As duas garotas caminharam até o lado de fora do casarão. Astin usava uma linda coroa de flores contornando seus belos e longos cabelos dourados. O céu estava tão azul que lembrava um topázio sendo tocado por luzes celestiais.
Ela usava um vestido com listras largas em azul marinho e branco, era tão leve e macio que a jovem sentia seu corpo levitar, devido ao tecido piloso.
Ser sobrinha do Duque de Faraday tinha suas vantagens, mesmo que sua herança fosse limitada a bens materiais como roupas ou fartura de alimentos, Astin não podia mexer nas moedas de ouro ou outras pedras preciosas deixadas pelos seus pais, tirando sua carruagem, qualquer outro bem material de grande valor tinha que passar pela autorização de seu tio, algo que ela já havia percebido que não iria acontecer, não antes de casar.
Alguns minutos depois, as jovens chegaram próximo do pequeno jardim que circundava a propriedade. Uma parede de flores alegravam e embelezavam o sisudo local, que comparado com o jardim da propriedade do Conde de Wisdow, era minúsculo.
Aproveitando a sombra que graciosamente cedeu um refúgio do forte sol, as duas se aconchegaram.
— Bom. Aqui está bom.
— Conte logo, estou ansiosa.
— Era uma vez em um reino tão, tão distante. Mas ele era tão distante que os cavalos precisaram descansar várias e várias vezes. Quando chegamos, logo de cara eu percebi que haviam muitas coisas estranhas nele.
— A senhorita estava sozinha?
— Não. Estava eu e meu pai.
— Essas coisas estranhas, eram muito estranhas?
— Sim. Foi o que eu acabei de dizer.
— Como o quê?
— Vai me deixar contar?
— Desculpe. É que eu já fiquei apreensiva.
— Deixe eu acabar de contar. Depois você fica.
— Vou tentar.
— Como eu estava falando, era um reino bem estranho e nele havia um vilarejo. Nesse vilarejo havia apenas três casas.
— Apenas três casas?
— Sim.
— Então não era um vilarejo.
— Talvez não…
— Enfim. Nessas casas viviam três homens estranhos que pareciam com porcos. Porém o mais interessante era que cada casa era feita de um material diferente.
— Você chegou a passar uma noite em uma das casas desses estranhos?
— Sim.
— Você não teve medo?
— Não. Pois um lobo rondava do lado de fora e ameaçou destruir a casa. Confesso que eu tive medo, mas eu e o homem da primeira casa conseguimos fugir para a segunda casa. Quando olhamos para trás, o lobo havia destruído a casa em que estávamos. Eu fiquei aflita, e bati na porta até que o outro homem, da segunda casa, abriu a porta para nós. Explicamos o que tinha ocorrido e eu percebi que os dois eram irmãos. Enquanto ainda estava me recuperando do susto, o lobo apareceu na frente da segunda casa. Com uma voz imponente começou a gritar ameaçando destruir também a outra casa. O dono da casa num ato heróico distraiu o lobo para que sorrateiramente fugíssemos pela janela. Corremos o máximo que pudemos e chegamos na terceira casa. Escutei um barulho e ao olhar para trás vi a segunda casa sendo destruída. O terceiro homem saiu para fora, pois o barulho foi muito grande e foi nesse momento que eu e os outros dois homens entramos e fechamos a porta. Da mesma forma que antes, os dois explicaram ao terceiro homem que também era irmão deles. Não demorou muito para o lobo chegar. Sua voz parecia ser mais imponente do que antes e gritando ameaças ele jurou destruir a casa com todos dentro. O medo tomou conta de todos exceto do terceiro homem, o dono da casa. Seus irmãos e claro, eu, estávamos aflitos procurando uma saída, mas o terceiro irmão que era um pouco mais alto do que os outros dois, falou calmamente que não precisávamos ter medo, pois o lobo não conseguiria destruir a casa.
— E era verdade?
— Incrivelmente, sim. O lobo tentou e tentou até se cansar. Tentou novamente, passou horas tentando entrar ou destruir a casa, mas sem êxito. Quando estava próximo do amanhecer, ficou um silêncio do lado de fora e então descobrimos que o lobo havia ido embora.
— Agora que eu me toquei. O lobo falava?
— Sim. Era uma criatura estranha, meio homem meio lobo.
— Você é muito corajosa. Eu não teria coragem. Realmente Éferos tem lugares estranhos, bem que meu pai falou.
— Falando nisso. Você não sente saudade da família?
— Sim. Mas como falei, preciso do trabalho.
— Não que eu esteja querendo demiti-la, mas por que não arruma algo perto da sua família?
— Não é tão simples, senhorita Astin.
— Por que?
— Prefiro não falar sobre.
— Tudo bem.
Astin percebeu nos olhos da jovem empregada uma tristeza muito grande. Ela entendia a situação, afinal todo mundo tem seus segredos. Se ela não queria comentar, tinha seus motivos.
Sentindo que aquele era o momento de se abrir e contar parte do seu segredo, Astin respirou fundo e antes que começasse a falar, sua atenção e da jovem empregada foram desviadas para uma carruagem que estava se adentrando na propriedade
— Quem será? Está sabendo de alguma visita hoje, Lys?
— Não que eu saiba, senhorita Boulevard.
As duas apressaram os passos e foram em direção à entrada principal. Quando se aproximaram encontraram Drianne parada em pé olhando para a mesma direção que elas.
— Drianne, está sabendo de algo? Seria meu tio novamente?
— Essa não é a carruagem do seu tio.
— Então de quem é?
— Pensei que a senhorita pudesse dizer.
Astin ficou sem saber o que dizer e apenas observou a carruagem se aproximar e parar. O Cocheiro que a guiava parecia ser familiar, mas ela não sabia com certeza de onde o conhecia. Então, a porta se abriu e um homem desceu. Para a surpresa de Astin era Ewan, o filho do Conde de Wisdow.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Maria Silva
eh acho que Ewan, visitar pois ele ficou tempo todo admirando ela
2023-06-23
0
Luciana 🥰
curiosa o que será querendo foi fazer lá 🤔😃
2023-05-04
0
Luciana 🥰
kkk conheço essa história como a dos três porquinhos 🤣🤣🤣🤣🤣
2023-05-04
2