Astin olhava para Cleavens sentada em sua cama. O conhecido olhar debochado da mulher enfeitava seu rosto branco e pálido quanto a neve. Astin sabia que aquele olhar significava algo não muito bom.
— Como você veio parar aqui?
— Na verdade quem está realmente surpresa sou eu. Realmente não sabe como vim ou está se fazendo de sonsa?
— Se não vai dizer é melhor se calar.
— Nenhum mágico conta seus segredos. Eu diria que sei um ou outro truque. Mas realmente não faz ideia?
Cleavens olhava para a garota com um olhar surpreso como se tivesse certeza que Astin devia saber como ela apareceu magicamente sentada na cama dentro do seu quarto.
— Saia da minha cama. O que você quer?
— Calma, querida Astin. — Cleavens se levantou indo em direção ao espelho e ficou se olhando nele enquanto falava. — Esse seu fingimento como se não soubesse de nada me incomoda, sabia?
— Do que está falando, garota? Você aparece de repente aqui e começa a falar um monte de coisas aleatórias e acha que vou conseguir entender?
— Você não sabe mesmo, não é? — Cleavens começou a rir e balbuciava coisas para si mesma. — Você realmente não sabe… como isso pode? Não… só se… mas não tem como isso ser possível. Astin. Você realmente ainda consegue me surpreender. "Ele" vai ficar surpreso quando souber sobre você.
— Ele quem? Está louca?
Cleavens ignorou todas as perguntas que Astin fazia. A mulher andava pelo quarto calmamente de um lado para o outro com as mãos para trás. E isso incomodava Astin que sentia seu rosto arder de raiva.
— Garota, pare! De quem você está falando?
— Isso não é importante agora. Vim falar de outro assunto, mais precisamente o filho do Conde. Fiquei sabendo que ele esteve aqui.
— Como você sabe disso?
— Como falei para você. Eu sei um truque ou outro. Astin, minha nobre amiga… até o momento eu fui muito calma e caridosa com você. Tive a nobreza de avisá-la para ficar longe do filho do Conde, mas pelo jeito você não está escutando. Você não deve estar me levando a sério, então só me resta mostrar a você que estou falando sério.
— O que foi isso? Está me ameaçando?
— Ufa! — Cleavens começa a aplaudir ironicamente— Finalmente você entendeu alguma coisa. Tivemos uma evolução aqui.
— Não tenho medo de suas ameaças.
— Eu acho que devia ter, minha querida Astin. — Cleavens olhou para as unhas longas e vermelhas de suas mãos, as admirando— Viu como minhas unhas estão lindas?
— Eu que digo a você. Fique longe do Ewan. Eu farei o possível para afastar você dele.
Cleavens calmamente andou até a direção de Astin e quando estava bem próximo, pegou em seu cabelo e o puxou para trás, deixando todo o pescoço da jovem Astin à mostra.
— Escute! Mas escute com muita atenção. — Cleavens pegou uma de suas longas unhas e começou a passar delicadamente no pescoço da jovem— Essas unhas além de serem lindas são muito afiadas e eu adoraria fincar elas e cortar essa linda garganta sua, aliás estou me segurando tanto agora para não fazer isso, tanto… mas infelizmente não posso. Não agora. Quer saber? Não vou passar vontade— A mulher passou a unha fazendo um pequeno corte no pescoço de Astin, que soltou um pequeno gemido de dor, soltando o cabelo da jovem. — Pronto! Considere isso como uma degustação, um pequeno aviso. Pois na próxima vez que minhas unhas tocarem seu pescoço, você não terá tanta sorte.
Astin saiu de perto de Cleavens e levou a mão ao pescoço. Ela sentia uma pequena ardência vinda do corte que sangrava e estava assustada e ofegante.
— Você é louca?
— Você não imagina o quanto.
— Saia daqui agora ou vou gritar por ajuda!
— Não precisa dar-se ao trabalho. Já dei o recado que eu queria lhe dar. Fique tranquila, eu vou embora.
Cleavens calmamente foi até a cama e se sentou nela. Astin a olhava com receio. Nunca passou em sua cabeça que ela poderia ser tão perigosa, na verdade na história ela parecia ser menos má.
— Você não disse que iria embora?
— Sim. E vou.
— Então por que continua sentada na cama como se não tivesse acontecido nada?
— Calma, Astin. Você está muito apressada. Não precisa ficar preocupada comigo, mas sim com esse sangue escorrendo do seu pescoço.
Astin sentiu o sangue escorrer do seu pescoço e instintivamente colocou a mão. A garota baixou o olhar e viu seu dedo sujo de sangue, quando olhou novamente para a cama, Cleavens havia sumido misteriosamente. Da mesma forma que ela havia entrado sem ser notada, ela desapareceu sem deixar rastros
A jovem não conseguia chegar a uma conclusão razoável. No livro Cleavens mexia com magia, mas não era nada parecido com isso. Na verdade, ela encontrava um gato mágico e roubava o poder do animal, mas esse poder era o equilíbrio do mundo e se ela não devolvesse o mundo iria ser destruído.
Não era dessa forma. Estava novamente tudo diferente. Se Cleavens tivesse conseguido realmente um poder desse, não a ameaçaria com as unhas. As unhas de Cleavens eram tão firmes que lembravam as garras de uma águia. Aquilo não estava certo.
"Se ela tivesse roubado o poder eu já teria visto os sinais. Terremotos seriam frequentes. Uma chuva de pedras de fogo cairiam do céu. Ela não está com o poder."
Seja qual fosse a explicação, uma coisa era certa. Cleavens era perigosa e Astin sabia que iria precisar de ajuda.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Maria Silva
Astin era para sufocar ela com o travesseiro e impor respeito 😡 é muito afrontosa não acha?
2023-06-25
1
Alynne Andrade
Thiago era para ter deixado Astin pelo menos dar uns tapas nela também.
2023-05-30
1
Luciana 🥰
ahhh eu acertei kkkkk. Nossa que loucura elas tem um acordo e a Astin não lembra de nada.🤔😞
2023-05-13
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