Não fazia nem um dia completo da estadia de Astin dentro do livro e já tinha sentido todos os tipos de emoções e confusões. Soubera que iria se casar com um velho obeso, que sua rival jurou vingança, que seu personagem favorito o qual arrancava suspiros em suas leituras, parecia um tapado e agora tinha sido convocado pelo tio para uma conversa às pressas.
Enquanto Astin fingia saber o caminho até a biblioteca, a jovem ia conversando com a empregada, mantendo ela ocupada até que a acompanhasse até o local. No entanto, a empregada respondia friamente as perguntas, e mostrava pouco interesse nas coisas que ela falava.
Chegou a passar em sua cabeça que diferente das outras, essa parecia não temê-la. Pois a mulher não hesitou em momento algum e manteve seu olhar distante e nariz empinado, o tempo todo.
Enquanto Astin ajeitava o seu cabelo, a empregada parou em frente a uma porta dupla que estava fechada.
— O Duque a espera lá dentro.
Sem dizer mais nenhuma palavra a empregada se virou e foi embora, deixando Astin parada e sem reação.
Sentindo um frio na barriga ela se aproximou e colocou a mão na maçaneta.
A jovem não sabia o que ia encontrar ao abrir a porta. Tantas coisas estavam diferentes, o que mais poderia acontecer?
Então fechou os olhos e abriu. Assim que entrou na sala uma voz masculina e firme falou com ela.
— Finalmente você chegou, Astin. Passei o dia à sua espera.
Sadew, o Duque de Faraday, estava de pé e de costas para ela enquanto tirava um livro da estante. Assim que ele se virou, Astin começou a perceber a familiaridade do seu rosto. Era exatamente conforme descrito no livro.
Seu corpo esbelto que lembrava a de um soldado, apesar da idade senil. O cabelo grisalho ondulado não escondia as entradas que denunciavam uma calvície eminente. Um breve bigode cinzento cobria de pinta a pinta ligando as bochechas levemente grandes.
— Boa noite, tio. O que lhe trouxe de tão longe para essas bandas.
— Negócios, minha cara sobrinha.
— Que indelicadeza da sua parte. Pensei que veio saber como sua sobrinha estava.
— Astin, vamos deixar as cordialidades de lado. Ambos sabemos que você nunca ligou para isso. Aliás, deixou isso claro mês passado quando foi me procurar.
— Eu mudei, tio.
— Não é que eu não acredite em você, mas não me importa isso. Vim saber como está o processo?
Astin fez uma careta assim que ouviu o que ele disse, definitivamente ela não fazia ideia do que ele falava.
— Me desculpe, tio. Foi um dia cansativo. Poderia ser mais específico?
— Você sabe. — o Duque andou até uma poltrona de couro e sentou-se nela. — Você disse que iria convencer o Murdoc a negociar comigo. Eu preciso fechar contrato. As frutas e a carne de Wisdow é importante para mim dar andamento.
Astin precisava saber de mais informações. Da noite para o dia sua vida tinha ganhado uma importância muito grande. Era nítido que ela fazia parte de uma conspiração e que o casamento era parte de uma disputa de interesses e isso incluía os de seu tio.
Então ela sabia que precisava arrumar uma forma de descobrir no que estava metida, mas sem deixar seu tio desconfiar que ela não fazia a menor ideia do plano que haviam bolado.
— Mas o casamento vai acontecer logo. Terei todo o tempo do mundo para convencer o Conde.
— Não! — o olhar do homem de repente ficou imponente e sombrio. — Eu te disse que não tenho tempo para esperar. Preciso desse contrato pra ontem. Você sabe que aquele velho não gosta de mim. Confesso que nunca achei que você pudesse servir para alguma coisa, além de gastar a herança do seu avô, mas depois que você se ofereceu para casar com o velho Conde para conseguir o contrato para mim, confesso que mudou meus conceitos sobre você. No entanto, uma jovem linda como você, aceitar essas condições… até para você Astin, é um pouco demais. Sua ambição não tem limites.
A jovem sentiu um arrepio ruim em sua espinha. De alguma forma ela sabia que algo de muito ruim poderia acontecer. Seu tio percebeu que sua feição mudou totalmente.
— O que foi, Astin? Vai me dizer que está arrependida de casar com o velho? — A fala do seu tio soou irônica.
— Ainda não consegui entender. O senhor já tem muitas posses. Por que a pressa em conseguir mais?
— Ficou maluca? Você sabe que em Éferos os títulos são conquistados à medida que somamos terras e riquezas. Cansei de ser Duque. Almejo outros títulos, Grão-duque, arquiduque… a mão do Rei.
— Depois o senhor fala que eu sou ambiciosa. Mão do Rei?
— Por acaso você teria alguma outra forma de eu conseguir?
A garota viu um fio de esperança. Uma possibilidade de escapar de um casamento contra a sua vontade, com um homem muito mais velho do que ela.
— Mas e se eu conseguir a assinatura sem precisar me casar? Eu posso conseguir, só me dê um pouco de tempo.
No entanto essa esperança durou alguns segundos, pois seu tio se levantou da poltrona e foi em sua direção com um olhar ameaçador.
— Se por qualquer motivo você desistir desse casamento, eu pessoalmente darei um jeito em você. Não esqueça Astin, muitas pessoas nesse reino podem temer você, mas eu não tenho medo de você. Não brinque comigo.
Assim que falou isso, o Duque de Faraday saiu da sala a deixando sozinha. Astin percebeu que não poderia desistir do casamento, a menos que arcasse com as consequências.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Milly Rocha
eu prefiria mil vezes sofrer as consequências do que me casar com um homem que dar pra ser meu pai🤦🏻♀️ que nojo🤦🏻♀️ isso não desce não
2024-07-30
1
Maria Silva
Austin, tem como pedir para voltar, acho que vc tá cada vez mais confusa
2023-06-23
1
Alynne Andrade
arcando com as consequências, dos dois mundos.
2023-05-28
1