Astin sentiu seu coração bater acelerado ao ver Ewan. O sorriso doce do rapaz parecia enfeitiçar seu olhar que se mantinha paralisado. Tentando fugir dos olhares do filho do Conde, para a jovem o rapaz parecia estar muito mais bonito do que da última vez que o havia visto.
Tirando do bolso o que parecia ser um envelope, Ewan se aproximou de Astin e fazendo uma pequena reverência tirou seu chapéu e falou:
— Desculpe minha falta de decoro em aparecer assim de repente e sem avisar, senhorita Boulevard.
— Não precisa se desculpar. Aconteceu alguma coisa? O que lhe traz de tão longe?
— Não. Na verdade estou vindo em nome do meu pai e seu futuro cônjuge, o Conde de Wisdow. Ele pediu para que lhe entregasse esse envelope. — O rapaz esticou a mão e entregou o envelope nas mãos da futura Condessa.
— Ah! Obrigada. Então… não quer entrar? Não estava esperando sua visita, não estou com trajes ideais. Posso pedir que preparem algo.
— Não quero atrapalhar você, senhorita Boulevard. Minha missão era entregar a carta, pois foi um pedido do meu pai e já o fiz.
— Sei que a viagem é longa. E depois de tudo isso vai voltar às pressas? Deixe seu Cocheiro comer algo, alimentar e dar água ao cavalo. Os dois precisam descansar um pouco. E você não está atrapalhando. Venha, entre.
Ewan foi até o cocheiro e após falar com ele, Astin o puxou pelo braço o trazendo para dentro da casa, sendo seguida por Lys. Drianne ficou parada observando os três e depois foi até o homem que arrumava algumas coisas na carruagem. Trocou algumas palavras e o conduziu até o local onde Brunn estava.
Astin estava feliz em ver Ewan e tentava a todo custo ocultar a alegria que facilmente transbordava de seus olhos. Lys observava tudo com um sorriso no canto dos lábios e acompanhou a dupla até a entrada da biblioteca.
— Senhorita Astin, vou pedir para prepararem algo especial para nosso convidado.
— Não precisa! — Falou interrompendo a jovem empregada. — Até porque não fui convidado. Apareci de repente sem avisar.
— Já falei que não precisa se preocupar com isso. E se te faz sentir melhor, você é meu convidado.
— Se insiste tanto, seria indecoroso da minha parte não aceitar.
— Lys, pode ir. Deixe eu e o Ewan a sós.
— Está bem, senhorita Boulevard.
A jovem empregada foi embora deixando os dois em frente a porta da biblioteca. Astin foi a primeira a entrar, sendo seguida pelo rapaz.
— Pelo visto a senhorita gosta muito de leitura.
— Eu? Ah… sim. Eu sempre gostei. Desde pequenina.
— Então esses livros todos são seus?
— Não! Eram do senhor e da senhora Boulevard, os pais de Astin.
Os dois foram surpreendidos por Drianne que havia entrado repentinamente na sala.
— Desculpem minha indiscrição, mas eu só vim avisar que o seu Cocheiro Assif já alimentou o cavalo e estava indo se alimentar.
— Obrigada, Drianne.
— Se precisarem de alguma coisa, é só me chamar.
Depois que Drianne foi embora, Ewan continuou olhando para a imensa parede cheia de livros, enquanto Astin se sentia um pouco constrangida por ter sido desmentida na frente do filho do Conde.
— Meus sentimentos.
— Não… tudo bem. Estou bem.
— Faz muito tempo que eles se foram?
— Sim. Um longo tempo.
— Se me permite perguntar, mas faleceram do que?
— Faz tanto tempo que muitas vezes esqueço como isso aconteceu. Se me permite, eu gostaria de mudar de assunto.
— Sim. Claro! Me desculpe pela pergunta.
— Não precisa se desculpar.
— Seus pais tinham muito bom gosto.
— Certamente.
Ewan se aproximou de alguns livros e foi passando a mão sussurrando os nomes até que seu dedo parou em um dos livro.
— Soul Parsifal… interessante. Esse livro é uma relíquia. T.R.Lopes é um autor novo, longe da vanguarda, mas muito talentoso. Conhece esse autor?
— Ainda não tive a oportunidade de conhecer sua obra.
— Deveria. É uma linda história de amor.
Astin sorriu timidamente, pois a única história de amor que interessava para ela naquele momento eram os dois juntos.
Ewan continuou passeando seus olhos por todos aqueles livros e novamente parou em outro e o tirou da prateleira.
— O Conde de Monte Cristo. Eu já li esse. É muito bom. E você já leu?
— Sim. — Respondeu hesitante.
— Não gosto de injustiças. Rapidamente me identifiquei com Edmond. Você sabia que esse livro foi baseado em uma história real?
— Eu não sabia.
— Um pobre sapateiro que foi preso injustamente. Como falei, essas coisas me revoltam. Não gosto de injustiças e de mentiras— Falou colocando o livro novamente no lugar.
A jovem sentiu que as palavras foram direcionadas para ela, e apesar do jeito sereno de Ewan, seu olhar frio indicava alguma desconfiança, seja ela qual fosse.
— Realmente você é um ótimo leitor. Estudou onde?
— Em Edimburgo. Sei que vai parecer estranho, por favor não ria. Acredita que eu queria ser um filósofo?
— Você é um filósofo?
— Pois é. Como um filho de um comerciante agricultor poderia gostar de filosofia?
— Era o que eu iria lhe perguntar.
Ewan caminha até duas poltronas que estavam em frente a uma mesa e faz um gesto com a mão apontando para uma das poltronas.
— Por favor, sente-se senhorita Boulevard.
Astin aceitou o pedido do rapaz e se sentou, colocando a poltrona bem próxima da que ele estava. Seus olhos não desviavam dele nem por um segundo, e a cada movimento do filho do Conde, Astin sentia uma estranha atração. O corpo do rapaz parecia um ímã para com o seu.
— Pronto. Assim posso olhar para você enquanto você me conta.
— Desculpe, senhorita Boulevard. Não quero parecer invasivo, mas por que colocou a poltrona tão próximo?
— E tem algum problema com isso?
— Não quero que a senhorita pense que tenho intenções com você. És a futura esposa do meu pai. Se alguém entrar aqui de repente e ver isso, podem tirar conclusões erradas.
— Não estou entendendo, Ewan. Quais conclusões poderiam tirar?
Astin olhava para o rapaz com um olhar pedante. Inconscientemente ela mordia seus lábios que naquela altura pareciam muito mais vermelhos e convidativos. Ewan começou a suar e se sentiu desconfortável com a situação.
— Nenhuma. Talvez eu tenha me expressado mal.
A futura Condessa dobrou o corpo para bem próximo de Ewan, ficando a poucos centímetros dele.
— Então é o momento certo para se expressar bem.
Abrindo a porta de forma repentina, Lys entrou na sala, fazendo Ewan dar um pulo da poltrona e saindo de perto de Astin.
— Senhorita Boulevard, vim avisar que o almoço está pronto.
— Ótimo! Estou com fome.
Ewan se sentia desconfortável e com passos apressados saiu da biblioteca deixando Astin sentada e desolada.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Ruby
que empregada atrevida
2025-02-10
0
Nayra Reis
shippo muito ❤️
2023-07-08
1
Nayra Reis
amei a referência do seu próprio nome no livro
2023-07-08
0