Astin não conseguiu esconder a mistura de surpresa e alegria em seu rosto. O pequeno livro só podia significar uma única coisa, tão óbvia que nem uma jovem empregada poderia se enganar.
Para poder ter a certeza, Astin sabia que não podia demonstrar total desconhecimento para que Lys não percebesse nada.
— Ah! Você está falando sobre o meu diário?
— Sim. Isso. A senhorita disse que gostava de escrever tomando uma xícara de chá de hortelã. Não vai querer mesmo? Posso ir buscar sem nenhum problema.
— Pode ser. Eu estava me esquecendo. Onde eu estava com a cabeça, não é?
— Vou ir buscar. Não irei demorar.
A jovem empregada se levantou da cama e rapidamente saiu. Assim que ela deixou o quarto, Astin colocou a mão no peito e começou a olhar ao redor. Se havia um diário certamente nele haveriam muitas informações sobre a verdadeira senhorita Boulevard.
Porém, Astin achou estranho. Na história original a senhorita Boulevard nunca teve um diário. Seria outra mudança no enredo de seu romance preferido?
Astin não sabia, sua única alternativa seria vasculhar o quarto em busca desse diário. Aproveitando que Lys ainda não havia voltado, a jovem começou a olhar em todos os cantos procurando qualquer coisa que parecesse ser um pequeno livro.
No entanto, quando estava revirando o guarda roupa escutou Lys bater à porta e em seguida entrar.
— Senhorita Boulevard. Aqui está.
A jovem empregada entregou a bandeja com a xícara nas mãos de Astin e a ficou olhando como se esperasse algo. Ao notar isso Astin falou:
— Está esperando algo?
— É que a senhorita pede para eu ficar aqui esperando você acabar de tomar enquanto escreve. Diz que não gosta de deixar louças no quarto e que têm empregadas para isso.
— É… eu falei. Mas quer saber? Não vou escrever hoje. Vou tomar esse chá e depois me deitar. Pode se retirar e ir descansar.
— Tem certeza?
— Sim. Pode ir dormir.
— Obrigada. Tenha uma ótima noite, senhorita Boulevard.
— Você também, Lys.
Depois que a jovem empregada foi embora, Astin colocou a bandeja no criado mudo ao lado de sua cama e voltou a procurar o diário. Tirou todos os vestidos, revirou gaveta por gaveta, procurou em todos os cantos do quarto e nada.
Não demorou muito para que pensamentos negativos começassem a tomar conta de si. Talvez Lys estivesse enganada, talvez esse tal livrinho fosse apenas um livreto. Seria muita gratidão do destino lhe entregar de mão beijada algo que pudesse ajudar nesse mundo literário.
A jovem parou para pensar e se convenceu que precisava descansar. Uma noite de sono seria o ideal nesse momento. Assim que acordasse teria mais energia e calma para procurar. Então Astin tirou seu vestido e deitou-se em sua cama e rapidamente pegou no sono.
Na manhã seguinte quando acordou, Astin teve uma pequena esperança que acordasse no mundo real, mas rapidamente ela ruiu ao perceber que estava ainda no quarto da personagem.
Esfregando os olhos com as mãos, a garota espreguiçou e se levantou. A luz do sol já invadia grande parte do aposento e então ela se lembrou do tal diário.
Sem escovar os dentes ou jogar uma água no rosto, Astin começou a revirar cada canto do seu quarto. Se existia de fato um diário, ela iria encontrá-lo. Calmamente ela retirou tudo do guarda roupa, olhou em cima dele, olhou cada gaveta da cômoda, levantou com dificuldade o colchão, verificou embaixo da cama, além de retirar o lençol e nada.
Astin havia olhado os quatro cantos do seu quarto e não havia encontrado um único livro sequer. Parecia irônico estar presa dentro de um livro e não encontrar um único folhetim que mostrasse qualquer tipo de leitura.
A jovem tinha voltado à estaca zero e o sentimento de derrota voltou a tomar conta do seu corpo. Sentindo um desapontamento enorme, Astin foi até ao espelho na sua parede e ficou se olhando por alguns minutos.
Ela procurava em seus olhos qualquer tipo de resposta. Era estranho se ver no espelho pela imagem de outra pessoa, mesmo que dentro de seus olhos ela ainda conseguisse enxergar seu verdadeiro rosto.
Aqueles cabelos dourados não lembravam em nada os seus cabelos castanhos escuros que se limitavam ao seu ombro. Desde aquele sonho que tivera durante a viagem, um pensamento recorrente voltava à sua mente e a fazia se questionar.
"Aquela seria eu no mundo real? Minha vida a qual não consigo lembrar?"
De certa forma era devastador imaginar que sua versão real fosse aquele espectro de maldade, mas algo estava errado. Ela sentia isso em seu coração.
"E se aquela for a senhorita Boulevard? E de alguma forma trocamos de corpos?"
Astin tinha quase certeza absoluta que essa era a resposta. Só faltava descobrir como isso teria acontecido. Conformada com seu destino trágico e cômico, Astin só tinha um único caminho para seguir a curto prazo, ser realmente a futura Condessa de Wisdow e aproveitar os benefícios que o título lhe daria.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Nayra Reis
que ela possa conquistar o filho do velho kkk
2023-07-08
3
Maria Silva
sera que elas trocaram mesmo de lugar, quantas duvidas
2023-06-23
0
Alynne Andrade
como foi que elas trocaram de lugar.
2023-05-28
1