A terceira mulher lhe fez entrar em choque. Era novamente a Astin da vida real, olhava a jovem mulher de branco colocar com todo cuidado a senhora de cabelos brancos. Então a senhora começou a relutar de se deitar enquanto olhava para Astin e com um olhar de piedade repetia as palavras.
— Filha, não me deixe novamente aqui. Me leve com você filha. Eu odeio esse lugar.
— Senhora Miller, se acalme. Tem que deitar, está cansada.
— Eu não quero me deitar. Astin, minha filha. Por que você está me colocando neste lugar?
A verdadeira Astin olhava para sua mãe e não mostrava nenhuma reação, a jovem Boulevard via tudo aquilo atônita e então se aproximou, pois ela queria olhar nos olhos da mulher e quando ela fez isso notou um profundo vazio. Como que ela não conseguia reagir? Era a sua mãe praticamente implorando para que não a deixasse.
Após relutar por alguns minutos, a mulher de branco conseguiu dar a medicação e pouco a pouco a senhora foi se acalmando até pegar no sono, não antes de numa última tentativa desesperada, esticar as mãos em direção da filha que virou as costas saindo da sala.
A jovem Boulevard sem conseguir acreditar no que tinha acabado de ver, resolveu ir atrás de sua versão real enquanto gritava seu nome.
— Eu! Astin. Volte lá. É a sua mãe. Astin! Como você pode largá-la aqui sozinha? ASTIN!
Porém, os gritos eram em vãos. Ela continuava andando pelo corredor como se ninguém estivesse falando com ela. Em um último ato de revolta, Astin correu em direção da sua versão real e quando se aproximou tentou segurá-la pelos braços, mas suas mãos atravessaram o corpo da mulher que continuou a andar.
Juntando todas as suas forças ela deu um último grito que pareceu ecoar por todo o lugar.
— Astin!
Dessa vez a sua versão real parou, olhou para trás em sua direção e começou a se aproximar. Uma olhava para os olhos da outra, a conexão era tão grande que pareciam dois cometas prestes a colidirem, então quando a verdadeira Astin estava a poucos centímetros da jovem Boulevard ela escutou alguém atrás dela falar:
— Senhorita Boulevard. Senhorita Boulevard.
Astin abriu os olhos e estava novamente na biblioteca. Ainda estava tentando entender o que havia acontecido e viu Drianne parada na sua frente com um sorriso maroto nos lábios.
— Hã? O que foi? O que aconteceu? — Ela começou a olhar para os lados como se procurasse alguém. — Onde ela está?
— Ela quem?
— A Astin velha. A real, quero dizer. Eu de verdade.
— Do que você está falando, senhorita Boulevard? Teve um pesadelo?
— Não. Ela estava aqui. Era real, Parecia real… será? Mas…
— Quer que eu traga um copo de água? Vou lá pegar para você.
— Não! Não precisa. Estou bem.
— Certeza?
— Sim.
— Entendo. Fiquei sabendo que você queria falar comigo.
— Sim. Era um pouco urgente. Eu não sabia que tinha saído.
— Desculpe, mas precisei comprar algumas coisas para a casa, por isso pedi ajuda para Assif.
— Não, tudo bem. Eu entendi. É que eu não sabia e procurei pela casa toda.
— Imagino que seja algo muito importante.
— Eu diria que sim. Se puder fechar a porta eu agradeço. Pois ninguém pode saber disso.
Quando Drianne se dirigiu para a porta, Lys abriu abruptamente dando um susto em Drianne.
— Mas o que está fazendo, garota? Quer me matar do coração?
— Eu estava passando aqui em frente e ouvi vozes, vim ver quem era.
— Sem bater na porta? Se esqueceu que é apenas uma empregada?
— Desculpe. Foi involuntário. Eu apenas abri a porta.
— Tá certo! Agora você já pode ir.
— Vocês não querem que eu traga algo? Um chá? Biscoitos?
— Não. Obrigado. Pode ir. Se precisar de alguma coisa eu a chamo.
— Está bem.
Drianne esperou alguns segundos depois que ela saiu e colocou a cabeça do lado de fora. Tendo a certeza que não havia ninguém, entrou e trancou a porta.
— Pronto. Sem interrupções ou empregadas abelhudas.
— Não seja tão má com ela, Drianne. Ela é prestativa. Tem boas intenções.
— De boas intenções, os monstros do reino estão cheios.
— Parece que você não gosta muito dela.
— Isso foi uma pergunta ou uma constatação sua?
— As duas coisas.
— Eu não confio nela.
— Mas por que? Ela já fez algo que fizesse você desconfiar?
— Não. Nada. Pelo contrário. Ela trabalha muito bem.
— Então, por que a desconfiança?
— Isso é estranho. A perfeição. Nunca conheci um único funcionário que fosse perfeito. E não existe isso. Me incomoda o jeito dela fazer tudo impecável, eu sei que a senhorita era muito bruta e sistemática, mas me estranha o jeito dela. Parece que ela quer mostrar que faz tudo perfeito para nunca ser demitida.
— Mas não era isso que eu… quero dizer… meu antigo eu, fazia!
— Sim. Você demitiu muitas pessoas. Tratou mal diversas outras, inclusive ela. E por que ela é a única que apesar de tudo sempre esteve aqui e fazendo tudo perfeito?
— Ela precisa do emprego, Drianne. Conversamos sobre isso. Ela mesmo me disse.
— Senhorita Boulevard. Ser meio termo nunca foi seu forte. Ou muito má ou muito bondosa. Opostos. Puxou exatamente seus pais, uma parte de cada um. Mas enfim, o que quer me dizer de tão importante que me procurou o dia todo e pediu total sigilo?
— Eu acho que estou correndo perigo de vida?
— E o que lhe faz acreditar nisso?
— Drianne, não é uma suposição ou devaneio. Estou falando, pois realmente fui ameaçada e bem aqui nessa casa.
— E quem poderia ser tão ousado para vir até a sua casa e lhe ameaçar? Não me diga que foi algum empregado? O filho do Conde?
— Não. Não… Ewan? Ele nunca faria isso. E também não foi nenhum empregado.
— Então foi quem?
— Cleavens!
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 90
Comments
Maria Silva
é fiquei confusa será que Astin abandonou sua mãe 🤔
2023-06-25
0
Alynne Andrade
a mãe de Astin não morreu ela abandonou em alguma clínica psiquiatra, existe no fictício kkk
2023-05-30
1
Luciana 🥰
Nossa será que a verdadeira Astin abandonou a mãe????🤔. Quando penso que está ficando tranquilo vem a turbulência kkkkk. Será que Driane é de confiança? E essa Liz tá ficando abusada né.🤔😃
2023-05-17
0