— Existe uma lenda que, diferente da dos Órfãos, é verdadeira e realmente existiu. A loba de fogo foi criada por bruxas e foi usada justamente para se aliar a elas contra a sociedade de Rostya, que, na época, estava descobrindo-as e as matando. A loba branca, junto com lobisomens e vampiros, foi criada pelas bruxas. No entanto, algumas delas se desviaram dos ensinamentos que a Deusa Helena lhes passava, e começaram a lutar contra suas próprias irmãs, fazendo com que muitas fossem mortas, fugissem ou tivessem suas criações descobertas. — Explicou Úrsula.
— E então, cada um começou a seguir seu próprio rumo — Fred tomou a palavra. — As bruxas começaram a desaparecer aos poucos da vista dos caçadores. Os vampiros se aliaram, mas muitos deles não queriam seguir os mandamentos dos líderes da época. Assim como os vampiros, lobos e lobisomens também se separaram. Com o passar dos anos, a caçada sobre nossos ascendentes — que, pelo que vemos, também chegou até nós — começou.
— Vampiros e lobos não têm aliança — Romano falou, enquanto Sabrine escutava com atenção. — Mas, por incrível que pareça, muitos eram predestinados, porque o interior dos vampiros é demoníaco, sedento por sangue, diferente dos lobos, que são, de fato, lobos. Assim, todos foram predestinados, e muitos encontraram seus parceiros em outras espécies.
— Exatamente. Assim como vampiros e lobos, as bruxas também se envolveram com alguns humanos que, mesmo com seu povo se opondo ao "anormal", acabaram cedendo. E assim, a loba branca se envolveu com um humano, especificamente um caçador que acabou se apaixonando por ela. Mas a loba branca tinha traços de bruxa, e não apenas de lobo. Ela era traiçoeira, e por isso matou o caçador, gerando ainda mais discórdia — Úrsula falava atentamente. — Nossa ascendência veio rapidamente, mesmo no caos que Rostya causou por conta dos humanos, que não conseguem lidar com o que é diferente.
— E a loba branca? — perguntou Sabrine.
— Querida, Sabrine, os humanos podem até parecer ignorantes, mas quando decidem agir com inteligência, são perigosos. Mesmo que tenha demorado, eles conseguiram descobrir algo que pudesse matar a loba branca: uma flor criada pela própria bruxa que a fez. Essa flor tinha o poder de matá-la. Entretanto, embora a loba tenha morrido, não desapareceu completamente; tornou-se um espírito. E mesmo que ela não esteja mais de carne e osso, seus descendentes estão por aí. Porém, eles raramente aparecem. A última surgiu há, talvez, um milhão de anos. Pode ser que você tenha algum parentesco com ela. Afinal, lobos comuns são bem mais fáceis de encontrar, como pode ver. — Continuou Úrsula.
— Parentesco meu? Se tivessem, eles teriam vindo até mim — Sabrine supôs.
— Sim e não. Podem estar mortos ou aprisionados pelos humanos — insinuou Úrsula. — Não somos como os humanos, Sabrine. Não sentimos necessidade de caçar, mas eles querem nos perseguir, sem motivo algum. Talvez por prazer.
— Fico pensando se vou conseguir sobreviver também. Vejo que não é nada fácil lidar com os humanos — Sabrine disse. — Quase não sobrevivi nas mãos deles por acharem que eu era uma dos Órfãos. Imagine se souberem que sou uma das espécies? Tudo vai piorar.
— Você vai conseguir lidar com isso, Ruivinha — garantiu Romano. — Você conseguiu antes, sem nem saber quem realmente era. Agora será mais fácil se manter firme.
— Você ficará aqui, será parte da alcateia. Pode ser que ainda não tenha domínio sobre seus dons, mas será treinada para isso. E, quanto a ser predestinada ao meu filho... — Úrsula notou Sabrine lançar um breve olhar a Romano — Ninguém vai forçá-los a ficarem juntos. Mas, em algum momento, isso vai acontecer, seja por vocês mesmos ou pelo impulso de seus lobos. Isso precisa acontecer, porque a rejeição é sempre a pior escolha.
— A rejeição nos matará? — perguntou Sabrine, apreensiva.
— Sim — Romano respondeu. — Porque, como nas nossas vidas passadas, precisamos nos amar e ficarmos juntos. Pode ser algo que aconteça naturalmente, sem necessidade de pressa. Todos os sentimentos da ligação são sinceros, embora, às vezes, impulsos do lobo possam se manifestar.
— Sendo assim, vamos ver até onde isso vai — Sabrine murmurou, sentindo o olhar vermelho de Romano cravar-se nela.
Romano sorriu, astuto.
— Faremos de tudo para que você possa se acostumar à sua nova realidade, querida. Mas esperamos que você também se esforce para se adaptar. — Disse Úrsula.
— Farei de tudo para me adaptar — Sabrine afirmou. — Aqui parece ser um bom lugar para viver, ao menos pelas pessoas que me ajudaram até agora.
— Que bom que teve uma boa impressão — disse Úrsula, risonha. — Agora vão. Tenho certeza de que Romano está querendo apresentá-la à alcateia inteira. E é bom, assim todos podem conhecê-la e se acostumar com você.
— É o que espero — disse Sabrine, sinceramente, levantando-se junto a Romano.
— Obrigado, mãe e pai.
— Até mais, senhores — disse Sabrine, fazendo um breve aceno com a cabeça antes de seguir para fora.
— Não se importe com os olhares. Em breve, eles vão parar ou eu farei com que parem — disse Romano, com seriedade.
— Tudo bem! Não é necessário punir ninguém por isso — Sabrine respondeu.
— Se for necessário, eu o farei.
"Ele está falando sério?"
— Está falando sério mesmo?
— Não parece? — Romano suspendeu uma sobrancelha.
— Não é necessário isso tudo. Quando as pessoas não conhecem algo, estranham, é normal — explicou Sabrine, tentando tranquilizá-lo.
— Não podem estranhar minha futura mulher, compreende? — disse Romano, sério.
Sabrine sentiu seu estômago esquentar e não soube exatamente o que estava sentindo.
— Compreendo... — quase sussurrou.
Eles seguiram até Dandara, que estava junto aos gêmeos. Pareciam estar em uma discussão, mas pararam assim que eles se aproximaram.
— Dois, não dá! Um de vocês vai ter que escolher outra esposa, ou eu que vou... — Dandara cessou sua fala. — Oi, como estão?
— Estamos bem, Dandara — Romano respondeu.
— Vim conhecer a alcateia, o lugar — detalhou Sabrine. Dandara assentiu.
— Posso ajudá-la com isso! — disse Dandara, querendo se livrar dos gêmeos. — E você tem trabalho, irmão. Então vá! Eu cuido da sua predestinada.
Romano notou o tom provocador.
— Vamos, Sabrine — Dandara puxou a mão da ruiva, levando-a para longe.
— Quer fugir deles? — Sabrine sorriu.
— Sendo sincera? — Dandara indagou. — Sim, quero. Acredita que os dois querem casar comigo? Eles dizem que seus lobos me escolheram.
— E se for verdade? Talvez você devesse pensar na possibilidade, se gosta deles.
— É, talvez...
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Atualizado até capítulo 56
Comments
Maria Sena
Nossa autora, essa história tá ficando interessante, e eu aqui já viajando na maionese. Por eu já ter lido um livro de uma mulher casada com gêmeos também, e era Una loucura na hora do hots. ULALA!!!!
2025-02-16
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Solene Costa
tadinhos Dandara kkkk
tem dois lobos só pra ela kkk
2025-03-18
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Nélida Cardoso
será que vai ser três a um
2025-03-20
0