Quando a garota entrou na carruagem sentiu uma tristeza tomar conta de seu corpo. Desde que tinha acordado completamente perdida num mundo antes fantasioso, ainda não tinha tido tempo para pensar.
Agora sozinha em sua viagem de volta finalmente sua mente tinha acalmado, o que estava fazendo nesse mundo? E tão lágrimas começaram a escorrer do seu rosto, sentia saudade de sua casa, apesar de não conseguir se lembrar dela, sentia saudade de sua vida, apesar de não ter a mínima noção de que vida era essa.
A única certeza que tinha era de seu futuro casamento com o Conde de Wisdow, e isso lhe causava desespero, sem contar Cleavens, que certamente não mediria esforços para tornar sua vida um inferno. Eram tantos problemas e nenhuma solução.
Astin olhava pela janela a linda natureza que circundava a estrada. Aquilo era a calmaria na tempestade que havia se tornado a sua vida. O chacoalhar da carruagem lentamente foi deixando seus olhos cansados e o torpor foi tomando conta do seu corpo, sem conseguir perceber a futura Condessa de Wisdow adormeceu.
Perdida no que parecia ser realidade ou sonho, Astin abriu os olhos e viu a si mesma, sua versão real, sentada em uma cadeira em um cômodo que parecia ser um escritório. O local era espaçoso e a mobília chique. A mesa a qual estava tinha um laptop onde ela digitava e parecia bem concentrada e ao lado da máquina havia um livro.
Então de repente a porta foi aberta e entrou uma mulher de cabelos levemente grisalhos com vestimenta de empregada, ela estava segurando uma bandeja e parecia um pouco tensa. Em cima dessa bandeja havia uma xícara, queijo e pães.
Com todo cuidado a mulher colocou sobre a mesa, porém por um descuido deixou cair uma fatia de pão nas teclas do aparelho. Imediatamente a mulher começou a pedir desculpas, suas palavras saiam um pouco embaralhadas, pois ela tinha um sotaque latino.
Astin então olhou nos seus próprios olhos e viu uma fúria que nunca pensou que poderia existir dentro de si. Tomada pela raiva a mulher falou:
— Tenha mais cuidado! Quase caiu em cima do livro. — Ela apontava para o livro ao lado do laptop.
— Me desculpe, senhora Miller. Prometo que isso nunca mais vai acontecer.
Apesar da vontade de responder estupidamente e dizer que caiu bem longe do livro, a mulher falava com receio na voz e mostrava todo o seu respeito por ela.
— Mas não vai mesmo. Você está despedida
— Mas senhorita Miller. Eu moro sozinha. Não tenho para onde ir. Se eu perder o emprego não terei condições de continuar pagando o aluguel.
— Isso não é um problema meu. Pensasse antes de ser tão desligada no trabalho.
— Mas foi um acidente. Perdóname. — Falou em seu idioma natural quase se ajoelhando para a mulher.
— Levante. E vá embora. Antes que eu chame alguém para tirá-la daqui.
A mulher de cabelos grisalhos se levantou, limpou algumas gotas de lágrimas que começaram a escorrer e foi em direção a porta. Antes de sair, Astin jurou que ela olhou em seus olhos, e assim que a senhora passou por ela e fechou a porta, o barulho da porta batendo acordou Astin.
Quando a jovem acordou, percebeu que estava quase anoitecendo e que já estavam chegando em casa. Astin conseguia enxergar o enorme casarão e suas luzes acesas.
Ainda atordoada com o sonho, ela tentava juntar os pontos, imagens e lembranças e como num toque de mágica, aquela cena ficou vívida em sua cabeça. Ela se lembrava daquele dia, apesar de não conseguir se lembrar de nada além daquilo.
O sentimento de raiva que a mulher sentiu ao ver cair sobre o teclado, começou a tomar conta do corpo da senhorita Boulevard. Era algo muito ruim, Astin não conseguia acreditar que aquele tipo de sentimento partiu dela.
Sentindo uma enorme repulsa por aquilo, a jovem esfregou os olhos e chacoalhou a cabeça de forma negativa. Só podia ser um engano, nada daquilo era real.
"Talvez realidade e livro estejam se confundindo."
Astin falou para si mesma até que se convenceu que tinha razão. Realidade e livro poderiam estar confundindo suas lembranças, isso explicaria as mudanças na história.
"Sim! Tudo está se misturando."
Sentindo um pouco de alívio, Astin respirou fundo e se acalmou. Então a carruagem parou, e um minuto depois Assif, o cocheiro, abriu a porta para ela.
— Chegamos, senhorita Boulevard.
Cuidadosamente, Astin desceu da carruagem e foi acompanhada por Assif até a entrada da casa. Quando chegou, Lyud, uma das empregadas, estava esperando por ela.
— O Duque de Faraday está lhe esperando, senhorita Boulevard.
— Quem? — Perguntou de forma natural, se esquecendo de quem se tratava.
— O Duque. O seu tio.
— Ah! Desculpe. Estou exausta. Foi uma viagem cansativa. E onde ele está?
— Na biblioteca. Disse que assim que a senhorita chegasse, era para lhe dar o recado. Ele está lhe esperando para conversar.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Ruby
trocaram de lugar?
2025-02-10
0
Maria Silva
nem sei fizer o que Austin está pensando, está tão confusão sua cabeça, muita coisa 🤔
2023-06-23
2
Alynne Andrade
Astin era um pessoal ruim na vida dela
2023-05-28
1