Drianne tentava entender como Cleavens poderia fazer tal ameaça dentro do quarto de Astin sem ao menos ter sido vista por nenhum empregado.
— Você disse que ela apareceu do nada?
— Exatamente. E quando me distraí por cinco segundos ela desapareceu.
— Talvez tenha uma resposta.
— Sério? Me diga qual.
— É uma história longa. Há muitos anos atrás. Você nem era nascida, por isso não sabe, mas seus pais e os pais de Cleavens eram amigos. Era um segredo de seus pais. Eles nunca falaram para você, não é?
— Não. Bom… se tivessem dito eu me lembraria.
— Sua mãe vivia me dizendo que a maior decepção da vida dela era ter chamado a família Le Louvre de amigos.
— Por que? O que aconteceu?
— Sua mãe nunca me explicou ao certo. A única coisa que ela falou foi sobre uma pedra mágica. Algo que foi objeto da briga entre as duas famílias. Segundo ela, eles roubaram de seus pais e foi aí o começo de todo desentendimento entre eles.
— E o que isso tem a ver com Cleavens aparecer e desaparecer de repente no meu quarto?
— Tudo. Segundo sua mãe, essa pedra dava a pessoa o poder de desaparecer. Nunca acreditei nessas coisas mágicas, mas agora que você me disse isso, estou começando a rever meus conceitos.
— Meu Deus! Uma coisa dessas nas mãos de uma doida como ela, é muito perigoso. Será que ela pode fazer algo além de apenas aparecer e desaparecer?
— Acho improvável. Se pudesse já teria feito, não acha?
— Pensando por esse lado, é verdade.
— Você reparou se ela usava alguma jóia ou algo do tipo?
— Não. Pra ser sincera eu estava tão nervosa e assustada com ela que não reparei.
— Ela que fez isso no seu pescoço?
— Sim.
Astin abaixou a cabeça como se tentasse esconder a vergonha que sentia por ter deixado Cleavens ter ferido seu pescoço. Era o tipo de coisa que mexia com sua cabeça. Astin odiava se sentir inofensiva e era exatamente como se sentia após o acontecido.
— Por que esse olhar?
— Eu odeio me sentir assim.
— Uma presa fácil para os outros?
— Isso. Por isso vim pedir sua ajuda. Preciso de alguma forma me proteger. Preciso de proteção. Estou me sentindo vulnerável pela primeira vez.
— Irei ajudar você.
Drianne não demonstrava, mas estava surpresa com a reação de Astin. Não era o tipo de coisa que ela estava acostumada a ouvir da herdeira dos Boulevard. Porém, uma coisa já estava muito clara para Drianne, a mulher malvada e muitas vezes cruel, parecia não existir mais.
— Já tem ideia de como?
— Sim. Amanhã eu e você sairemos bem cedo. Vamos a um lugar. Acho que lá poderemos ter a ajuda a qual precisa.
— Posso saber onde iremos?
— Descanse. Amanhã explico melhor para você.
Astin consentiu com a cabeça e assim as duas saíram da biblioteca e foram para seus respectivos quartos. Quando Astin deitou, não conseguiu dormir. A lembrança de Cleavens e a possibilidade da sua inimiga aparecer a qualquer momento, até mesmo enquanto dormisse, a atormentou e a fez perder o sono.
A jovem dividia seus medos com a lembrança de seu sonho, ou teria sido um pesadelo? Suas lembranças de sua vida real ainda eram muito obscuras, mas o pouco que tinha se lembrado não traziam boas notícias.
Era difícil aceitar que ela era aquela mulher fria e amarga. Mesmo criando teorias baseadas em fragmentos de sonhos, nada podia ser descartado, fosse algo bom ou ruim e Astin sabia que não era o momento para surtar com isso, havia outros problemas mais sérios. Em meio aos medos e receios, Astin pegou no sono e conseguiu dormir bem, apesar de todos os problemas
Na manhã seguinte, assim como dito por Drianne, as duas saíram cedo do casarão Boulevard. Astin estava excitada, afinal era a primeira vez que sairia sem a carruagem e andaria pelas ruas de Bourbon.
As primeiras impressões da jovem senhorita Boulevard foram ótimas, havia várias outras lindas casas e algumas carruagens desfilavam pelas ruas. Era a primeira vez que ela via pessoas, muitas pessoas pelas ruas. Ela tentava não mostrar seu total vislumbre, pois não queria deixar Drianne mais desconfiada.
Mas era difícil esconder seus olhos que brilhavam com tudo o que via. Astin tinha esquecido que existia um mundo real e cheio de coisas reais dentro de um livro fantasioso, apesar de ser um universo criado pela mente de um escritor, era tudo tão real.
Enquanto as duas caminhavam, Astin foi percebendo que a beleza das casas outrora dominante, abria espaço para casas mais simples, além do lugar ficar visivelmente mais humilde. A jovem até jurou achar que a luz do sol se recusava a iluminar aquele trecho do bairro, tamanha era sua escuridão além de ter ficado o caminho todo questionando Drianne o motivo de usar um véu cobrindo o seu rosto.
— Você ainda não me disse onde iríamos? E nem o motivo desse véu no meu rosto.
— Astin! Agora fique perto de mim. Estamos numa parte da cidade um pouco perigosa.
— Isso ainda não respondeu a minha pergunta, Drianne.
— É um lugar onde encontrarei um conhecido que pode nos ajudar. Mas não é um lugar onde uma mulher como você deve frequentar. Consegue entender o motivo de você estar usando esse véu?
— Acho que sim…
Na verdade Astin ainda não tinha entendido o motivo, mas começou a entender quando as duas entraram em uma viela. O local era escuro e bem sujo e parecia ser o lugar perfeito para a moradia de todos os criminosos que podiam existir na cidade quiçá no reino.
Alguns homens estavam deitados próximo a sarjeta com garrafas de bebidas no chão evidentemente bêbados e não tão longe deles havia uma espécie de taberna que se escondia junto com o ambiente ao redor.
A reação de Astin foi olhar para Drianne que imediatamente respondeu ao seu olhar balançando a cabeça de forma positiva. Sim, ali era o destino das duas mulheres.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Jana Rios
eita, quanto ministério, amandooo
2023-08-01
2
Maria Silva
acho que elas vão achar mais doque respostas nesse lugar estranho
2023-06-25
0
Alynne Andrade
vão atrás de feiticeiras.
2023-05-30
1