CAPÍTULO 9

Astin estava triste e não via a hora de ir para seu quarto e dormir. Quem sabe acordaria no dia seguinte na sua vida real. Ainda pensativa sobre tudo e principalmente após a conversa com seu tio, a garota saiu da sala com passos lentos e sem rumo ou perspectiva.

Porém, foi surpreendida por uma das empregadas que estava saindo do seu quarto.

— Desculpe, senhorita Boulevard, mas eu estava trocando os lençóis. Já deixei a cama da senhorita preparada.

— Obrigada.

— Agora se me permite, com licença.

A jovem empregada ainda não tinha o costume de olhar em seus olhos.

"Seria uma pessoa tão má a verdadeira Astin Boulevard?"

Astin perguntou, mas já sabia a resposta. Era tão óbvio isso. Os olhares de todos os funcionários eram os mesmos. Uma mistura de respeito e medo. Era assim na história, apesar dela se esquecer que sua realidade era um romance fantasioso. O dia a dia não existia no livro, a realidade era essa, medo e receio.

Então sentindo que a jovem empregada precisava conhecer a nova Astin amorosa e amiga, ela falou:

— Ei, não vá embora. Eu gostaria de conversar.

No mesmo instante a jovem empregada parou. Astin sentiu vontade de rir, pois a cena era cômica, mas segurou. Afinal, a seriedade do momento não deixava de ter o privilégio de sorrisos.

A empregada voltou e roboticamente prostrou-se em frente dela, como se fosse uma soldada que acabara de receber uma ordem do seu comandante.

— Sim, senhorita Boulevard. O que deseja falar?

— Não é assim. Não desse jeito.

— Desculpe, senhorita Boulevard. Mas eu não estou entendendo.

— É sobre isso que estou falando. Você parece um robô recebendo ordens.

— Estou confusa, senhorita Boulevard. Foi uma ordem ou não?

— Bem… foi e não foi. Quero dizer… foi um pedido.

— Acho que entendi, senhorita Boulevard.

A jovem empregada não conseguia esconder o semblante confuso, e claro, medroso.

— Pra começar pare de me chamar de Senhorita Boulevard.

— E do que eu deveria chamá-la, senhorita Boulevard?

— Me chame por Astin. É o meu nome.

— Sim, Senhorita Boul… quero dizer. Senhorita Astin.

— Pode ser apenas, Astin. Qual seu nome?

— Eu me chamo Lys.

— Bonito nome. Agora, se você puder me acompanhar, ficaria grata.

Astin abriu a porta do seu quarto e fez um sinal com sua mão para que a jovem empregada entrasse primeiro. Depois que ela entrou, Astin a seguiu e fechou a porta.

Lys ficou parada olhando para Astin. Toda vez que Astin olhava, ela desviava o olhar. Era difícil perder um hábito imposto a tanto tempo por alguém que nitidamente era cruel e Astin se culpava por isso, mesmo não sendo a culpada.

— Pode se sentar na minha cama. Fique à vontade.

— Obrigada, Senh… Astin.

A jovem sorriu e Astin percebeu que era a primeira vez que ela tinha agido de forma espontânea.

— Você trabalha a quanto tempo aqui?

— Uns seis meses.

— Tem família? Mora onde?

Após fazer as perguntas, Astin notou um olhar de estranheza na garota. Como se ela tivesse acabado de falar uma enorme besteira.

— Eu moro aqui. Desde que comecei a trabalhar aqui. E sim, tenho família, mas estão longe. Um pequeno vilarejo próximo à Windstone.

— Que legal. Você tem irmãos?

— Eu tenho dois irmãos e uma irmãzinha.

— É bom ter irmãos. Pelo menos eu acho que é… se sentir sozinha é tão ruim.

— Está tudo bem, Astin? Senti uma tristeza tão grande em suas palavras.

— Acho que estou. É que desde que acordei, me sinto como se não fizesse parte daqui, parte desse mundo, consegue me entender?

— Acho que sim. Me senti assim quando tive que largar minha família e vir tentar a vida aqui em Bourbon.

— Que bom. Pelo menos alguém que me entenda. — Astin sorriu gentilmente para a empregada. — Posso te fazer uma pergunta?

— Claro.

— E como você conseguiu lidar com isso?

— Todo dia antes de dormir, eu falava comigo mesma o quanto era importante suportar a distância. Era tudo novo, um novo mundo. E como eu queria ser alguém, precisei largar meu pequeno vilarejo, apesar…

A jovem empregada hesitou em continuar e voltou a desviar o olhar dos olhos de Astin.

— Apesar de? — A garota continuava em silêncio e mostrou medo em continuar. — Lys, pode falar. Prometo que não ficarei brava.

— A senhorita sabe. Bem… apesar da sua severidade ter sido difícil no começo.

— Me desculpe por tudo que eu fiz ou falei para você no passado. Juro que daqui pra frente irei mudar. Tudo será diferente.

— Obrigada. Posso te fazer uma pergunta?

— Fique à vontade, Lys.

— Por que a senhorita mudou?

— Como assim?

— A senhorita sabe, não está tão má. Foi o assunto do dia entre os empregados.

— Quer dizer que eu virei assunto dos empregados?

— Sim. Alguns até disseram que hoje foi um dia atípico e que a senhorita acordou feliz por causa da visita ao seu futuro marido, o Conde.

— Sério?

Astin sentia o corpo tremer a cada vez que ouvia as palavras casamento e Conde na mesma sentença.

— Alguns apostaram que a senhorita amanhã voltará ao normal.

— Pelo jeito ninguém acredita que virei uma nova pessoa. É isso?

— Sendo sincera… não.

— Entendo… não os culpo. Mas vou provar a todos que eu mudei. E você, Lys, acredita em mim?

A jovem empregada hesitou em responder e Astin ao perceber tentou ser gentil.

— Pode falar a verdade, prometo não ficar brava.

— No começo eu fiquei confusa e depois pensei que era algum tipo de teatro da senhorita, bem… você sabe. Algo para pregar uma peça em mim. A senhorita sabe o que estou falando já fez outras vezes…

— Sim. É verdade. Tinha me esquecido— A garota não fazia ideia do que a empregada falava. — Mas cansei disso. Não pretendo fazer mais— Astin se aproximou dela e segurou as duas mãos dela. — De hoje em diante seremos amigos, tudo bem? E não é uma ordemAustin sorriu tão gentilmente que Lys pôde sentir a verdade no sorriso.

— Tá bom. Eu aceito.

Lys sorriu de volta tão puro quanto o sorriso de Astin, fazendo a jovem sentir um alívio enorme. Finalmente tinha uma pessoa para confiar e que de certa forma entendia seu desespero.

— Bom. Vou deixar você ir. Deve estar cansada. Hoje foi um dia cansativo para mim. Amanhã conversamos mais.

— Sim. Mas não vai querer antes a xícara de chá?

— Xícara de chá?

— A senhorita pede uma toda noite para tomar enquanto escreve no seu pequeno livro.

— Eu escrevo em um pequeno livro?

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Comments

HENEMANN- MEDEIROS. Henemann

HENEMANN- MEDEIROS. Henemann

Vdd Maria. ☺️ Eu tbm estou tão desnorteada quanto Austin 🥴

2023-10-09

2

Maria Silva

Maria Silva

é Thiago eu estou tao confusa quanto Austin kkkkkk

2023-06-23

2

Gio Aguiar

Gio Aguiar

Espero que ela encontre respostas ❤️

2023-04-26

1

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