Eu beijei uma garota e para minha surpresa gostei muito. Até demais eu diria. Senti as tais borboletas girando em meu estômago, e aliás, eu tenho sentindo elas há dias e agora parece que estão sambando sempre que penso em ver Pietra novamente.
Eu não sei o que fazer, nem o que pensar, como ela pediu em nosso último encontro.
O sinal tocou e fechei a agenda, rapidamente jogando-a dentro da mochila.
Durante todo o domingo esperei uma mensagem, mas não chegou nada. Na segunda, Mel estava sempre grudada a ela e as vezes me olhando de forma estranha. Eu me perguntava se Pietra havia contado sobre nosso beijo, mas era difícil não perceber que ela não parava de me olhar. Eu tentava disfarçar, mas era como se fosse impossível não ficar observando-a.
No dia seguinte decidi esperar ela vir falar comigo e então eu confessaria que estava louca para me permitir viver aquilo, mas ela não me procurou. E também não falou comigo de outra forma que não através de olhares.
Na quinta-feira eu e Natasha tinhamos uma aula livre e fomos para a quadra olhar os garotos jogando. Sentamos na arquibancada em silêncio , por um tempo, apenas observando até ela começar a falar.
— Acho que a Pietra devia jogar nesse time. Ela joga melhor que todos esses aí juntos. —Olhei para Natasha. surpresa.
—Como sabe? — perguntei, notando Eric chegar e sentar ao meu lado enquanto mexia no celular.
— No sábado fui com o Geoge olhar os garotos jogando e ela estava lá arrazando. Inclusive, se fosse um garoto eu pegaria. — Eu não estava acreditando no que ouvia e ela com certeza notou minha cara de idiota. — Se você não estivesse me evitando teria te convidado, mas decidi te deixar quieta.
— A Pietra te ligou no sábado? — Eric perguntou de repente e olhei para ele assustada.
— Não! Por que ligaria? — Fiz minha melhor cara de desentendida.
— Ela me pediu seu número — falou sem demonstrar muito interesse sobre o assunto.
— Será que ela está a fim de você? — Olho para Nath, me assustando ainda mais.
— Claro que não! Ela é filha da sócia de minha mãe, deve ser alguma coisa a ver com a mãe dela. Não repita isso , ok Natasha? — Ela fechou um zíper imaginário na boca. — E você, não conte a ninguém sobre ela ter meu numero, não quero esse tipo de comentário na boca de todos.
— Por mim tudo bem. —Ele levantou e estendeu sua mão que apertei, simbolicamente selando um acordo, depois o observei ir em direção a quadra.
Por sorte é muito desligado.
O silêncio voltou e com ele veio a minha vontade de fumar. Desde o encontro com Pietra eu já havia fumado mais que em um mês inteiro. Peguei meus cigarros no bolso do casaco e imediatamente Natasha bateu em mim.
—Você não vai fumar isso aqui. — Revirei os olhos. — Qual o problema, Emmy? Até quando vai ficar estranha , sem me contar o porquê? Pensa que não notei que vive pelos cantos fumando? — Apenas ouvi, mantendo os olhos na quadra. — Você só fica assim descontrolada quando esta nervosa, anciosa ou triste, mas isso era antes quando eu sabia e podia te ajudar, agora não faço idéia do que se passa. Deve já ter virado um vício, sério.
— Não é vício…
— Antes você era a primeira a chamar todos para o cais e adorava o George, mas agora nem sequer faz uma visita. Vivia elogiando a Mel e sua voz dizendo que seria empresária dela e agora só da patada na garota e as duas ficam trocando olhares que quase saem faíscas. — Me surpreendi por ela ter notado. — E não pense que eu não sei quando me evita. — Baixo a cabeça. — Tem um porquê? tudo bem, mas pelo menos me conta.
— Depois a gente conversa. — Levantei e sai acendendo o cigarro, sem me importar se alguém da direção da escola veria.
Nath decidiu deixar pra lá o nosso papo de mais cedo, pois quando saía do colégios fim das aulas, ela me me chamou para irmos até a Ice uma sorveteria ali perto. E como eu já havia evitado ela o suficiente para estar a ponto de me dar uns tapas, decidi aceitar.
Eric já estava lá quando chegamos, então fomos direto sentar na mesma mesa que ele.
— Que tal pagar milkshake para nós duas. — Sorrio sentando enquanto Natasha tentava se aproveitar dele.
— Não vai rolar, meus pais cortaram minha mesada. — Ele riu após falar aquilo.
— O que você aprontou? — perguntei.
— Cheguei em casa chapado.
Nath bate a mão na mesa nos assustando.
— Vocês são idiotas. Parem de se drogar feito delinquentes.
Apenas rimos da forma que ela falou.
— É só maconha, Nath — falei para provocá-la e Eric concordou comigo, mas Natasha murmurou um palavrão enquanto levantava indo fazer nossos pedidos. — Relaxa amiga, vou continuar só no cigarro.
— Cigarro é uma droga prejudicial à saúde. — A voz de Pietra me assustou e imediatamente senti o frio na barriga enquanto virava dando de cara com ela e Mel, claro.
— Finalmente alguém que pensa — falou Natasha que estava encostada ao balcão. — Sentem com a gente. — Mel e Pietra me olharam e virei para Eric perguntando onde ele conseguia maconha.
Qualquer coisa para evitar olhar aquelas duas juntas, pois eu não estava nenhum pouco interessada em saber sobre mais drogas em minha vida. Percebi Pietra sentar e como só havia aquela cadeira Mel sentou no colo dela, ao invés de ir pegar uma para si.
— Pietra é bem ligada em saúde, vai fazer faculdade de medicina. — Olhei para Mel, desejando retirá-la dali arrastando por aqueles cabelos dourados que praticamente chamavam minha mão para se enroscar neles, mas Pietra falou algo no ouvido dela que levantou e goi pegar sua própria cadeira.
— Pena que ninguém perguntou — respondi feito uma criança birrenta. Me perguntava o porquê de Pietra não ter me contado isso no dia que fomos ao hospital. — Tão insignificante quanto a sua presença aqui — falei encarando Mel.
— Emmy você acha que vou ficar aguentando seus insultos sem motivos até quando?
Levantei.
— A única coisa que eu acho em relação a você é que não passa de uma ridícula que vive correndo atrás de uma garota que não gosta de você. — Ela também levantou e percebi a mão de Pietra em sua cintura tentando fazê-la sentar novamente, me deixando com muito mais raiva.
— Sério que você acha isso? — Ela sorriu. — Não lembro de ter precisado forçar a barra para dormir na mesma cama que ela! — Aquelas palavras vieram como tapas em meu rosto.
— Mel, menos por favor — falou Pietra que também levantava me olhando enquanto escutava uma porção de "ooh" de todos os alunos que estavam na sorveteria. — Não foi nada disso… — explicou me olhando.
— Não, deixa ela falar. Continua! — incentiveiolhando Mel e ela realmente faz isso.
— Você não sabe de quem Pietra gosta ou não. Não se aproxima da gente, tem evitado ficar nos mesmos lugares e quando pode vem com insinuações idiotas. Seu ex vagabundo estava certo, você não passa de um patricinha fresca, metida a besta. — Sorri sentindo uma raiva descomunal vendo-a me dar as costas e sair da sorveteria enquanto Pietra estaca de pé ,me olhando sem reação.
— O que foi isso? — perguntou Natasha que estava de pé no mesmo lugar, segurando nossos pedidos.
— Incrível como bastou algumas palavras e ela vomitou tudo que pensa sobre mim. — Meus olhos fotam para os de Pietra que só então abriu a boca.
— Emily...
— Não fala comigo! Aliás, você nunca deveria ter falado. Vai atrás da Mel rir da minha cara, debater quem me acha mais patricinha idiota e me esquece. — Virei e sai da sorveteria.
— Espera Emily.
Natasha logo me acompanhou.
— Não suporto se querouvir o nome da Melissa — Bufei. — E a Pietra... Lesbicas idiotas! — Tentei falar algo para que ela não me questionasse muito.
— Foi idiotice ela ter falado sobre o James. Agora não entendi a Pietra... — Ela notou que eu não estava bem e se manteve em silêncio.
Eu estava com um misto de raiva e tristeza perturbadores. Não acreditava que Pietra dormiu com Melissa mesmo dizendo gostar de mim.
Não dormi bem durante a noite e no dia seguinte não consegui prestar atenção em aula nenhuma. Pensei sobre Pietra me mandar uma mensagem se explicando, pois as palavras da Mel não saiam da minha cabeça, mas não encontrei meu celular em lugar algum. Decidi que precisava falar com ela antes de tentar esquecer aquilo tudo.
— Nath, preciso que me ajude. — Ela parou de escrever e me olhou. — Assim que essa aula acabar preciso que procure - Pietra e traga ela até aqui.
— O que você vai fazer? — perguntou curiosa, provavelmente achando que eu tinha algum plano mirabolante contra Mel.
— Preciso falar com ela. — Suspirei voltando a olhar para meu caderno. — Não tenho coragem de falar em público.
— Por que não? A Mel até grita que dormiu com ela.
Sinto meu sangue ferver apenas por lembrar.
— A Mel é uma vadia que mora com a avó! Os pais estão bem longe daqui e não estão nem ai para ela. Não existe comparação entre eu e uma garota que não tem nada a perder na droga da vida.
— Ta bom, calma. Não vai me contar qual o assunto?
— Depois. — O sinal tocou e todos começaram a sair.
— Ok, vou lá.
Ela saiu e logo comecei a sentir minhas mãos geladas.
Levantei e andri de um lado para outro, pensando no que ia dizer. Afinal o que eu tinha para dizer? Ela me enganou, ficou com a Mel. Com raiva chuteia perna da mesa e no mesmo momento Pietra entrou na sala.
— Pode falar — disse ela ao parar colocando as mãos nos bolsos do casaco.
— Sério que eu quem devo falar alguma coisa? Você esta ficando com a Mel. — Minha voz saiu baixa demais como se eu estivesse com medo do que ela diria. Para minha surpresa ela sorriuolhando em direção a janela e em seguida me olhou séria.
— Claro que não.
— Não é o que parece. — Cruzei os braços. — Pelo visto até transam!
— Claro que não Emily, ela apenas dormiu em minha casa.
— Na mesma cama? — Arqueei uma sobrancelha. — E ela sai falando como se estivesse ficando com você.
— Emily, ontem mesmo você disse para eu te esquecer. Passei a semana inteira esperando que você me desse um sinal de que pensou sobre o que te disse e nada. Como eu poderia ficar com outra pessoa se você não sai da minha cabeça? Eu já deixei claro o que sinto por você!
— A Mel...
— Não há nada entre nós!
— Mas pelo que percebi em momento algum você não deixou claro que não quer. Ela está se achando...
— Emily, eu cansei. — Minha expressão goi da raiva à confusão, Pietra nunca havia falado daquela forma comigo. — Sabe o que está parecendo? Que à essa altura você só me chamou aqui para provar a Mel alguma coisa. Já joguei todas as minhas cartas na mesa e você não fez nada em relação a isso. Não vou mais ficar correndo atrás de você sempre.
Ela saiu e até pensei em chamá-la para falar tudo que sentia, mas tanto minhas pernas ficaram imoveis quanto minha boca ficou sem voz. Apenas girei em meus calcanhares e sentei na mesa com a cabeça baixa. De repente senti um abraço apertado por trás.
— Eu não podia imaginar — falou Natasha deixando claro que ouviu tudo. — Você gosta dela? — Eu não tinha mais como negar nada, apenas confirmei com a cabeça. — Então porquê não disse?
— Porque eu sou covarde, tenho medo. E também porque vivo na ilusão de que se não assumir vou conseguir superar. Não sei se conseguiria lidar com isso.
— Eu entendo que seja confuso. Digamos que… seu passado é bem hétero. Mas te conhecendo como conheço, sei muito bem que nunca se apaixonou de verdade por um cara e suas experiências sexuais não foram nada satisfatórias. — Acabei rindo. — Eu nunca te vi assim antes e se tudo isso é porque esta reprimindo seus sentimentos, posso afirmar que você será muito mais feliz assumindo para si mesma e principalmente para ela que está completamente apaixonada.
— Você não acha estranho e loucura? — Virei de frente para ela.
— O que acho estranho e loucura é você permitir que outra garota fique posando de ficante da pessoa que você gosta. Agora até mesmo eu estou com raiva da Mel, aquela atirada! — Ambas rimos — Falando sério, a gente nunca sabe por quem vai se apaixonar. Se no seu caso foi por uma outra mulher melhor viver essa paixão do que morrer lamentando. Não é preciso ficar sentando no colo dela e andando de mãos dadas. O que realmente importa é que ela saiba o que você também sente.
Ouvindo ela falar parecia tão fácil. Me senti uma completa idiota por não ter contado antes.
— Você tem razão. — Acabei chorando.
— Ei, você tem a solução, vai atrás dela.
— Obrigada.
— Você é uma tonta idiota, não tem que agradecer, pois é isso que fazem as amigas, sermão e conselhos sempre!
— Você faz isso muito bem. — Sorri. — Eu sou uma tonta.
Sequei minhas lágrimas tentando me preparar para ir procurar Pietra.
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Atualizado até capítulo 54
Comments
Silvia Galdino
Aeeeeee vai que tua garota
2023-02-10
2
sua crush? ~ ♀️🔞
na vida eu seria igual vc mona
2023-02-03
3
sua crush? ~ ♀️🔞
lembrei da música de Ketty
2023-02-03
3