Astin estava preocupada e com medo. Era a primeira vez que isso acontecia desde há muito tempo. Ela percebeu que nem tudo era tão fantasioso o quanto imaginou e agora com Cleavens solta por aí podendo aparecer em qualquer lugar, as coisas tinham se tornado sérias.
Depois de recuperar o fôlego e o susto passar, Astin começou a pensar em possibilidades. A mais sensata e lógica seria pedir ajuda a seu futuro marido, mas ela não achou tão atrativa.
Sua segunda opção era contar ao filho do Conde. Talvez Ewan entendesse a situação e ficasse contra Cleavens. Talvez se ela mostrasse o ferimento no pescoço ele acreditaria… mas a última pessoa que Ewan iria querer ver agora, seria ela.
Pedir ajuda ao seu tio era uma hipótese descartada totalmente, restavam apenas os funcionários do casarão Boulevard. Usando a matemática simples, por eliminação, Astin chegou a um denominador comum. Drianne!
Aos poucos essa última opção acabou se tornando a melhor de todas. Afinal, a própria havia jurado lealdade para os pais dela e disse que a protegeria. Agora era o momento de provar se eram apenas palavras ou se ela iria ajudar.
Enquanto procurava Drianne pela casa, Astin foi parada por Lys, que parecia mais afobada que o normal.
— Senhorita Astin. Está tudo bem com você?
— Sim.
— Tem certeza?
— Tenho. Por que a pergunta?
— Por nada. Só gosto de saber se a senhorita está bem. Depois que conversamos aquele dia. Senti a senhorita tão triste.
— Obrigada pela preocupação, Lys. Mas estou bem.
— Fico feliz por saber que está bem.
— Você sabe onde Drianne está? Estou a procurando por toda a casa e não a encontrei.
— Drianne saiu com Assif para comprar algumas coisas.
— Ah! Entendo…
— Está precisando de alguma coisa? Eu posso fazer. Do que a senhorita precisa?
— Obrigada por oferecer Lys, mas seria somente com Drianne.
— Tem certeza senhorita Astin? Me diga, às vezes posso ajudar. Gosto de ser útil.
— Como já falei, é um assunto com Drianne.
— Entendi. Bom… se mudar de ideia ou precisar de algo é só me falar. Agora vou ir, se me permite…
Astin ficou olhando a jovem empregada ir embora. Ela gostava da garota, mas às vezes a achava muito apegada, como se forçasse situações, como se quisesse se mostrar muito prestativa e isso era bom, mas não da forma exagerada dela.
A jovem Boulevard estava inquieta. Fazia um dia muito quente o que deixava seu corpo mole. Por mais que a casa fosse muito grande, muitas vezes Astin sentia- se presa numa gaiola. Era difícil fazer passar o tempo, diariamente sua rotina se limitava do seu quarto para a cozinha, poucas visitas na biblioteca e passeios ocasionais pelo jardim.
Olhando pela janela para o lado de fora ela prometeu para si que merecia e iria explorar mais não apenas sua propriedade, mas a cidade. Ela não conhecia nada e ela tinha um verdadeiro mundo aberto cheio de possibilidades, mas não hoje. A ameaça de Cleavens ainda badalava em seus ouvidos, a dor do corte em seu pescoço a lembrava a cada segundo, o melhor seria ler um livro e acalmar a ansiedade que tinha se formado.
Seguindo o caminho familiar, ela entrou e fechou a porta. Estar perto dos livros talvez fosse uma forma de se reconectar com sentimentos esquecidos. Ela conseguia se lembrar que era uma leitora voraz apesar de não se lembrar de nenhum outro livro que não fosse a Condessa de Wisdow e mesmo assim, tudo estava diferente.
Ela começou a passar os dedos de sua mão direita, como se esperasse se conectar com algum dos livros. Onde seus dedos parassem seria o escolhido. Astin continuou por alguns minutos, desfilando de um lado ao outro, esperando a conexão que parecia cada vez mais impossível, então de repente ela parou. Era um grosso livro vermelho e quando ela puxou, o tirando da estante, repetiu para si mesma o título escrito na capa.
"Vinte mil léguas submarinas, de Júlio Verne."
Ela conseguiu tirar um sorriso tímido do canto de seus lábios e então sentiu na cadeira, colocando o livro sobre a mesa, o folheando vagarosamente. Tentando espantar os pensamentos ruins ela começou a ler em voz alta.
"O ano de 1866 notabilizou-se por um acontecimento insólito, fenômeno inexplicado e inexplicável do qual realmente ninguém se esqueceu. Rumores agitavam as populações portuárias e alvoroçavam a opinião pública no interior dos continentes…"
Conforme a garota continuava lendo, foi sentindo seus olhos pesados. Duas enormes pestanas iam se formando enquanto ela lutava contra o sono. Ela não queria dormir, tinha que esperar Drianne retornar, tinha que explicar a ameaça, seus planos, pedir ajuda, tinha tantas coisas para fazer e não podia ceder para o cansaço, no entanto se havia uma coisa que nenhuma pessoa consegue vencer era uma batalha contra o sono e como já era esperado, sem perceber ela acabou pousando a lateral do seu rosto em cima do livro e adormeceu.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Maria Silva
acho que no momento, Astin na tem muita saida em não acreditar
2023-06-25
1
Alynne Andrade
as vezes acho que Drianne é falsa, mais espero que não.
2023-05-30
1
Luciana 🥰
Poxa ela dorme e eu fico anciosa por mais
2023-05-13
0